MADRID 21 abr. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Endocrinologia e Nutrição (SEEN) alertou que mais de 2.000 substâncias podem alterar o sistema hormonal, por isso é “crucial” reduzir a exposição a desreguladores endócrinos. Para isso, recomenda evitar embalagens de plástico e substituí-las por vidro ou aço inoxidável, bem como melhorar a qualidade do ar interno dos cômodos da casa.
“O ar dentro e fora de casa pode conter desreguladores endócrinos, por isso é fundamental aspirar, tirar o pó e arejar regularmente os cômodos para reduzir a presença de partículas de poeira”, afirma o Dr. Nicolás Olea, coordenador do Grupo de Endocrinologia e Meio Ambiente da SEEN (GEMASEEN).
Além disso, o especialista aconselha a escolha adequada de produtos de higiene pessoal e cosméticos, já que alguns podem alterar os sistemas hormonais. Para isso, o especialista considera essencial verificar os ingredientes e evitar cosméticos que contenham substâncias químicas com efeito disruptor do sistema endócrino, como ftalatos, parabenos e triclosan.
E, com o objetivo de prevenir deficiências hormonais evitáveis, ele lembra que é aconselhável a ingestão de alimentos com vitamina D, cálcio e ricos em iodo. No âmbito da alimentação, o Dr. Olea, em consonância com as recomendações da Sociedade Europeia de Endocrinologia (ESE) para manter uma boa saúde hormonal, destaca que “até 40% dos alimentos consumidos pelos espanhóis contêm um ou mais pesticidas”.
Assim, o especialista ressalta que “o segredo não está apenas em saber escolher os alimentos que compõem a dieta, mas também na proveniência, pois é essencial saber onde e como foram cultivados, criados ou capturados”. O especialista recomenda evitar produtos embalados e comprar a granel, optar por produtos frescos, como frutas e verduras, em vez de ultraprocessados e, no caso do peixe, escolher peixes da estação, de pesca artesanal e de menor tamanho para evitar a exposição ao mercúrio (Hg) e outros contaminantes persistentes.
Por ocasião do Dia Mundial das Hormonas, comemorado neste dia 24 de abril, a SEEN alertou sobre a importância do sistema endócrino para a saúde e a necessidade de melhorar o conhecimento da população sobre seu papel no metabolismo, no crescimento, na fertilidade e no bem-estar geral. Nesse sentido, lembra que, “apesar de muitas doenças comuns terem uma base hormonal”, a população desconhece a importante função que os hormônios desempenham no metabolismo.
Para favorecer o diagnóstico precoce e a avaliação clínica adequada, aconselha-se consultar um especialista caso se apresentem alguns sintomas, como alterações inexplicáveis de peso, fadiga persistente, alterações no ciclo menstrual, problemas de crescimento ou dificuldades de fertilidade.
DISRUPTORES ENDOCRINOS E GRAVIDEZ
No caso das mulheres grávidas, o coordenador da GEMASEEN lembra a “estreita relação” entre a exposição das mulheres grávidas aos disruptores endócrinos e a transmissão para a prole. “Elas podem estar expostas a alguns disruptores endócrinos persistentes que se acumulam em seu organismo (bioacumulação) antes da gravidez e da amamentação, tornando-se transmissoras desses compostos para a prole”, afirma.
A suscetibilidade do indivíduo em desenvolvimento (embrião, feto, lactante) à ação hormonal inoportuna ou desregulada evidencia a importância da prevenção em relação à exposição materno-infantil aos desreguladores endócrinos. Nesse sentido, a SEEN adere às recomendações das sociedades clínicas sobre os benefícios da amamentação em relação a qualquer outro tipo de alimentação, mas reivindica maior atenção social para a proteção da mulher fértil contra a exposição ambiental, alimentar ou ocupacional a desreguladores endócrinos.
Por fim, os especialistas alertam para o perigo da desinformação nas redes sociais, uma vez que as hormonas são um tema que desperta grande interesse, embora nem sempre seja respaldado por informações rigorosas. “Fala-se muito sobre desequilíbrios hormonais de forma simplificada, o que pode gerar confusão e favorecer o uso de tratamentos ou suplementos sem evidência científica”, aponta Olea. Por isso, a sociedade científica insiste na necessidade de melhorar a educação em saúde nessa área e promover uma visão integral da saúde hormonal ao longo da vida.
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