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MADRID 14 jul. (EUROPA PRESS) -
O Grupo de Trabalho de Epidemiologia Ambiental da Sociedade Espanhola de Epidemiologia (SEE) divulgou um documento de posicionamento no qual alerta que “as ondas de calor já são uma emergência de saúde pública que exige medidas que vão além da responsabilidade individual”.
“As ondas de calor deixaram de ser episódios excepcionais do verão para se tornarem uma ameaça crescente à saúde pública”, destacou, ao mesmo tempo em que lembrou que o calor extremo “não apenas provoca insolação, mas também aumenta as mortes prematuras, agrava doenças cardiovasculares, respiratórias, renais e metabólicas, aumenta as internações hospitalares nos dias seguintes aos picos de temperatura e exerce pressão sobre os serviços de saúde já sobrecarregados durante o período de verão”.
Após destacar que, nos próximos dias, podem ser registradas temperaturas acima de 44 graus, essa sociedade científica enfatizou que a resposta a essa situação não pode se basear apenas em recomendações individuais. “As medidas de autocuidado são essenciais, mas não são suficientes”, afirmou, acrescentando que as ondas de calor exigem “planejamento, proteção social, adaptação urbana e redução de emissões”.
Nesse sentido, ela indicou que a ferramenta ‘MACE’ (Mortalidade Atribuível ao Calor no Verão na Espanha) estimou 1.267 mortes atribuíveis ao calor extremo em junho e 411 no período de julho até o momento, sem contabilizar as mortes associadas ao calor moderado. Na Europa, uma análise da rede científica “World Weather Attribution” em 854 cidades concluiu que a onda de calor vivida nessas semanas teria sido praticamente impossível sem as mudanças climáticas.
Por isso, a rede insistiu que o impacto do calor sobre o organismo ocorre quando os mecanismos naturais de regulação térmica falham. O corpo tenta se resfriar por meio da transpiração e do aumento do fluxo sanguíneo para a pele, mas esse sistema pode ser sobrecarregado quando a temperatura é muito elevada, a exposição se prolonga, há muita umidade, a pessoa está desidratada ou apresenta condições que dificultam a termorregulação — fenômeno conhecido como estresse térmico, que pode desencadear consequências graves para a saúde.
PESSOAS MAIS VULNERÁVEIS
Além disso, ele alertou que o risco não existe apenas durante o dia, pois “as noites tórridas fazem com que o corpo não tenha margem para se recuperar, piorando a qualidade do sono e gerando um estresse acumulativo”. A isso soma-se o fato de que idosos, bebês, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis.
“Pessoas com transtornos mentais também podem ser especialmente afetadas, devido às suas maiores dificuldades para se adaptar às altas temperaturas”, vulnerabilidade à qual se soma “a desigualdade socioambiental”, continuou a SEE, em seguida, explicou que “quem trabalha ao ar livre, mora em residências mal isoladas, não dispõe de ar-condicionado ou reside em bairros com pouca vegetação sofre de forma mais intensa os efeitos do calor”.
No entanto, e uma vez destacada a importância de beber água continuamente, evitar bebidas alcoólicas e açucaradas, priorizar refeições leves com alto teor de água, manter as persianas fechadas durante as horas de radiação direta, arejar à noite e de madrugada e evitar a atividade física nas horas de maior calor, ela pediu “políticas públicas ambiciosas”.
“A prevenção real passa por agir sobre as condições que aumentam a exposição ao calor”, insistiu, ao propor “reforçar os sistemas de alerta precoce, habilitar abrigos climáticos em espaços públicos climatizados, como bibliotecas ou centros cívicos, adaptar os horários de trabalho e proibir determinadas tarefas ao ar livre durante as horas de maior risco térmico em períodos de alerta”.
Por fim, ele afirmou que “a adaptação urbana é outro dos eixos fundamentais”. “As cidades densamente urbanizadas são especialmente vulneráveis ao chamado efeito ‘ilha de calor’”, assegurou, ao mesmo tempo em que especificou que “o asfalto, o cimento e os prédios absorvem a radiação solar durante o dia e liberam lentamente esse calor à noite, elevando a temperatura urbana em relação às áreas rurais próximas”.
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