Marcos Moreno - Europa Press
MADRID 30 set. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (SEMFYC) publicou dois documentos sobre procedimentos de intervenção clínica na população migrante em casos de suspeita de doenças infecciosas e sobre vacinação, por meio dos quais relembrou que a Atenção Primária é a primeira linha de resposta sanitária diante de crises migratórias.
Conforme indicado, os relatórios “Estratégia de vacinação na Atenção Primária diante de uma crise migratória” e “Prevenção, avaliação e controle de doenças infecciosas na população migrante recém-chegada” buscam fornecer recursos práticos que contribuam para melhorar a assistência e apoiar a prática diária dos profissionais. Tudo isso em um contexto de necessidades específicas de atendimento que exigem uma resposta organizada e coordenada.
“A assistência à saúde deve atender às necessidades clínicas e epidemiológicas de cada pessoa e não à sua situação migratória”, afirmou a esse respeito a presidente da SEMFYC, a doutora Remedios Martín, uma vez que o país de origem e de residência, a rota seguida no processo migratório, as exposições durante o trajeto, a cronologia desde a última exposição, as condições de alojamento, o estado vacinal e a possibilidade de continuidade do atendimento determinam a probabilidade de infecção e a eficácia do rastreamento.
Por sua vez, o coordenador do Grupo de Trabalho de Doenças Infecciosas da sociedade científica, o Dr. Jesús Ortega, destacou o primeiro nível de atendimento “por sua capacidade de realizar a avaliação clínica inicial, detectar de forma direcionada determinadas doenças, iniciar as ações necessárias e garantir o acompanhamento”. Portanto, a Atenção Primária deve ser o eixo central do planejamento da intervenção clínica por parte dos especialistas.
Nesse sentido, a prioridade deve centrar-se na identificação precoce de patologias infecciosas com potencial de surto, como o sarampo, a varicela, a tuberculose pulmonar, a gastroenterite infecciosa e a sarna. Além disso, recomenda-se também manter a vigilância em relação à doença meningocócica, à difteria e à poliomielite, e descartar com urgência a malária quando as pessoas apresentarem febre com histórico de exposição compatível.
TRIAGEM DIRECIONADA E ADAPTADA
Conforme consta no documento sobre doenças infecciosas, a triagem deve ser direcionada e adaptada à origem e à exposição de cada pessoa para patologias como tuberculose, HIV, vírus da hepatite B e C, estrongiloidíase e esquistossomose. Além disso, o documento destaca como indispensável garantir que todo exame esteja vinculado à confirmação do diagnóstico, ao tratamento e à continuidade do atendimento.
Por outro lado, o documento sobre vacinação, elaborado pelo Grupo de Vacinas do Programa de Prevenção e Promoção da Saúde (PAPPS-SEMFYC), aborda como um desafio a ausência de informações de saúde completas ou verificáveis, especialmente no que se refere à vacinação, por isso afirma que é fundamental identificar as necessidades de prevenção, revisar e atualizar a vacinação. “Quando não há documentação confiável, deve-se agir para recuperar a proteção contra doenças preveníveis por imunização, sem atrasar desnecessariamente a vacinação”, afirmou sua coordenadora, a doutora Ana Pilar Javierre.
Nesse contexto, as prioridades para adolescentes e adultos são a vacina contra o sarampo, a rubéola e a caxumba, a poliomielite e a proteção contra o tétano e a difteria. “A oportunidade de vacinação deve ser aproveitada desde os primeiros contatos com os serviços de saúde, especialmente em pessoas cuja mobilidade possa dificultar a continuidade dos esquemas de vacinação”, destacou ela, acrescentando que “quando não há um registro vacinal confiável, não é necessário adiar a vacinação enquanto se aguarda a documentação ou um exame sorológico”.
Por fim, e após destacar que fatores como a presença de pessoas suscetíveis, as condições de alojamento e a continuidade do atendimento à saúde podem influenciar a proteção da população, os documentos indicam que, em situações de chegadas em grande número, deve-se priorizar a avaliação clínica, a detecção precoce de casos, a vigilância de possíveis aglomerações e a retomada da vacinação, evitando medidas indiscriminadas, como a triagem microbiológica generalizada ou o isolamento coletivo.
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