Ricardo Rubio - Europa Press - Arquivo
MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina de Família e Comunidade (semFYC) assinalou que, apesar do "discurso alarmista", milhares de candidatos manifestaram seu interesse na especialidade de Medicina de Família e Comunidade, uma vez concluído o processo de concessão de vagas na Formação Especializada em Saúde (FSE) para a convocação 2024/2025.
Em um comunicado à imprensa, a Sociedade parabenizou todos os residentes de Medicina de Família e Comunidade que iniciarão o processo de especialização em junho deste ano.
Além disso, pediu que a leitura não seja reduzida a uma "simples contagem" e, em vez disso, que os dados sejam colocados em seu contexto real. "No entanto, não queremos deixar de chamar a atenção, mais uma vez, para a necessidade de uma leitura contextualizada dos dados; faz parte da nossa responsabilidade perante o Sistema Nacional de Saúde fazê-lo", disse.
Nesse sentido, o semFYC destacou o "enorme número de não comparecimentos" que ocorreram ao longo do processo eleitoral. "Esses não comparecimentos se tornaram a especialidade mais escolhida", indicou a Sociedade, e, portanto, considera necessário que "tanto os gerentes da Administração e do Ministério da Saúde quanto as especialidades médicas e instituições de ensino, incluindo a Conferência de Reitores de Medicina, iniciem uma reflexão serena sobre esse volume muito alto de não comparecimentos registrados".
Por outro lado, manifestou a sua preocupação com o "desajuste" entre a oferta e a procura, que "está muito longe das reais necessidades do SNS", bem como com a "falta de medidas adequadas" para responder à taxa de substituição de todas as especialidades nos próximos anos.
"O nosso Sistema Nacional de Saúde terá de responder, a médio e longo prazo, ao aumento das patologias crônicas e ao envelhecimento de uma população frágil e com multimorbilidade. A resposta a esta situação exige uma abordagem generalista e não uma visão hiperespecializada. No futuro, serão necessários mais especialistas com essa orientação", acrescentou a Sociedade.
Por todos esses motivos, a Sociedade solicitou a ativação de medidas destinadas a aprimorar as vocações e as perspectivas futuras da Medicina de Família e Comunidade. Entre elas, solicitou uma estratégia nacional para tornar a especialidade mais visível por meio de campanhas de conscientização e promoção.
Além disso, ela solicita a promoção da especialidade na universidade com a incorporação de uma disciplina obrigatória de pelo menos 6 créditos ECTS no programa de estudos médicos, bem como a prática clínica em centros de saúde de ensino.
Também solicita a implementação urgente de uma estratégia de gestão para garantir a substituição de gerações, tendo em vista as aposentadorias previstas para os próximos cinco anos; a implementação de um plano estratégico específico para os cargos de difícil preenchimento e para fornecer às unidades de ensino e aos centros de saúde que recebem os futuros especialistas recursos suficientes em termos de quantidade e qualidade, a fim de poder contar com equipes de instrutores poderosas e bem equipadas.
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