EJÉRCITO DE COLOMBIA - Arquivo
MADRID, 17 mar. (EUROPA PRESS) -
A ONG Save the Children denunciou nesta terça-feira que o número de crianças que fogem da violência na Colômbia atingiu seu nível mais alto em dez anos, à medida que o conflito armado no país latino-americano se intensifica, e alertou para as possíveis consequências desses deslocamentos, que devem continuar ao longo deste ano.
Em 2025, pelo menos 215 crianças, em média, foram obrigadas a abandonar suas casas diariamente na Colômbia devido à intensificação do conflito, de acordo com um comunicado da organização, que se baseia em dados oficiais revelando que cerca de 78.000 crianças foram obrigadas a se deslocar no ano passado, quase 30% a mais do que em 2024.
Esse número é o mais alto desde que os acordos de paz foram assinados em 2016. “O deslocamento expõe as crianças ao risco de sofrerem abusos, separação familiar, abandono escolar ou recrutamento por grupos armados não estatais”, alertou a ONG.
“A situação na Colômbia se deteriorou ainda mais em 2026, já que os violentos confrontos entre grupos armados e gangues criminosas provocaram a morte, o deslocamento e o confinamento de crianças e suas famílias em suas casas. Essa tática, empregada pelos grupos armados, visa isolar comunidades inteiras de escolas, atendimento médico e mercados, facilitando assim o recrutamento infantil”, denunciou.
EFEITOS DAS ENCHENTES
A Save the Children afirmou que a crise humanitária foi agravada pelas graves enchentes que atingiram a Colômbia no início deste ano, afetando pelo menos 330.000 pessoas e deslocando mais de 11.000.
“A Colômbia conta agora com uma das maiores populações de deslocados internos do mundo, com mais de 7 milhões de pessoas, o que representa 13% da população. Aproximadamente um quarto dos deslocados são crianças, muitas das quais foram obrigadas a se deslocar em mais de uma ocasião”, alertou.
“Nos últimos anos, temos testemunhado deslocamentos na Colômbia em níveis sem precedentes. Embora a atenção mundial possa não estar voltada para a Colômbia, a crescente emergência humanitária continua a perturbar a vida de crianças e suas famílias diariamente. Milhares de famílias são obrigadas a tomar a dolorosa decisão de abandonar tudo o que conhecem, já que permanecer no país é muito arriscado devido à violência, à presença de grupos armados e ao medo real de que seus filhos e filhas sejam recrutados por esses grupos”, lamentou a diretora da ONG na Colômbia, María Mercedes Liévano.
Além disso, ela afirmou que, para muitos dos menores, o deslocamento “não é um fato isolado”. “Muitos se encontram deslocados repetidamente, já que suas famílias precisam fugir constantemente em busca de segurança e diante das ameaças contínuas”, acrescentou.
É por isso que ela fez um apelo aos doadores internacionais para que financiem a resposta humanitária na Colômbia, “que continua gravemente subfinanciada”. No ano passado, foram recebidos apenas 28% da ajuda humanitária solicitada pela ONU para seus parceiros na Colômbia.
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