Marcos Moreno - Europa Press
MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Epidemiologia (SEE) destacou que crises como a humanitária que vem ocorrendo nestas semanas na Cidade Autônoma de Ceuta revelam a exposição de mulheres e meninas migrantes à violência sexual e de gênero.
“As dificuldades para detectar, avaliar a magnitude e atender a essas situações” foram destacadas em um comunicado de seu Grupo de Trabalho sobre Gênero, Diversidade Afetivo-Sexual e Saúde, que analisa a situação sob a perspectiva de gênero e saúde pública. Na opinião da SEE, esse tipo de violência “não pode ser considerado um fato isolado ou um efeito colateral da crise, mas sim um determinante estrutural da saúde”.
Nesse contexto, informou que “durante as primeiras semanas da crise foram documentados casos de violência sexual que afetam fundamentalmente meninas e adolescentes”. Além disso, destacou a “escassa visibilidade da violência que as mulheres migrantes adultas podem estar sofrendo”, apesar de o Ministério da Igualdade ter alertado sobre o risco extremo de agressões e tráfico ao qual estão expostas as migrantes que permanecem nas ruas.
“As evidências científicas descrevem uma violência contínua que pode acompanhar as mulheres migrantes durante todo o processo migratório: desde o país de origem e a travessia até o local de destino”, continuou ela, acrescentando que, nesse período, “elas podem estar expostas a diferentes formas de violência provenientes de diversos agressores e contextos, como a exploração laboral ou sexual, a violência de parceiro ou as agressões durante a própria viagem ou após chegarem ao destino”.
SÃO NECESSÁRIAS VAGAS DE ACOLHIMENTO
Além disso, ela indicou que “a isso se somam fatores que podem reduzir consideravelmente a capacidade de pedir ajuda ou denunciar”, entre os quais destacou “a falta de documentação, o medo de uma possível expulsão, a dependência administrativa de terceiros, o isolamento ou a dependência econômica”. “Em situações como a que Ceuta está enfrentando, a falta de vagas em centros de acolhimento acrescenta um novo fator de vulnerabilidade”, acrescentou.
Por tudo isso, essa sociedade científica destacou a importância de garantir ambientes seguros para mulheres e meninas, acesso imediato e equitativo aos serviços de atendimento, apoio social, sistemas adequados de identificação e encaminhamento, e serviços adaptados linguisticamente e culturalmente, além de contar com profissionais da saúde e da segurança sensibilizados.
Além disso, é importante dispor de “dados públicos desagregados por sexo e idade sobre questões como a morbidade, atendimento ginecológico ou obstétrico de emergência ou saúde mental”, continuou ela, para sustentar que “sem essas informações, torna-se mais difícil identificar as necessidades específicas de mulheres e meninas e dimensionar adequadamente os recursos”.
Por fim, a SEE solicitou “incorporar de forma sistemática a perspectiva de gênero e migratória na cobertura jornalística, fornecer dados desagregados quando estiverem disponíveis e dar visibilidade às experiências e necessidades das mulheres afetadas”.
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