Publicado 26/09/2025 09:10

SEC denuncia que muitas vítimas de violência de gênero nunca superam os danos psicológicos

Archivo - Arquivo - Mulher cobrindo os olhos
GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / SVETAZI - Arquivo

MADRID 26 set. (EUROPA PRESS) -

O porta-voz da Sociedade Espanhola de Contracepção (SEC), Abel Renuncio, advertiu nesta sexta-feira que as mulheres vítimas de violência de gênero não só sofrem danos físicos, mas também consequências psicológicas, como depressão e ansiedade, que em muitos casos "nunca conseguem superar".

"Além disso, podem sofrer outros problemas de saúde, como dor pélvica crônica e uma maior frequência de doenças psicossomáticas", disse Renuncio durante a apresentação de um documento sobre as consequências da violência de gênero na saúde sexual e reprodutiva, como parte do Dia Mundial da Contracepção.

Sobre esse ponto, Renuncio lembrou que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência de gênero tem consequências "múltiplas e muito graves" para a saúde da mulher, que "podem ser imediatas, de médio prazo, crônicas e até fatais".

Ela ainda ressaltou que essas consequências também afetam a saúde dos filhos das vítimas, com impacto físico e psicológico. "Eles podem apresentar problemas emocionais, de aprendizado e de socialização, e o ciclo de violência pode ser perpetuado", acrescentou.

A especialista também disse que as crianças podem adotar um comportamento submisso ou violento com seus colegas. "A violência transgeracional também pode ocorrer, com uma alta tolerância a situações violentas", disse ele.

"Além dessas importantes consequências para a saúde da mulher, não podemos esquecer os custos sociais e econômicos da violência de gênero em nível global", disse.

De acordo com o especialista, em todo o mundo, o custo econômico total chega a pelo menos 5% do produto interno bruto. "De acordo com o Instituto Europeu para a Igualdade de Gênero (EIGE), a violência de gênero custa à UE cerca de 366 bilhões de euros por ano", disse.

JUSTIÇA REPRODUTIVA

A Sociedade Espanhola de Contracepção também apresentou um manifesto no âmbito do Dia Mundial da Contracepção, no qual foram discutidas as consequências da violência de gênero sobre a saúde sexual e reprodutiva das mulheres.

Justiça reprodutiva é saúde, dignidade e poder de decisão" é o título desse manifesto, elaborado pela SEC e pela FEC (Fundação Espanhola de Contracepção). No documento, eles destacam sua determinação em promover, por meio do treinamento e da participação de profissionais ligados à saúde sexual e reprodutiva, respostas que favoreçam a justiça reprodutiva na Espanha.

"A justiça reprodutiva busca eliminar as desigualdades e barreiras que possam impedir as pessoas de exercerem esses direitos, promovendo uma sociedade mais equitativa e respeitosa das decisões individuais", disse o presidente da SEC, José Cruz.

Dessa forma, o manifesto aponta que a justiça reprodutiva está intimamente relacionada a outros direitos fundamentais, pois faz parte de um conjunto de direitos humanos que buscam garantir a dignidade, a igualdade e a liberdade dos indivíduos.

"Assim, o direito à saúde implica o acesso a serviços adequados, gratuitos e seguros para a escolha de técnicas de reprodução assistida, gravidez, parto e puerpério ou interrupção voluntária da gravidez", afirmou o presidente da SEC.

Ele também destacou o direito à educação, à informação e à educação sexual, que considera essencial para a tomada de decisões informadas em todas as fases da vida, bem como para o estabelecimento de um plano reprodutivo. Por fim, o manifesto enfatiza que o direito à privacidade protege a confidencialidade e a liberdade de escolha.

"Devemos entender a justiça reprodutiva a partir de uma perspectiva interseccional para promovê-la de forma mais inclusiva e equitativa", enfatizou Quílez.

APÓIA A PROPOSTA DE SAÚDE DE TORNAR OS PRESERVATIVOS GRATUITOS

Por outro lado, o presidente da SEC avaliou positivamente a intenção do Ministério da Saúde de tornar os preservativos gratuitos para jovens entre 15 e 22 anos de idade antes do final de 2025.

"É uma proposta que está enquadrada, sobretudo, no controle dessas infecções sexualmente transmissíveis que estamos vendo cada vez mais, que estão se tornando mais prevalentes. Acreditamos que precisamos tomar medidas concretas e urgentes para alcançar o controle", disse Cruz.

Sobre esse ponto, ele acrescentou que as infecções sexualmente transmissíveis são uma "epidemia silenciosa", que pode ter "repercussões muito importantes" na vida das mulheres jovens. "Devemos buscar uma solução como sociedade e o método de barreira, associado a outro método anticoncepcional, é a única solução real e eficaz", destacou.

Renuncio destacou que essa é uma medida econômica para o sistema: "Prevenir todas as complicações que as doenças sexualmente transmissíveis geram é muito mais econômico para o sistema de saúde do que permitir que elas continuem a se espalhar", enfatizou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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