Publicado 07/04/2026 11:17

A SECPAL defende uma lei nacional sobre cuidados paliativos, mas se recusa a apresentá-la como uma oposição à eutanásia

Alarma que o acesso aos cuidados paliativos não é equitativo, apesar de ser um "direito reconhecido"

Archivo - Arquivo - Cuidados Paliativos.
LPETTET/ISTOCK - Arquivo

MADRID, 7 abr. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Cuidados Paliativos (SECPAL) reivindicou a aprovação de uma lei nacional de cuidados paliativos que ajude a “regular e garantir” o acesso universal a esse “direito reconhecido”, mas considerou “errôneo e inadequado” apresentar essa regulamentação como uma “alternativa oposta” à lei da eutanásia.

Foi o que assinalou a sociedade científica em um comunicado na sequência do debate gerado pelas declarações do presidente do Partido Popular, Alberto Nuñez Feijóo, que anunciou em uma entrevista à Servimedia sua intenção de “propor e aprovar”, caso chegue ao governo, uma lei estadual de cuidados paliativos. “Portanto, a opção de morrer não pode ser a regra, tem de ser a exceção entre todas as exceções”, destacou.

A SECPAL rejeitou essa abordagem da necessidade de uma lei de cuidados paliativos “como contraposição” à eutanásia. “Da SECPAL, insistimos em várias ocasiões que não é apropriado situar os cuidados paliativos e a eutanásia no mesmo plano conceitual, nem apresentá-los como um dilema em que ambas as opções são comparáveis, contrárias ou mutuamente exclusivas”, explicou.

Nesse ponto, a sociedade precisou que “sempre” defendeu que garantir previamente o acesso universal aos cuidados paliativos para atender às necessidades da maioria da população teria sido o “adequado e oportuno”, mas que apresentá-los como “alternativa oposta” à eutanásia “gera confusão e pode aumentar a desproteção dos pacientes e de suas famílias”.

Em seguida, a SECPAL afirmou que “nunca haverá o livre direito de decidir nem se dignificará o processo de morrer” enquanto não for garantido o acompanhamento integral e de qualidade para todas as pessoas no fim de suas vidas. “Os cuidados paliativos são um direito reconhecido, mas não uma realidade para todos os cidadãos que precisam deles em nosso país”, alertou.

ACESSO DESIGUAL

A sociedade científica afirmou que “muitas vezes” os cuidados paliativos “chegam tarde” e criticou o fato de que, em muitos casos, eles nem chegam, uma vez que sua integração no sistema de saúde “não é completa” e existem desigualdades entre as comunidades autônomas, e até mesmo dentro de um mesmo território. De fato, referiu que menos da metade das pessoas que necessitam de cuidados paliativos específicos os recebem.

Tendo em conta que a maioria da população morrerá em consequência de doenças progressivas e incuráveis, instou ao desenvolvimento adequado dos cuidados paliativos por meio de uma lei nacional que ajude a uniformizar sua implementação.

Conforme detalhou, atualmente, existem apenas leis regionais, aprovadas na Andaluzia, Aragão, Navarra, Canárias, Baleares, Galícia, País Basco, Comunidade de Madrid, Astúrias, Comunidade Valenciana, Cantábria e La Rioja, bem como uma Estratégia Nacional de Cuidados Paliativos, que classificou como insuficiente para garantir um acesso equitativo.

A SECPAL destacou que a promulgação de uma lei nacional é uma “reivindicação histórica” da sociedade científica que foi levada a todos os partidos políticos, mas que, até o momento, não conseguiu se concretizar. Ainda assim, mostrou-se convencida de que todas as forças políticas compreendem a importância de garantir os cuidados paliativos e, embora possam existir diferenças entre elas quanto às fórmulas para implementá-los, existe “uma base comum” sobre a qual construir acordos.

Dessa forma, ela insistiu que é “fundamental” avançar em direção a um amplo consenso que “transcenda posições partidárias” e permita estabelecer “padrões mínimos compartilhados” que garantam a equidade no acesso, a qualidade da assistência e a dignidade das pessoas que enfrentam doenças em estágio avançado ou o fim da vida.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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