VALLADOLID 18 fev. (EUROPA PRESS) -
A Universidade de Valladolid (UVa) descobriu seis desenhos originais de Santiago Ramón y Cajal (1852-1934) que estavam há décadas no Museu Anatômico sem que se soubesse quem era o autor, “joias científicas e artísticas” que representam estruturas microscópicas do sistema nervoso de animais e que agora estão guardadas no Arquivo Geral da instituição acadêmica.
Os desenhos foram descobertos pelo professor de Anatomia da Faculdade de Medicina e diretor da coleção de osteologia do Museu Anatômico, Francisco Pastor, que há muito suspeitava da autoria das ilustrações que observava no referido museu e que não estavam assinadas, até que há um ano decidiu analisá-las.
Começou então a comparar os desenhos com outros já verificados como obra do considerado pai da neurociência e Prêmio Nobel de Medicina em 1906. Nesse processo, ele confirmou que tanto os desenhos quanto as anotações neles eram obra do médico. “Não havia mais dúvidas”, afirmou Pastor, que, como explicou, decidiu então levar os desenhos ao Arquivo Geral da UVa, cuja diretora, Ángeles Moreno, também verificou que as ilustrações eram de Ramón y Cajal, que não costumava assinar seus desenhos.
Especificamente, os desenhos representam estruturas microscópicas do sistema nervoso de animais, a glândula submaxilar de um gato, uma placa motora, uma glândula gástrica de gato, um pâncreas de ouriço e um par de neurônios. Trata-se de preparações histológicas que Ramón y Cajal desenhava à mão para incluí-las nos livros que publicava.
Assim, esses desenhos estão incluídos na primeira edição de um livro de Ramón y Cajal publicado em 1885, Elementos de histologia normal y de técnica micrográfica, obra destinada a estudantes sobre os fundamentos da estrutura celular, tecidos e técnicas microscópicas da época.
Pastor explicou que chegou a este livro inicial após investigar um exemplar da nona edição do mesmo livro, datado de 1928 e cuja autoria também contou com a participação de Tello y Muñoz, uma obra da qual a UVa possui dois exemplares.
Sobre como esses desenhos chegaram ao Museu Anatômico da Universidade, o diretor da coleção de osteologia precisou que as peças, emolduradas na época em conjunto, foram cedidas pelo professor de Anatomia Patológica César Aguirre (1926-2015) em 1990 ao professor de Anatomia Enrique Barbosa (1939-2019) e este, por sua vez, confiou-as na mesma década de 90 a Pastor, como responsável pelo espaço académico.
Anteriormente, César Aguirre realizou sua tese de doutorado sob a orientação de um discípulo de Ramón y Cajal, Fernando de Castro (1896-1967), pelo que se “supõe” que este tenha presenteado seu pupilo com os desenhos do “mestre”, observou Pastor. Aguirre mudou-se de Madri para Paris e, posteriormente, para Cádiz e Sevilha com a cátedra de Histologia e Embriologia Geral e Anatomia Patológica, que finalmente ocupou desde 1972 na UVa.
A instituição acadêmica de Valladolid não informou essa descoberta ao Instituto Cajal, que possui um “enorme patrimônio” de desenhos do médico, e considera que não é necessário que este compare a autoria dos desenhos porque “não há nenhuma dúvida” a respeito. Da mesma forma, não fez uma estimativa do valor monetário das peças, propriedade da Universidade, embora considere que estas “aumentam o patrimônio” da instituição acadêmica.
A UVA, “NA LINHA DE FRENTE” A diretora do Arquivo Universitário, que agora guarda as obras, já digitalizadas, destacou que essa descoberta também “valoriza” o Departamento de Anatomia Patológica da UVa e seus estudos, que desde o final do século XIX e início do século XX são “pioneiros”.
“Isso coloca a UVa na linha de frente da renovação dos estudos de Medicina no século XX. Isso é muito mais valioso do que o valor material que os desenhos possam ter”, acrescentou, para enfatizar que a instituição trabalha para “preservar” seu passado para “projetá-lo para o futuro”, um caminho no qual aposta na divulgação dessas peças que poderão ser estudadas e emprestadas para exposições.
Por sua vez, a secretária-geral da UVa, Helena Villarejo, que se referiu aos desenhos como “joias científicas e artísticas”, comemorou a preservação dos mesmos e o fato de agora estarem à disposição da sociedade como “memória viva” da instituição, que servirá para “conectar com o passado” e “inspirar o futuro”.
Os desenhos estão agora conservados em contentores feitos à medida no Arquivo Universitário e estão acessíveis em https://archivo.uva.es/opac/. Além disso, no local que ocupam no Museu Anatômico serão colocadas reproduções dos mesmos.
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