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MADRID 2 jul. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC) apresentou, durante a Conferência Europeia da WONCA, um novo modelo para incorporar a simulação clínica à formação dos profissionais de Atenção Primária.
Segundo a semFYC, trata-se de uma metodologia amplamente consolidada em hospitais e universidades, mas ainda pouco implantada no âmbito da Medicina de Família.
A iniciativa foi divulgada durante a “Country Session” intitulada “Building capacity for simulation in primary care: the Spanish experience”, na qual Jorge Lema-Bartolomé e Juan Antonio López-Rodríguez compartilharam a experiência do projeto “Simula semFYC”.
Com essa proposta, a semFYC busca integrar de forma estruturada a simulação na formação continuada de médicos de família, profissionais de enfermagem e equipes multidisciplinares da Atenção Primária.
Nesse contexto, a sociedade explicou que, embora a simulação clínica tenha se mostrado, há anos, uma das metodologias de ensino mais eficazes para a aprendizagem de profissionais de saúde, seu desenvolvimento tem se concentrado principalmente no âmbito hospitalar.
Assim, ela indica que a Atenção Primária, apesar de enfrentar diariamente situações clínicas complexas, cenários de comunicação difícil com pacientes, tomada de decisões em situações de incerteza e trabalho em equipes multidisciplinares, tem tido tradicionalmente um acesso muito mais limitado a esse tipo de formação.
“Somos metade dos profissionais de saúde do sistema de saúde e também deveríamos ter acesso a uma metodologia que se mostrou a mais eficaz para a formação de adultos”, destacou Jorge Lema-Bartolomé, médico de família e membro da Comissão de Ensino da Junta Permanente da semFYC.
Segundo ele, essa situação se deve principalmente a uma distribuição desigual dos recursos destinados à formação. “A simulação requer investimento e estruturas específicas que, historicamente, têm estado disponíveis sobretudo em hospitais. O que queremos é transferir essa capacidade também para a Atenção Primária”, acrescenta Lema.
UM MODELO COM PROJEÇÃO EUROPEIA
Uma das mensagens transmitidas pela delegação espanhola durante a sessão foi que essa necessidade não é exclusiva do sistema de saúde espanhol. Para a semFYC, a escassa implantação de programas específicos de simulação na Atenção Primária é uma realidade compartilhada por vários países europeus. Por isso, a sociedade defende que seu modelo é facilmente transferível para outros sistemas de saúde.
Segundo a sociedade, a recepção da apresentação foi “especialmente positiva”. Nesse sentido, afirma que, durante o colóquio posterior, representantes de diversas sociedades científicas europeias demonstraram interesse em conhecer o funcionamento do projeto e explorar possíveis vias de colaboração para implementar iniciativas semelhantes em seus respectivos países.
“É um modelo perfeitamente exportável e estamos convencidos de que poderemos colaborar com outros países para desenvolvê-lo”, concluiu Lema.
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