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MADRID 3 jun. (EUROPA PRESS) -
O Grupo de Risco Vascular da Sociedade Espanhola de Medicina Interna (SEMI) apresentou o “Documento de consenso sobre o manejo clínico da doença arterial periférica”, no âmbito da XXII Reunião de Risco Vascular, realizada em Madri, que visa melhorar o atendimento a essa patologia de alta prevalência, uma vez que afeta uma em cada cinco pessoas com mais de 80 anos e continua apresentando um importante subdiagnóstico.
"Apesar do esforço que a comunidade médica está realizando, a EAP continua sendo uma doença subdiagnosticada e subtratada, e é necessário um impulso para melhorar a qualidade do atendimento a essa patologia. O documento de Consenso da SEMI, que se concentra em melhorar o diagnóstico e o tratamento dessa patologia, vai nessa direção”, explica a Dra. Dolores López Carmona, do Serviço de Medicina Interna do Hospital Regional Universitário de Málaga, e palestrante da sessão “Doença Arterial Periférica em Medicina Interna: pontos-chave do novo consenso da SEMI”.
A EAP é uma manifestação frequente da aterosclerose sistêmica e um marcador de risco vascular muito elevado. Na Espanha, sua prevalência estimada é de cerca de 8% na população com mais de 45 anos e pode chegar a 20% em pessoas com mais de 80 anos. Sua apresentação é heterogênea, pois pode permanecer assintomática ou se manifestar com diferentes graus de gravidade clínica.
Entre suas complicações mais relevantes está a isquemia crônica ameaçadora do membro (ICAE), que está associada a um elevado risco de perda do membro, bem como ao surgimento de eventos cardiovasculares graves (MACE), incluindo infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte por causa cardiovascular.
Após a publicação, em 2024, das novas diretrizes europeias e americanas sobre EAP, surgiu a necessidade de dispor de um documento integrador e de consulta ágil que facilitasse a aplicação de suas recomendações na prática clínica diária. Com esse objetivo, especialistas com ampla experiência no manejo dessa patologia elaboraram um consenso voltado para a transposição das recomendações internacionais para a realidade assistencial do nosso ambiente, com uma abordagem eminentemente prática e centrada no atendimento integral do paciente.
Em muitos casos, os pacientes com EAP são encaminhados pela Atenção Primária (AP) em fases avançadas da doença. Esse atraso deve-se, em grande parte, a um diagnóstico tardio, favorecido pela frequente ausência de sintomas típicos e pela subutilização de ferramentas diagnósticas simples, como o índice tornozelo-braço. Como consequência, não é raro que a avaliação pelo especialista ocorra quando já é necessário considerar procedimentos de revascularização endovascular ou cirúrgica.
Diante dessa realidade, o grupo de Risco Vascular da SEMI impulsionou a elaboração de um consenso voltado para favorecer o diagnóstico precoce e otimizar o manejo clínico integral da PAE. “Ainda há pouca conscientização, inclusive entre a comunidade médica, sobre a relevância da PAE. A atenção tem se concentrado, durante anos, em avaliar a necessidade ou não de revascularização, quando a evolução da doença é longa e oferece muitas oportunidades para ser diagnosticada a tempo, dentro e fora do hospital”, denuncia López Carmona.
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