Publicado 29/04/2026 10:30

A SEFC destaca que a falta de diversidade étnica nos ensaios clínicos resulta em "menor eficácia" dos medicamentos em certas pessoas

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MADRID 29 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Sociedade Espanhola de Farmacologia Clínica (SEFC), o Dr. Pedro Zapater, alertou que a falta de diversidade étnica nos ensaios clínicos resulta em uma “menor eficácia” dos medicamentos em determinadas pessoas, o que também pode afetar sua segurança.

“Alguns medicamentos utilizados no tratamento da hipertensão arterial, como os inibidores da enzima conversora da angiotensina (ECA), demonstraram menor eficácia em pessoas de ascendência africana do que em pacientes de origem europeia”, indicou ele, já que, “historicamente, muitos medicamentos foram testados em populações de ascendência europeia, o que gera uma lacuna de conhecimento sobre sua segurança e eficácia em outras comunidades”.

Assim, por ocasião da comemoração, na quinta-feira, 7 de maio, do Dia Mundial da Medicação Inteligente, cujo lema é 'Influência da raça, etnia e situação socioeconômica na farmacologia clínica' e que foi promovido pela União Internacional de Farmacologia Básica e Clínica (IUPHAR, na sigla em inglês), esta sociedade científica nacional indicou que a farmacologia clínica leva em conta múltiplas variáveis.

Entre elas, destacou-se a idade, o sexo, o peso corporal, a função renal e hepática, a presença de outras doenças, a toma simultânea de diferentes medicamentos e os hábitos de vida. Além disso, acrescentou a elas a pertença a uma etnia e a situação socioeconômica, defendendo, portanto, a compreensão de como os fatores genéticos, sociais e econômicos podem condicionar tanto a resposta biológica aos tratamentos quanto o acesso, a adesão terapêutica e, em última instância, os resultados em saúde.

“Como a Farmacologia Clínica nos demonstrou por meio de suas pesquisas, existem diferenças importantes entre etnias na resposta biológica a certos medicamentos, em consequência de variações genéticas que modificam a forma como o corpo metaboliza e elimina os medicamentos ou a forma como certos tecidos respondem a esses medicamentos”, continuou Zapater.

EVITAR O DESENVOLVIMENTO DE EFEITOS ADVERSOS GRAVES

Em sua opinião, “o conhecimento dessas diferenças é determinante para melhorar a eficácia dos tratamentos e para evitar o desenvolvimento de efeitos adversos graves nessas populações”, contexto no qual a SEFC lembrou que a situação socioeconômica dos pacientes também é um fator “crítico” para se alcançar uma terapia eficaz, pois determina a adesão ao tratamento.

“Sabe-se que os grupos vulneráveis, por não poderem arcar com o custo dos medicamentos e, em muitos casos, não terem acesso a informações claras e/ou a um acompanhamento clínico regular, apresentam altas taxas de não adesão ao tratamento e, consequentemente, apresentam resultados de saúde muito piores”, destacou seu principal representante, que insistiu que “tratar um paciente com um medicamento que não foi suficientemente estudado em pessoas com perfil semelhante pode resultar em menor eficácia terapêutica, subtratamento ou maior risco de efeitos adversos e interações”.

Por tudo isso, a SEFC exigiu “mudanças relevantes no desenho dos ensaios clínicos”, como ampliar a pesquisa dos grandes hospitais universitários para centros comunitários e de proximidade onde residem populações tradicionalmente sub-representadas. Por sua vez, é necessário dotar os estudos de recursos que permitam superar barreiras reais à participação.

Além disso, solicitou que as agências reguladoras europeia (EMA) e norte-americana (FDA) reforcem a exigência de dados provenientes de populações diversas nos processos de aprovação de novos medicamentos, “especialmente quando essas comunidades também sofrem da doença a ser tratada”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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