Alberto Ortega - Europa Press
MADRID 25 jun. (EUROPA PRESS) -
O Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho e Economia Social apresentaram nesta quarta-feira um documento que reconhece como o trabalho influencia a saúde mental dos cidadãos e que propõe, entre outras coisas, incluir as condições de trabalho dos pacientes em seus registros médicos.
"O relatório propõe algo tão básico como perguntar sobre as condições de trabalho nas consultas e que parte dos nossos prontuários médicos leve em conta as condições de trabalho e as condições de trabalho", disse a ministra da Saúde, Mónica García, durante a apresentação do documento 'Roteiro para as administrações de saúde na Espanha'.
O documento, que contou com a participação de acadêmicos e professores de medicina, sociologia, filosofia e direito do trabalho, reconhece o trabalho como um determinante social da saúde e propõe medidas específicas para lidar com os danos que podem surgir dessa relação.
García disse que atualmente "parte da anamnese está sendo perdida" para descobrir a situação real dos pacientes. Por esse motivo, ele explicou que o documento propõe o treinamento de equipes de saúde para identificar riscos psicossociais, bem como a criação de um sistema de vigilância epidemiológica para codificar adequadamente as suspeitas de origem ocupacional.
"O compromisso é coordenar a saúde pública, a saúde ocupacional e a atenção primária em uma única rede, de modo que não sejam compartimentos estanques, mas que possamos criar uma rede de atendimento dentro de todos esses elementos e alianças com outros ministérios", disse García.
Dessa forma, o relatório reconhece que o trabalho tem influência sobre a saúde mental: "Nem todos os empregos. Um trabalho em boas condições traz significado, autoestima, comunidade e tem o efeito oposto, tem o efeito de alavancar e cuidar de nossa saúde mental. No entanto, um trabalho sem direitos, sem descanso, sem reconhecimento é um fator de risco para a nossa saúde e é um fator de risco para a saúde mental", disse García.
Sobre esse ponto, a Ministra da Saúde lembrou que, de acordo com o relatório PRESME, 170.000 casos de depressão poderiam ter sido evitados até 2022. Ela também apontou que em 2024 houve 643.000 faltas ao trabalho por motivos de saúde mental. "Isso representa 72% a mais do que em 2020. Não estamos falando de um mal-estar difuso, estamos falando de diagnósticos, estamos falando de licenças médicas e estamos falando de sofrimento específico", disse García, que acrescentou que a maioria dos casos de licença médica está entre mulheres entre 36 e 50 anos de idade.
CUSTO ECONÔMICO DE 1,5 PONTO DO PIB
Durante seu discurso, a Segunda Vice-Presidente do Governo e Ministra do Emprego e Economia Social, Yolanda Díaz, informou que o custo econômico das patologias de saúde mental na Espanha é de 1,5 ponto do Produto Interno Bruto (PIB).
"Isso nunca é discutido. Não se fala de eficiência econômica, ou seja, da distorção econômica de não ter pessoas que trabalham sob cuidados, da economia e do investimento social que resultaria de não sofrer no local de trabalho. É verdade que essa pandemia não ocorre apenas na Espanha, é um dos principais problemas da Europa, onde a média é de 1,2 pontos do PIB", disse Díaz.
O segundo vice-presidente, que defendeu a redução da jornada de trabalho para melhorar a saúde mental dos cidadãos, argumentou que "na maioria das vezes, o trabalho se torna um lugar de sofrimento".
"Não apenas porque passamos um terço de nossa jornada de trabalho lá, mas também porque temos de garantir sociedades nas quais possamos viver melhor, trabalhar menos e viver com certa dignidade, e para isso precisamos de tempo para viver", disse Díaz.
Ela argumentou ainda que "esta é a primeira vez que o governo aponta que as condições de trabalho e a precariedade têm um impacto direto e indireto na saúde mental dos seres humanos na Espanha".
UM PRIMEIRO PASSO EM DIREÇÃO A PROPOSTAS REGULATÓRIAS
Por sua vez, a Comissária de Saúde Mental, Belén González, indicou que o documento apresenta uma "base sólida" de evidências científicas sobre a relação entre riscos psicossociais e transtornos mentais.
"Esses dados não podem ser ignorados, não são percepções subjetivas, são evidências científicas. São evidências acumuladas que exigem uma resposta. Uma das principais contribuições desse documento é a criação de ferramentas clínicas e epidemiológicas para detectar, descrever e relatar problemas de saúde mental relacionados ao trabalho", disse ele.
González ressaltou que até agora essas ferramentas não existiam de forma integrada no sistema de saúde. "Entre elas está a comunicação de suspeitas, um instrumento que permite que o que é observado nas consultas chegue às administrações de saúde. Algoritmos clínicos, descrições padronizadas e propostas para melhorar os registros de saúde também estão sendo desenvolvidos", disse ele.
Sobre esse ponto, o comissário lamentou que, no momento, não saibamos o quanto as licenças médicas são causadas no local de trabalho. "Também sabemos, por exemplo, que a licença médica de longo prazo devido a problemas de saúde mental aumentou em quase 400% desde 2018. Mas o que não sabemos é quantas dessas ausências se devem a problemas que se originam no próprio local de trabalho, porque precisamente não estamos conseguindo detectar isso a partir das consultas porque não temos as ferramentas adequadas para fazê-lo", disse ela.
"Esse roteiro não é um ponto final, mas um ponto de partida. Desenvolveremos conteúdo de treinamento, iniciaremos propostas regulatórias e estabeleceremos mecanismos de coordenação com agentes sociais, trabalhistas e políticos", concluiu a comissária.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático