LUISMMOLINA/ ISTOCK - Arquivo
Propõe um roteiro para otimizar o modelo organizacional e agilizar a administração
MADRID, 23 set. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Gestores da Saúde (SEDISA) apresentou nesta quarta-feira o “Consenso sobre o modelo organizacional do processo de terapias CAR-T”, no qual são identificadas uma série de ineficiências que prolongam o processo de administração ao paciente para mais de 45 dias na prática, o que representa um acréscimo de, no mínimo, sete dias em relação à duração estimada no modelo de referência.
O documento, desenvolvido em colaboração com a Gilead, é resultado do trabalho de um grupo multidisciplinar de 12 profissionais que elaboraram um diagrama do percurso do paciente candidato à terapia CAR-T, desde sua identificação até o primeiro mês após a infusão. O resultado, apresentado em mapas de processo, foi validado por seis hospitais de referência em nível nacional.
O consenso estrutura o circuito de referência, de acordo com o processo ordinário, em seis grandes etapas. Especificamente, ele começa com a identificação do paciente e a avaliação diagnóstica até a aprovação pelo Comitê CAR-T do hospital — etapa para a qual se estima um prazo de sete dias — e prossegue com a validação externa pelos comitês regionais e nacionais (6 dias).
Em seguida, realiza-se a preparação e a coordenação logística da aférese (1 a 3 dias); a fabricação do produto CAR-T (19 dias); preparação clínica e coordenação interna até a infusão (1 a 5 dias); e monitoramento pós-infusão e detecção precoce de toxicidades (1 mês).
A duração total do processo é estimada em 38 dias. No entanto, o consenso identifica uma série de ineficiências em cada fase, juntamente com a falta de coordenação global do circuito, o que pode levar a um aumento desse tempo para mais de 45 dias, o que afeta o acesso do paciente à terapia.
BARREIRAS IDENTIFICADAS
Quanto às barreiras identificadas, elas se concentram em três âmbitos: administrativo, operacional clínico e de coordenação e sistema. No que diz respeito ao primeiro, destaca-se a variabilidade nas aprovações regionais e nacionais, bem como o excesso de relatórios e registros duplicados entre plataformas e órgãos administrativos que atrasam o processo.
No âmbito clínico-operacional, destaca-se a falta de disponibilidade de recursos essenciais, a complexidade da aférese e funções profissionais nem sempre bem definidas, já que, no âmbito da coordenação e do sistema, alerta para a existência de múltiplas plataformas não interoperáveis, dificuldades de coordenação com as empresas farmacêuticas e falta de rastreabilidade e visibilidade do paciente ao longo do circuito.
A análise realizada demonstra que, sem alterar o circuito de atendimento, é possível reduzir de seis para três dias o tempo de validação pelos comitês regionais e nacionais, e de cinco para um dia o tempo entre a entrega do produto CAR-T e a infusão.
RECOMENDAÇÕES PARA OTIMIZAR O CIRCUITO
Nesse contexto, o documento propõe um roteiro com seis recomendações organizacionais para que os centros designados para a administração de terapias CAR-T otimizem o circuito e, com isso, agilizem a chegada do tratamento ao paciente.
Em primeiro lugar, insta a facilitar a coordenação entre os níveis de atendimento quando o paciente provém de um centro de referência; definir um hematologista responsável pelo processo que atue como referência clínica durante todo o fluxo; e estabelecer uma figura de coordenação do fluxo, função para a qual sugere a enfermeira gestora de casos.
Além disso, apela à padronização do fluxo organizacional com sequências claras de tarefas e responsabilidades; ao planejamento antecipado dos marcos logísticos críticos, como a programação da aférese, a solicitação do produto ou a disponibilidade de leitos; e ao monitoramento sistemático dos tempos do processo por meio de indicadores compartilhados.
Paralelamente, propõe que os centros disponham de ferramentas de autodiagnóstico organizacional que lhes permitam comparar-se com o modelo de referência e identificar áreas de melhoria.
A SEDISA destacou que o documento foi concebido como um marco teórico dinâmico e aperfeiçoável, que busca se tornar a base de um futuro sistema de acreditação objetivo e escalável para os circuitos CAR-T.
REDUZIR AS DIFERENÇAS ENTRE AS COMUNIDADES AUTÔNOMAS
A chefe da Divisão da Unidade de Terapias Avançadas da Secretaria de Saúde da Comunidade de Madri, Laura Quintanilla Cuesta, instou o Ministério da Saúde a flexibilizar os critérios estabelecidos para a designação de centros, a fim de reduzir as diferenças entre as comunidades autônomas e para que “os pacientes possam receber tratamento sem precisar se deslocar mais do que 200 a 300 quilômetros em alguns casos”.
Sobre o papel da coordenação entre os níveis autônomo e nacional, Quintanilla Cuesta ressaltou que “isso é prioritário para que não haja atrasos nos prazos, para o bem do paciente”.
Por sua vez, a chefe do Serviço de Farmácia do Hospital Universitário Ramón y Cajal, Ana Álvarez Díaz, destacou que, no âmbito da farmácia hospitalar, o desafio é “dispor de circuitos perfeitamente projetados, padronizados e com responsáveis designados” que permitam iniciar o pedido sem demora e acompanhar todas as etapas em um “cenário logístico” distinto e mais complexo do que o de outros medicamentos.
Da SEDISA, seu presidente, José Soto Bonel, destacou o trabalho dos gestores da saúde, que classificou como “determinante” para que “nenhum paciente elegível tenha seu acesso a essas terapias comprometido por motivos organizacionais evitáveis”. Nesse sentido, ele destacou que “a inovação terapêutica só se traduz em benefício real para o paciente quando há, por trás, uma gestão profissionalizada capaz de organizar, coordenar e sustentar o circuito de atendimento”.
Da mesma forma, o diretor da unidade de negócios da Kite, Marc Obrador, destacou que “é essencial que as equipes responsáveis pelo tratamento disponham dos recursos, da capacitação e das ferramentas de coordenação necessárias” para garantir que cada paciente possa ter acesso ao tratamento em tempo hábil e evitar atrasos organizacionais.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático