Publicado 02/02/2026 12:55

A SEMDOR defende que a dor oncológica seja considerada uma prioridade: “Ela condiciona a qualidade de vida”.

Archivo - Arquivo - Quimioterapia
FATCAMERA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 2 fev. (EUROPA PRESS) - A Sociedade Espanhola Multidisciplinar da Dor (SEMDOR) reivindicou que a dor oncológica seja considerada uma prioridade clínica e assistencial, sublinhando que não se trata de um sintoma secundário ou inevitável em pacientes com câncer.

“A dor condiciona os tratamentos, o descanso, a mobilidade, o estado de espírito e, em definitiva, a qualidade de vida”, indicou a Sociedade no âmbito do Dia Mundial contra o Câncer, comemorado nesta quarta-feira, 4 de fevereiro.

Assim, a SEMDOR destaca que as evidências científicas mais recentes confirmam que a dor continua sendo um problema de grande magnitude ao longo de todo o processo oncológico. Uma revisão sistemática e meta-análise atualizada em 2022 estima uma prevalência global de dor de 44,5% em pessoas com câncer e de dor moderada a grave de 30,6%, ou seja, um em cada três pacientes.

A Sociedade alerta ainda para uma forma de dor especialmente incapacitante e frequentemente subdiagnosticada: a dor oncológica irruptiva, caracterizada por episódios de dor intensa que surgem repentinamente sobre uma dor basal aparentemente controlada. Estudos recentes situam sua prevalência agrupada em torno de 59% em pacientes com câncer. A isso se somam as sequelas dolorosas de alguns tratamentos oncológicos, como a neuropatia periférica induzida pela quimioterapia, que afeta uma porcentagem relevante de pacientes e pode se tornar crônica se não for identificada e tratada precocemente.

Num contexto em que o cancro continua a ser um desafio global — com cerca de 20 milhões de novos casos e 9,7 milhões de mortes em 2022, de acordo com as últimas estimativas globais comparáveis da IARC/GLOBOCAN —, a SEMDOR lembra que aliviar a dor não é apenas uma questão de conforto, mas um indicador de qualidade, equidade e humanização dos cuidados oncológicos.

“Se aceitarmos que a dor intensa é normal no câncer, estamos perdendo oportunidades terapêuticas todos os dias. Existe dor inevitável, sim, mas também existe muita dor que pode ser prevenida, detectada mais cedo e melhor tratada. É por isso que defendemos uma política clara de tolerância zero à dor evitável”, afirmou o presidente da SEMDOR, Luis Miguel Torres. A campanha internacional do Dia Mundial contra o Câncer 2025-2027, sob o lema “United by Unique”, reforça a necessidade de um atendimento centrado na pessoa e adaptado a cada situação individual. A SEMDOR sublinha que esta abordagem deve necessariamente incluir o tratamento da dor, uma vez que cada dor também é única: não se trata da mesma forma uma dor óssea por metástase, uma neuralgia pós-cirúrgica, uma dor neuropática ou uma dor irruptiva. PROPOSTAS PARA REDUZIR O SOFRIMENTO EVITÁVEL

Com esse objetivo, a SEMDOR propõe às administrações de saúde e gestores um pacote de medidas prioritárias para melhorar o controle da dor oncológica e os resultados em saúde. Assim, defende uma avaliação sistemática da dor em Oncologia e Atenção Primária, ou seja, incorporar sua medição estruturada em cada consulta e registrar os resultados para ajustar o plano terapêutico de forma dinâmica.

Além disso, propõe estabelecer circuitos rápidos de encaminhamento e coordenação multidisciplinar; o tratamento específico da dor neuropática e da dor irruptiva, e a formação e comunicação clínica para reduzir medos e barreiras. “O objetivo não é medicalizar mais, mas tratar melhor: combinar opções farmacológicas e não farmacológicas, antecipar as crises de dor e coordenar equipes. Uma dor bem controlada permite comer, dormir, movimentar-se, aderir aos tratamentos e viver com mais dignidade”, concluiu Torres.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado