Publicado 06/03/2026 09:18

A semFYC exige que a feminização da medicina se reflita na presença em cargos de liderança.

Archivo - Arquivo - Mulher na consulta médica.
VIOLETASTOIMENOVA/ISTOCK - Arquivo

MADRID 6 mar. (EUROPA PRESS) - A Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC) exigiu nesta sexta-feira que a crescente feminização da profissão médica se reflita proporcionalmente na presença de mulheres em cargos de liderança, um âmbito em que houve avanços, mas onde persiste uma lacuna importante.

Segundo detalhou a sociedade médica, o Observatório Womeds da Federação de Associações Científico-Médicas Espanholas (FACME) indica que as mulheres representam 62% dos profissionais médicos em atividade na Espanha. O futuro da profissão também é feminino, pois entre os menores de 35 anos, a porcentagem de mulheres chega a 66%.

No entanto, apenas 42% dos chefes de seção e 37% dos chefes de serviço são ocupados por mulheres. No âmbito do Dia Internacional da Mulher, comemorado neste domingo, a semFYC alertou sobre essa paradoxo entre a demografia da saúde e a composição dos órgãos de decisão.

Por isso, reivindicou o desenvolvimento de estruturas que permitam que essa maioria de médicas se traduza em liderança real e capacidade de influência nos espaços onde se definem as políticas de saúde, a organização da assistência e as prioridades de pesquisa.

No caso da especialidade de Medicina Familiar e Comunitária, de acordo com dados da Organização Médica Colegial (OMC), as mulheres representam 66% do total, sendo uma das especialidades mais feminizadas. Dentro da semFYC observa-se essa realidade e, de seus 22.000 membros, 71% são mulheres, mas a sociedade destacou que a presença feminina é majoritária em seus órgãos de governo. CONCILIAÇÃO

A semFYC insistiu que a organização da Atenção Primária (AP) deve se adaptar à realidade demográfica e profissional atual para continuar garantindo uma saúde pública “justa, eficaz, sustentável e acessível” para toda a população.

Nesse sentido, ela apontou que o planejamento de horários e turnos não pode recair sistematicamente sobre determinados perfis profissionais, frequentemente mulheres jovens, por meio de atribuições rígidas que dificultam a conciliação e a corresponsabilidade familiar.

Face a isso, instou a avançar para modelos organizacionais que incorporem maior flexibilidade e autogestão, com o objetivo de favorecer a conciliação profissional e pessoal de todos os profissionais de saúde, o que ajuda a fidelizar o talento, reduzir a síndrome de desgaste profissional, conhecida como “burnout”, e evitar a fuga de profissionais para outras áreas.

Essas medidas também impactam a qualidade da assistência à saúde, pois, ao contribuir para que o profissional permaneça em seu centro de saúde, favorecem a assistência contínua aos pacientes ao longo dos anos. Esse fator está associado a menor mortalidade, menos visitas ao pronto-socorro e melhores resultados na saúde comunitária.

Por outro lado, a semFYC apelou à incorporação da perspectiva de género na prática clínica, investigação e gestão. Neste sentido, no ano passado apresentou o documento “Não fazer com perspectiva de género”, uma iniciativa orientada para identificar práticas clínicas de baixo valor que perpetuam preconceitos e podem prejudicar a saúde integral das mulheres.

A sociedade médica, por ocasião do 8 de março, quis valorizar o compromisso das médicas de família, sublinhando que são elas que sustentam, a partir da Atenção Primária, um dos pilares fundamentais do Sistema Nacional de Saúde.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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