Kiko Asunción - Europa Press
MADRID 29 jul. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (SEMFYC) publicou uma atualização sobre as doenças causadas pelo calor e sua abordagem clínica, atualização por meio da qual reforçou o papel da “aclimatação progressiva” como “a medida preventiva mais eficaz para reduzir o risco” diante dessas patologias.
Essa atualização, divulgada pela sociedade científica por meio de sua revista “Actualización en Medicina de Familia” (AMF), apresenta os mecanismos de identificação precoce, o diagnóstico diferencial e o manejo dessas doenças, cuja incidência aumenta significativamente durante períodos de temperaturas extremas, como os atuais.
Assim, este documento revisou o conjunto de quadros clínicos conhecidos como doenças causadas pelo calor (EPC), que abrange um espectro que vai desde quadros leves e autolimitados — como erupção cutânea, cãibras, edema e síncope por calor —, moderados — como a exaustão por calor — e até mesmo a insolação, uma emergência médica potencialmente fatal que requer ação imediata.
Na opinião dos autores do documento, essas patologias “constituem um ‘continuum’ clínico; portanto, reconhecer suas primeiras manifestações é fundamental para evitar a progressão para formas graves”. Por isso, eles ressaltaram que a detecção precoce e a triagem de pessoas especialmente vulneráveis assumem uma importância crescente em um contexto de aumento sustentado das temperaturas associado às mudanças climáticas.
GRUPOS VULNERÁVEIS
Nesse sentido, esta atualização indica que a idade acima de 65 anos constitui o principal fator de risco, a ponto de 96% das mortes atribuíveis ao calor ocorrerem nesse grupo da população. De fato, o “Plano Nacional de Ações Preventivas dos Efeitos do Excesso de Temperatura sobre a Saúde” registrou 3.832 óbitos atribuíveis a esse fator entre maio e setembro de 2025 — dos quais 2.184 ocorreram em agosto.
Além disso, o risco aumenta em pessoas com doenças crônicas — especialmente cardiovasculares, respiratórias, renais, diabetes ou obesidade— e naquelas que tomam determinados medicamentos que podem dificultar a termorregulação ou favorecer a desidratação —como diuréticos, anticolinérgicos, antidepressivos, antipsicóticos, benzodiazepínicos, betabloqueadores ou antagonistas do cálcio—.
O consumo de álcool e outras substâncias estimulantes, como a cocaína ou as anfetaminas, também aumenta o risco de sofrer doenças causadas pelo calor, ao alterar os mecanismos de regulação da temperatura corporal e favorecer a desidratação; da mesma forma que o uso de laxantes, especialmente quando provoca perdas significativas de líquidos e eletrólitos, pode aumentar a vulnerabilidade às altas temperaturas.
Por fim, este relatório da SEMFYC inclui uma atualização das recomendações terapêuticas com base nas evidências disponíveis. Assim, no caso da insolação, ele ressalta que a prioridade absoluta deve ser iniciar o resfriamento do paciente o mais rápido possível, inclusive antes do transporte para o hospital, quando for possível.
“O objetivo consiste em reduzir a temperatura retal para 38-39 graus, de preferência por meio de imersão em água fria ou, quando essa opção não for viável, aplicando toalhas embebidas em água fria nas áreas de maior fluxo sanguíneo, como pescoço, axilas e virilha”, explica o artigo a esse respeito, que também lembra que os antipiréticos não são eficazes nessas situações, uma vez que o mecanismo fisiopatológico da insolação não se deve a um processo febril e sua administração pode, inclusive, favorecer complicações.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático