MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) - O membro do Grupo de Estigma e Desigualdade da Sociedade Espanhola de Endocrinologia e Nutrição (SEEN), o Dr. Javier Salvador, destacou a previsão “muito real” e “extraordinariamente impressionante” de que a prevalência de pessoas com obesidade na Espanha cresça de 18% para 37% em 2035, o que pode ficar “abaixo da realidade”.
“Todas as previsões, ao longo dos anos”, acabaram ficando aquém, pelo que existe “probabilidade de que a taxa seja superior”, afirmou Salvador por ocasião da realização, em Madri, do seminário de formação para jornalistas “As palavras também pesam: melhorando a abordagem da obesidade”.
Assim, durante este encontro, organizado por esta sociedade científica, juntamente com a Associação Nacional de Pessoas que Vivem com Obesidade (ANPO) e o Fórum Espanhol de Pacientes (FEP), e que contou com o aval da Associação Nacional de Informadores de Saúde (ANIS), este especialista, que se referiu a dados fornecidos em 2023 pela Federação Mundial de Obesidade, salientou que a obesidade é “uma doença crônica e extraordinariamente prevalente”.
“Não tem cura”, mas “pode ser controlada”, continuou Salvador, que acrescentou que existem “mais de 200 complicações descritas” associadas a ela, sendo uma delas “a estigmatização”. “O estigma continua a crescer”, afirmou, após o que destacou que “há pessoas que têm preconceitos ao considerar o que é verdadeiro ou não”, apesar de as evidências científicas indicarem que é “absolutamente falso” que se trate de um problema “de atitude”. OS PACIENTES SOFREM “DISCRIMINAÇÃO E MARGINALIZAÇÃO”
Conforme divulgado por este representante da SEEN, a obesidade “é muito complexa” e “tem suas causas e fisiopatologia”, bem como “suas diretrizes de tratamento”. No entanto, na sociedade está presente “a discriminação e a marginalização”, visíveis em âmbitos como o laboral, familiar, escolar e sanitário.
“É muito multifatorial”, continuou Salvador, que destacou o “fator genético”, que é “muito relevante”, bem como o “determinante ambiental”. Existe um “ambiente obesogênico”, sublinhou, afirmando, neste contexto, a importância dos meios de comunicação, que, entre outros aspetos, devem ter cuidado com o uso de imagens e linguagem.
Na mesma linha, o presidente da FEP, Andoni Lorenzo, afirmou que essa estigmatização influencia até mesmo “o acesso à assistência médica”, já que muitos dos pacientes “convive com a doença e a culpa”. Esta situação “agrava a doença”, afirmou, indicando que é necessário deixar de utilizar termos como “epidemia”. “O maior problema não é apenas o peso, é sentir-se sozinho e, por vezes, não tratado com dignidade”, insistiu Lorenzo, que apresentou dados como o de que “quase metade da população tem excesso de peso”. Além disso, ele garantiu que, “desde 1987, a prevalência da obesidade duplicou na Espanha”, doença que é mais elevada em segmentos da população com “menor nível educacional” e “menor nível de renda”.
Junto com isso, o máximo representante da POP explicou que “cerca de 40% das crianças têm excesso de peso” e “cerca de 15% são obesas”. Tudo isso decorre do fato de que “80% consomem alimentos pouco saudáveis”, argumentou.
EM ANDAMENTO UM DOCUMENTO SOBRE LINGUAGEM RESPEITOSA Diante dessa conjuntura, e devido ao fato de que 88% das pessoas com obesidade sofrem estigma e a linguagem é fundamental para erradicá-lo, a SEEN está elaborando um documento sobre linguagem respeitosa para se referir a esses cidadãos e pacientes com outras doenças próprias da especialidade. Além disso, publicará em breve a segunda edição do guia “Abordagem da obesidade no adulto”, no qual colaborou o novo Grupo Desigualdade e Estigma.
“Muitas vezes, usamos palavras sem intenção de causar dano, mas podemos estar criando um efeito muito diferente”, explicou, nesse sentido, a presidente da ANIS, Graziella Almendral, que acrescentou que os jornalistas precisam se atualizar porque o estigma “tem consequências diretas sobre a obesidade”. Por isso, ela destacou a importância de “uma linguagem com rigor, precisão e respeito”.
“É preciso criticar o estigma porque é uma injustiça insuportável”, afirmou, mais uma vez, Salvador, que considera necessário que os pacientes “não tenham barreiras para aplicar as medidas terapêuticas adequadas”. Isso “leva ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas”, lamenta.
Por tudo isso, este representante da SEEN, que pediu “políticas de saúde” eficazes neste domínio, incentivou o tratamento desta patologia, o que “é uma oportunidade fantástica para melhorar a qualidade de vida mundial”. “Há muitos casos de pessoas que controlam a doença e vivem com uma qualidade de vida magnífica”, concluiu.
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