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MADRI, 4 nov. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Medicina Laboratorial (SEMEDLAB) apresentou nesta quarta-feira um manifesto no qual defende que a Genética Clínica e a Reprodução Assistida são áreas consolidadas dentro da especialidade de Laboratório Clínico, diante do anúncio do Ministério da Saúde sobre a criação de uma nova especialidade em Genética Laboratorial.
A SEMEDLAB sustenta que ambas as áreas fazem parte, há décadas, da prática assistencial, do portfólio de serviços e da formação dos especialistas em Laboratório Clínico, Análises Clínicas e Bioquímica Clínica. Por isso, considera que não é necessária uma nova especialidade.
“Consideramos que a duplicação de funções não trará benefícios ao paciente”, destacou a presidente da SEMEDLAB, Pastora Rodríguez, que insistiu que os pacientes com doenças genéticas já recebem assistência médica por meio dos serviços existentes, razão pela qual considera desnecessária a criação de uma nova especialidade.
A sociedade científica destaca que os avanços em genética, genômica e análise avançada de dados estão transformando o diagnóstico e o tratamento de inúmeras doenças. No entanto, considera que esse desenvolvimento não implica o surgimento de novas competências alheias ao Laboratório Clínico, mas sim a evolução das ferramentas e tecnologias diagnósticas, como ocorre em todas as especialidades.
“Os avanços na genética estão provocando uma evolução da especialidade, mas isso não significa que seja preciso criar uma nova especialidade, e sim incorporar novas ferramentas, como ocorre em outras especialidades”, destacou a membro do Conselho Diretor da SEMEDLAB, Nerea Bastida, que acrescentou que “é necessário fortalecer a especialidade que já existe”.
Nesse sentido, a SEMEDLAB lembra que a nova especialidade de Laboratório Clínico, resultante da integração de Análises Clínicas e Bioquímica Clínica, dispõe de um programa de formação atualizado, projetado para responder aos mais recentes avanços científicos e tecnológicos.
“É NECESSÁRIO O APOIO DA FORMAÇÃO EM SAÚDE ESPECIALIZADA”
No manifesto, a entidade destaca que toda atividade assistencial com implicações clínicas deve ser respaldada pela Formação em Saúde Especializada (FSE). Assim, afirma que esse é o único sistema que garante o acesso com base na igualdade, no mérito e na capacidade, além de assegurar um programa de formação regulamentado, avaliado e estabelecido pelo Ministério.
Segundo a SEMEDLAB, a interpretação, a validação e a assinatura de resultados com impacto diagnóstico, prognóstico e/ou terapêutico constituem atos de assistência médica que implicam responsabilidade clínica e, portanto, devem ser realizados por profissionais com formação regulamentada, homogênea e especializada.
Nesse sentido, a sociedade também manifestou sua preocupação com a via transitória de acesso à nova especialidade. Conforme aponta, embora o procedimento transitório possa permitir a homologação ou convalidação da especialidade para esses profissionais, eles não realizaram a formação de quatro anos.
A sociedade explica que se trata principalmente de profissionais provenientes de cursos como Biologia, Biotecnologia, Farmácia e Bioquímica que ingressaram no Sistema Nacional de Saúde por vias diferentes da Formação em Saúde Especializada.
“Não sabemos qual é a formação desses profissionais. Um biólogo pode solicitar o acesso após concluir uma tese de doutorado, mas não sabemos qual formação específica eles receberam nem qual é o seu nível de preparação”, declarou Rodríguez.
O PAPEL DO LABORATÓRIO CLÍNICO NA REPRODUÇÃO ASSISTIDA
O manifesto também destaca que a Reprodução Assistida constitui uma área de atuação consolidada dentro da especialidade de Laboratório Clínico. Atividades como o manejo de gametas, a fertilização in vitro, o cultivo e acompanhamento embrionário, a biópsia embrionária e a criopreservação fazem parte de processos assistenciais complexos que exigem conhecimentos especializados e acarretam uma importante responsabilidade clínica.
A SEMEDLAB lembra que essas competências fazem parte da formação dos especialistas em Laboratório Clínico há mais de duas décadas e que esses profissionais já desenvolvem e dirigem essa atividade em inúmeros centros do Sistema Nacional de Saúde.
“A especialidade de Laboratório Clínico é, além disso, a única especialidade no âmbito da Formação em Saúde Especializada que incorpora especificamente essa capacitação em seu programa de formação”, destacam os representantes da sociedade.
Por tudo isso, a SEMEDLAB se oferece como interlocutora do Ministério da Saúde para evitar a fragmentação de competências e garantir a assistência e a segurança dos pacientes.
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