LIUDMILA CHERNETSKA/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 26 jun. (EUROPA PRESS) -
A Sociedade Espanhola de Alergologia e Imunologia Clínica (SEAIC) destacou que os casos de anafilaxia na Espanha continuam aumentando, ao mesmo tempo em que adverte que esse tipo de reação continua sendo "subdiagnosticado e mal gerenciado" no sistema de saúde, apesar dos avanços no conhecimento da doença.
"Muitos pacientes em risco continuam sem diagnóstico, sem um plano de prevenção e sem acesso a tratamentos que salvam vidas", alertou a presidente do Comitê de Anafilaxia da SEAIC, Victoria Cardona, por ocasião da Semana Mundial da Alergia.
De acordo com os estudos disponíveis, a incidência anual de anafilaxia na Espanha está entre 3,2 e 30 casos por 100.000 habitantes, com uma prevalência ao longo da vida de até 2% da população. O aumento é explicado pelo crescimento das alergias alimentares em crianças - a principal causa nessa faixa etária - e pelo aumento do uso de medicamentos em adultos, que é o gatilho mais frequente em idosos.
Além disso, as picadas de insetos são a terceira causa mais comum de anafilaxia. Nesse contexto, a Sociedade destaca que a recente aprovação da adrenalina intranasal pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) é um importante avanço, juntamente com as pesquisas em andamento sobre outras vias de administração, como a sublingual ou dispositivos sem agulha.
No entanto, a SEAIC enfatiza que o autoinjetor de adrenalina intramuscular continua sendo o padrão de tratamento e que dois dispositivos devem estar sempre acessíveis a todos os pacientes em risco.
"O preço, o medo de agulhas e a falta de treinamento em seu uso continuam a limitar a disponibilidade da adrenalina. Além disso, em muitos casos, os médicos que atendem a reação inicial não prescrevem o tratamento adequado, que é adiado até a intervenção do alergista", disse Cardona.
O PAPEL DO ALERGISTA E AS CHAVES PARA MELHORAR A ABORDAGEM
De acordo com a Sociedade, o alergista é o principal especialista no tratamento da anafilaxia em todos os casos. "É o alergista que deve identificar o gatilho - muitas vezes complexo -, avaliar a possível reatividade cruzada e elaborar um plano de ação e prevenção personalizado", ressalta.
Além disso, ele diz que desempenha um papel essencial na educação do paciente e de seu ambiente, para que estejam preparados para uma nova reação. No entanto, de acordo com a SEAIC, ainda há uma falta significativa de treinamento. "Muitos profissionais não estão preparados para reconhecer a anafilaxia em seus estágios iniciais ou para prescrever corretamente o tratamento", diz Cardona.
A SEAIC enfatiza a necessidade de reforçar o treinamento de médicos de família e pediatras; de incluir a alergologia como disciplina obrigatória nos estudos de medicina e como uma rotação no treinamento de residência; e de facilitar o acesso a autoinjetores de adrenalina, que devem ser considerados como medicamentos com uma contribuição reduzida, como outros tratamentos essenciais para doenças crônicas.
"É importante entender que, embora a anafilaxia se manifeste como uma reação aguda, o risco é crônico, comparável ao que acontece na epilepsia", lembra Cardona.
Além disso, a SEAIC considera essencial melhorar a informação ao público: "O problema é que a anafilaxia continua sendo abordada na mídia de forma ad hoc e muitas vezes alarmista, quando é necessária uma abordagem educacional e contínua para ajudar a população a entender sua gravidade e como agir", enfatiza Cardona.
Como ferramenta de referência, a SEAIC promove o Guia Galaxia, desenvolvido em conjunto com sociedades científicas e associações de pacientes. Sua terceira versão, disponível no formato 'Web-App', permite o acesso atualizado de qualquer dispositivo conectado à Internet.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático