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MADRID 18 set. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC) exigiu nesta sexta-feira que a regulamentação do acesso de menores aos cigarros eletrônicos, prevista no projeto de lei sobre o tabaco, seja acompanhada de um “controle efetivo”, para impedir a compra pela internet ou o consumo por meio de terceiros, além de ações contínuas de prevenção.
“De pouco adianta haver uma proibição se, depois, qualquer adolescente puder comprar facilmente esses produtos pela internet ou ter acesso a eles por meio de terceiros”, afirmaram os membros do Grupo de Combate ao Tabagismo da semFYC e coordenadores da Semana Sem Fumo, José Manuel Iglesias e María Iglesias.
No âmbito da Semana Europeia do Câncer de Pulmão, os porta-vozes da semFYC também instaram a agir em relação à publicidade, especialmente nas redes sociais, e a trabalhar a percepção de risco entre os adolescentes. Nesse sentido, eles lembraram que o mercado evolui rapidamente e “surgem continuamente novos dispositivos e novas formas de consumo”.
No âmbito educacional, defenderam ir além de “uma palestra uma vez por ano” e abordar temas como o que os cigarros eletrônicos contêm, como geram dependência e como funcionam a publicidade e as redes sociais. “Quanto mais tarde um jovem entrar em contato com a nicotina, melhor. E se conseguirmos que ela nunca comece, melhor ainda”, destacaram.
Os especialistas alertaram que um dos principais atrativos dos cigarros eletrônicos, além de seus sabores, é a percepção de segurança que os cerca, o que não corresponde às evidências disponíveis nem ao princípio da precaução que deve ser aplicado quando se trata de menores de idade.
“Para muitos adolescentes, vaporizar não é ‘fumar’. O dispositivo não se parece com um cigarro, não tem o mesmo cheiro e pode ter sabores agradáveis”, explicaram, acrescentando que a pressão social e o ambiente digital também contribuem para reduzir a percepção de comportamento de risco.
PORTA DE ENTRADA PARA O TABACO
No entanto, os porta-vozes da semFYC afirmaram que os vaporizadores não são inofensivos e, além disso, representam, em muitas ocasiões, a porta de entrada para o tabagismo, um hábito que, em 80% dos casos, é iniciado antes dos 20 anos e que é a principal causa do câncer de pulmão, o que apresenta a maior taxa de mortalidade.
“Os estudos realizados até agora concluem que os adolescentes que começam a usar cigarros eletrônicos têm muito mais chances de acabar experimentando posteriormente o cigarro convencional”, afirmaram.
Os especialistas alertaram que a nicotina pode afetar o desenvolvimento do cérebro dos adolescentes, sobretudo funções como a atenção, a aprendizagem ou o controle dos impulsos. “No caso de menores de idade, estamos falando de um organismo que ainda está em desenvolvimento”, destacaram.
De acordo com a última Pesquisa sobre o Uso de Drogas no Ensino Médio (ESTUDES), 27,3% das pessoas entre 14 e 18 anos afirmaram ter fumado uma vez na vida e 15,5% no último mês, enquanto a porcentagem sobe para 49,5% e 27,1%, respectivamente, quando se trata de cigarros eletrônicos.
Nesse contexto, a semFYC insistiu na necessidade de desmistificar a ideia de que vaporizar é um hábito inofensivo. “Precisamos fazer com que os jovens entendam que, por trás de um dispositivo que pode parecer um simples acessório, há, em muitos casos, nicotina e um produto capaz de causar dependência”, reforçaram.
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