Jesús Hellín - Europa Press - Arquivo
MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Médicos de Atenção Primária (SEMERGEN) avaliou positivamente o fato de todas as vagas do MIR em Medicina Familiar e Comunitária (MFyC) terem sido preenchidas na convocatória de 2026, embora alerte para que não se caia na “autocomplacência”, já que esse dado não pode “ocultar os problemas” estruturais que continuam afetando a Atenção Primária e a especialidade.
A sociedade científica lembra que a Medicina Familiar e Comunitária continua sendo a especialidade com o maior número de vagas e a mais distribuída territorialmente no sistema de saúde. Nesse contexto, a SEMERGEN considera que o preenchimento da oferta constitui uma notícia positiva para o sistema de saúde e para o planejamento de recursos humanos, embora insista na necessidade de analisar o contexto em que ocorreu o processo de adjudicação.
“É muito positivo que todas as vagas de Medicina de Família tenham sido preenchidas, mas também é verdade que este ano elas foram preenchidas um pouco mais tarde”, destacou a coordenadora de Residentes e Tutores da SEMERGEN, María José Gamero, que considera que “esse detalhe representa um sinal que obriga a olhar além do dado final”.
Para Gamero, “o sistema consegue cobrir suas necessidades de formação, mas o faz em um contexto em que os recém-formados já conhecem as condições reais do exercício profissional. Eles estão cientes das dificuldades de trabalho que enfrentamos atualmente na Atenção Primária”.
A SEMERGEN insiste que a escolha não se resume apenas a uma questão vocacional, mas responde também a uma mudança geracional nas prioridades profissionais. “Antes, havia uma cultura de maior abnegação; atualmente, os jovens residentes priorizam mais a conciliação e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, observa Gamero.
A sociedade científica lembra, além disso, que as análises baseadas exclusivamente no ritmo de atribuição podem levar a interpretações incompletas, especialmente em uma especialidade com o maior número de vagas oferecidas pelo sistema de saúde. Nesse sentido, a SEMERGEN ressalta que a função estratégica da Medicina Familiar e Comunitária não é competir para atrair profissionais, mas garantir que toda a população tenha acesso a um atendimento de saúde próximo, contínuo e de qualidade, independentemente de onde resida, uma tarefa especialmente importante em zonas rurais, áreas despovoadas ou de difícil cobertura, onde a Atenção Primária desempenha um papel essencial para garantir a equidade do sistema de saúde.
Na sua opinião, “essa situação influencia diretamente tanto o ritmo de escolha quanto a percepção que os futuros especialistas têm da Medicina de Família. São escolhidas primeiro as especialidades que oferecem menor carga de atendimento ou melhor conciliação”, explica.
Da mesma forma, a SEMERGEN considera necessário continuar reforçando a presença e o conhecimento da Medicina de Família durante a fase universitária, aproximando os estudantes da realidade e do potencial de uma especialidade “integral, próxima e profundamente humana”, mas que atualmente também convive com tensões importantes decorrentes da sobrecarga assistencial, do esgotamento profissional e das dificuldades de conciliação.
Por isso, a organização ressalta que o verdadeiro desafio não termina com o preenchimento das vagas de MIR, mas em conseguir que os futuros especialistas queiram desenvolver e consolidar sua carreira profissional na Atenção Primária em condições adequadas, com estabilidade, reconhecimento e possibilidades reais de desenvolvimento profissional, docente e de pesquisa.
A SEMERGEN considera imprescindível continuar a promover medidas que reforcem a capacidade de resposta da Atenção Primária, melhorem as condições de trabalho dos médicos de família e valorizem uma especialidade essencial para a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde.
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