MADRID 13 nov. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC) solicitou medidas para garantir a longitudinalidade na Atenção Primária, entendida como a continuidade do atendimento de uma equipe profissional com pacientes designados, o que, segundo ela, se traduz em melhor saúde da comunidade, maior satisfação do paciente e do profissional e redução de custos em todo o sistema.
Essa afirmação foi feita durante a abertura de seu congresso anual em Madri. A sociedade científica argumenta que vincular uma equipe estável de atenção primária - composta por profissionais de saúde médicos, de enfermagem e administrativos, entre outros - a uma população de referência é uma estratégia econômica, com alto impacto sobre a saúde das comunidades e a sustentabilidade do sistema de saúde.
Agora, o semFYC está pedindo que todos os departamentos de saúde e o Ministério da Saúde tomem medidas ativas, concretas e direcionadas para cumprir efetivamente o Plano de Ação da Atenção Primária 2025-2027 e para atrair talentos para o campo da atenção primária. "O enraizamento e a responsabilidade para com a população designada são intrínsecos à Medicina de Família e Comunidade, quase mais do que a imagem do fonendoscópio que usamos com frequência", destacam.
Sobre esse ponto, a sociedade científica destacou que, quando o mesmo médico de família acompanha uma população por 15 anos, as emergências são reduzidas em 30%, as hospitalizações em 28% e a mortalidade em 25%.
"A longitudinalidade engloba a conexão sustentada entre as equipes de atenção primária e as comunidades, integrando prevenção, apoio e saúde coletiva ao longo da vida. Além disso, ela deve ser reforçada e medida em resultados de saúde, disse o presidente do semFYC, Remedios Martín.
Por esse motivo, o semFYC insta as Administrações a medir o impacto que a longitudinalidade tem sobre a população com seus próprios dados, da mesma forma que os países nórdicos avaliaram esse princípio na Medicina de Família e Comunidade.
SEMFYC, CONTRA O RECRUTAMENTO DE PROFISSIONAIS SEM ESPECIALIDADE
Durante o Congresso, em uma reunião do Conselho de Administração do semFYC, foi analisada em profundidade a situação atual da Atenção Primária nas comunidades autônomas com maiores dificuldades de cobertura, como a Galícia, onde na semana passada houve um grave confronto sobre a iniciativa de homologar o título de Medicina de Família para pessoas que não concluíram o MIR por meio de treinamento fora desse sistema.
"A posição é unânime: não à contratação de pessoas sem a especialidade de Medicina de Família e Comunidade", destacam. O semFYC lembra que a especialidade é uma garantia de competência, qualidade e segurança no atendimento, e que sua ausência coloca em risco tanto pacientes quanto profissionais. O presidente do semFYC, Remedios Martín, enfatizou que "já estamos fartos de apaziguamento".
A sociedade científica está comprometida em promover mudanças no modelo organizacional e de gestão para aliviar a situação em áreas de difícil cobertura, favorecendo a flexibilidade na distribuição das equipes, o reforço dos incentivos profissionais e o desenvolvimento de estratégias inovadoras de contratação e organização das equipes de atendimento, que garantam a continuidade do atendimento sem renunciar aos princípios de qualidade e equidade.
MAIS DE 31.000 MÉDICOS DE FAMÍLIA
De acordo com a análise do semFYC, a Espanha conta atualmente com mais de 31.200 médicos e especialistas em Medicina de Família e Comunidade trabalhando na Atenção Primária, o que representa um aumento de 9,6% em relação a 2014.
Esse crescimento, desigual por comunidade autônoma, concentrou-se especialmente nas Ilhas Baleares (+35,4%), Múrcia (+21%) e Valência (+18,6%), que lideram a expansão da força de trabalho dentro do Sistema Nacional de Saúde (SNS).
Na comparação de como o número de postos do SNS evoluiu nas diferentes comunidades autônomas e províncias, apenas Castela e Leão diminuiu o número de especialistas (-3,5%). A especialidade continua apresentando uma forte feminização, com 78% dos profissionais sendo mulheres, e uma média de idade em torno dos 50 anos, o que para a sociedade científica "evidencia a necessidade de consolidar a substituição geracional".
Ao mesmo tempo, o número de vagas de MIR em Medicina de Família e Comunidade continua crescendo: o número de vagas disponíveis para 2026 é de 2.544, 8,25% a mais do que em 2024, consolidando a especialidade como a que mais contribui para o sistema de formação especializada em saúde. O semFYC enfatiza que essa expansão no número de especialistas deve ser acompanhada por uma política de retenção e desenvolvimento profissional que reforce a estabilidade no emprego, a atratividade da carreira e a capacidade de manter a longitudinalidade do atendimento.
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