MADRID 30 jan. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (SEIMC) exigiu nesta sexta-feira, no Congresso dos Deputados, a criação da especialidade de doenças infecciosas na Espanha, a fim de melhorar o tratamento de infecções complexas e enfrentar o avanço da resistência aos antibióticos, que pode se tornar a principal causa de morte no mundo até 2050.
“O problema da resistência aos antibióticos afeta a todos nós e corremos o risco de sermos afetados ainda mais (...) Na Espanha, para cada pessoa que morre em um acidente de trânsito, 20 morrem por consequências de infecções por bactérias multirresistentes”, destacou o presidente da SEIMC, Javier Membrillo, na conferência “Estamos preparados para uma era pós-antibiótica?”.
Em sua intervenção, Membrillo defendeu o trabalho multidisciplinar entre a indústria, as administrações públicas, os profissionais de todas as especialidades e as sociedades científicas, unidos sob uma perspectiva “One Health”, para dar uma resposta eficaz à resistência antimicrobiana.
Neste “quebra-cabeças”, lamentou que, em 2026, a Espanha continue sendo “o único país europeu” sem especialidade em doenças infecciosas e destacou seus benefícios. “Mais de uma dezena de ensaios clínicos demonstram que a mortalidade dos pacientes nesses cenários de infecções complexas diminui se forem atendidos por um especialista com formação homologável em doenças infecciosas”, comentou. A SEIMC vem reivindicando há vários anos essa especialidade, que pede que se materialize em uma formação de médico interno residente (MIR). O Comitê Técnico, coordenado pela Direção Geral de Ordenação Profissional (DGOP) do Ministério da Saúde, emitiu no início do ano um parecer favorável sobre sua criação. A EUROPA DEFENDE A ESPECIALIDADE
O presidente da secção de Doenças Infecciosas da União Europeia de Médicos Especialistas, Jean-Paul Stahl, defendeu a necessidade de criar em Espanha a especialidade em doenças infecciosas para melhorar a assistência aos pacientes. “Vocês precisam disso, é absolutamente necessário devido ao contexto global. A resistência aos antibióticos é um problema muito grave. Há surtos inesperados, como podemos lidar com eles? Acredito que os especialistas em doenças infecciosas estão mais bem preparados para isso”, enfatizou.
Stahl explicou que os especialistas em doenças infecciosas permitem um melhor diagnóstico, uma melhor interpretação microbiológica, tratamentos mais eficientes e prescritos com maior rapidez, conhecimento dos surtos para uma melhor abordagem e gestão, uso adequado de antibióticos para travar a resistência e colaboração multidisciplinar com outros profissionais.
“Vocês são o único país da Europa sem uma especialidade reconhecida (...) Espero sinceramente que tenham sucesso (na criação), espero mesmo. Sei que é muito difícil (...) mas vocês têm que ter sucesso. É uma questão de benefício para a população”, concluiu Jean-Paul Stahl. RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS
O encontro teve como eixo a luta contra a resistência aos antibióticos e a partilha de estratégias para avançar nesse sentido. A vice-presidente da SEIMC, Patricia Ruiz, apelou a outros especialistas, à indústria farmacêutica, aos pacientes e, acima de tudo, às instituições e aos decisores políticos, responsáveis pelo desenvolvimento de regulamentações a partir das quais se possa agir.
Além disso, agradeceu o trabalho de muitos profissionais para dar visibilidade ao problema da resistência e valorizou o trabalho da Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS) com a criação do Plano Nacional contra a Resistência aos Antibióticos (PRAN), que classificou como um “ponto de inflexão”.
A diretora da AEMPS, María Jesús Lamas, destacou que uma das chaves para abordar a resistência aos antibióticos é a sua visibilidade. “É verdade que é necessário sair do âmbito exclusivamente profissional, porque são necessárias ações coordenadas sob muitos pontos de vista”, observou.
Lamas afirmou que, a cada ano, são registradas cerca de 35.000 mortes por infecções hospitalares causadas por bactérias resistentes na Europa e cerca de 5.000 na Espanha. Enquanto isso, o impacto econômico é estimado em 1,5 bilhão de euros em gastos extras com saúde na Europa a cada ano, dos quais 150 correspondem à Espanha.
Perante esta situação, salientou que existem iniciativas e outras estão a ser desenvolvidas para abordar esta problemática. “A luta contra a resistência aos antibióticos não é apenas um desafio científico e sanitário, é também um desafio regulatório e económico, e neste ponto a Europa está a dar passos cada vez mais decisivos”, indicou.
No contexto nacional, destacou que a Espanha trabalha há mais de uma década de forma estruturada e coordenada dentro do PRAN. Segundo explicou, isso permitiu que, desde 2014, o uso de antibióticos diminuísse 13,5% na saúde humana e 69,5% na saúde animal. “Esses dados, pelo menos, mostram que políticas bem elaboradas funcionam. Talvez não sejam suficientes, mas funcionam”, referiu. Ainda assim, insistiu que continua a ser necessário agir combinando investigação, uso responsável de antimicrobianos, vigilância e inovação, acompanhados de políticas públicas. “A resistência aos antibióticos não é um problema do futuro, é um desafio urgente do presente, mas ainda estamos a tempo. Os dados são contundentes, assim como as ferramentas para agir”, afirmou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático