MADRI, 21 ago. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Médicos Gerais e de Família (SEMG) manifestou sua “preocupação especial” com o risco de que a situação em Ceuta, após a crise migratória, gere uma pressão desproporcional sobre as equipes de saúde e assistência social e de que problemas fundamentalmente sociais e humanitários acabem sendo transferidos para o sistema de saúde, diante da falta de alternativas suficientes.
Por isso, a SEMG considera fundamental reforçar a coordenação entre a Saúde e os Serviços Sociais, disponibilizar os recursos necessários e estabelecer circuitos que permitam responder de forma ágil às necessidades existentes, evitando que a pressão recaia exclusivamente sobre os centros de saúde, os serviços de emergência ou os profissionais que neles trabalham.
“A resposta a uma situação dessas deve necessariamente combinar humanidade, coordenação institucional, proteção das pessoas vulneráveis e também proteção daqueles que as atendem”, destacou a presidente da SEMG, Pilar Rodríguez.
Nesse contexto, a sociedade ofereceu sua colaboração às instituições e aos profissionais da área da saúde e dos serviços sociais de Ceuta. A SEMG enviou cartas ao Colégio Oficial de Médicos de Ceuta, aos cuidados de seu presidente, José Enrique Roviralta; ao Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA) em Ceuta, aos cuidados de seu diretor territorial, Jesús Ignacio Lopera; e à Secretaria de Saúde e Serviços Sociais da Cidade Autônoma de Ceuta, dirigida à secretária, Nabila Benzina.
Além disso, a Presidência da SEMG dirigiu-se pessoalmente aos seus associados de Ceuta, para transmitir-lhes diretamente solidariedade e apoio, e colocar-se à disposição dos colegas que estão vivenciando essa situação no local.
Dessa forma, a sociedade científica deseja colocar à disposição dessas instituições sua experiência profissional e capacidade de colaboração para contribuir, dentro de suas possibilidades, com uma resposta adequada diante de uma realidade em que convergem necessidades assistenciais, sociais e humanitárias — situação que, em sua opinião, exige a coordenação das diversas administrações e serviços envolvidos.
Essa colaboração, ressalta a SEMG, é sempre concebida dentro do âmbito próprio de uma sociedade científica, por meio de assessoria científica e técnica, capacitação de profissionais, elaboração ou revisão de protocolos e procedimentos de assistência, a identificação de necessidades profissionais e outras ações científico-profissionais nas quais “a experiência da SEMG possa ser útil”, acrescenta.
A SEMG considera especialmente importante garantir um atendimento “digno e adequado” às pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade, mas também preservar a capacidade de resposta dos serviços públicos de Ceuta e proteger os profissionais que estão enfrentando essa situação na linha de frente.
INGESA PROPÕE EXPLORAR VIAS DE COLABORAÇÃO COM A SEMG
Segundo a SEMG, a Direção Territorial da INGESA em Ceuta agradeceu a oferta e propôs explorar possíveis vias de colaboração diante da evolução das necessidades de assistência.
A SEMG reiterou sua disposição em colaborar no âmbito próprio de uma sociedade científica, tanto por meio de assessoria científica e técnica quanto facilitando a divulgação entre seus associados e profissionais de uma eventual convocação formal da INGESA para os médicos que, voluntariamente, possam estar interessados em prestar apoio temporário em Ceuta. Ambas as entidades concordaram em realizar uma reunião para definir possíveis formas de colaboração.
Por outro lado, a SEMG aproveitou esse contato institucional para expressar seu reconhecimento e apoio aos profissionais da saúde e da assistência social de Ceuta, que estão desempenhando suas funções em um cenário especialmente complexo, com uma carga assistencial e emocional significativa.
“Por trás de qualquer resposta institucional estão os profissionais que, em última instância, atendem, acompanham e respondem às necessidades concretas das pessoas. Por isso, além de cuidar daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade, temos também a responsabilidade de cuidar e proteger aqueles que cuidam”, afirmou Rodríguez.
Por isso, a SEMG solicitou que seu reconhecimento e apoio fossem transmitidos a todos os profissionais que estão trabalhando atualmente na cidade e manifestou sua disposição de colaborar nas iniciativas nas quais sua experiência possa ser útil.
“Nossa oferta surge, antes de tudo, da vontade de acompanhar nossos colegas da área da saúde de Ceuta e fazer com que saibam que não estão sozinhos. Como sociedade científica, queremos contribuir com o que podemos oferecer: conhecimento, capacitação, apoio profissional, capacidade de diálogo e, quando necessário, divulgação entre nossos associados das iniciativas formalmente articuladas pela Administração”, concluiu a presidente da SEMG.
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