MADRID, 11 jul. (EUROPA PRESS) -
O Secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, destacou a importância de fortalecer o compromisso público para promover a presença de mulheres em cargos de liderança e espaços de tomada de decisão, durante a apresentação da iniciativa #EnSaludNoSinMujeres (#SaúdeNãoSemMulheres).
Essa iniciativa foi lançada nesta sexta-feira, na sede do Ministério da Saúde, pela Federação das Associações Científicas e Médicas da Espanha (FACME), Farmaindustria e Women in Pharma, com a colaboração do Ministério da Saúde, e tem como objetivo destacar as lacunas de gênero presentes no setor da saúde e promover uma maior participação das mulheres em espaços de tomada de decisão, comitês, congressos e fóruns científicos e empresariais.
Assim, Padilla destacou que "é essencial não apenas assumir uma posição de força e dizer que sim, o poder deve ser redistribuído, mas também mostrar que estamos falando de progresso em direção a uma sociedade melhor".
Essa abordagem está de acordo com o trabalho que está sendo realizado pelo observatório "WOMEDS", promovido pela FACME. De acordo com seus dados, embora cerca de 58% dos médicos do sistema público sejam mulheres, apenas 33% são chefes de serviço. A situação é a mesma nas sociedades científicas, onde as mulheres também representam 58% dos membros, mas apenas 33% das presidências.
COMPROMISSO DOS SIGNATÁRIOS
Durante o evento, foi divulgado um manifesto no qual as signatárias afirmaram que "chegou a hora de trabalhar" para aumentar a presença de mulheres especialistas em espaços públicos, de modo que a representação feminina em cargos de liderança esteja mais alinhada com o número de mulheres que trabalham no setor.
Além disso, o manifesto afirma que "a presença de mulheres em espaços de tomada de decisão não é apenas um direito, mas também uma garantia de que o setor de saúde reflete e aborda adequadamente sua realidade. Com essa iniciativa, pedimos a representação das mulheres nos espaços de tomada de decisão, com influência real nos processos decisórios. Acreditamos que o poder também implica responsabilidade, a fim de construir um setor e uma sociedade mais igualitários", afirma o comunicado.
"Demonstrar com dados que ainda existe desigualdade já não é suficiente, precisamos de ações concretas, e por isso é tão importante essa iniciativa que compromete proativamente os signatários", disse a coordenadora da WOMEDS e médica oncologista, Pilar Garrido.
A presidente da FACME, Cristina Avendaño Solá, por sua vez, destacou que "não devemos esperar que a mudança aconteça espontaneamente; há décadas a porcentagem de mulheres médicas na prática tem sido igual ou superior à dos homens, e a porcentagem em posições de liderança está estagnada em níveis mais baixos de representação".
Ela também enfatizou que a iniciativa "busca o compromisso de todos" e é uma "responsabilidade coletiva". Ela envolve sociedades científicas, autoridades de saúde e também o setor farmacêutico inovador. Ela convida todas as sociedades médicas científicas e organizações envolvidas em pesquisa e ensino médico a participar da iniciativa.
Nesse sentido, a iniciativa tem como objetivo que as diferentes áreas e organizações do setor de saúde se comprometam com a visibilidade das mulheres profissionais em todos os fóruns, comitês, congressos e eventos relacionados, e gerem dinâmicas que permitam fechar a lacuna de gênero existente em cargos de gerência.
Por outro lado, no campo acadêmico, persiste uma lacuna de gênero em cargos de liderança, apesar das melhorias nos últimos anos, disse a psiquiatra e membro da WOMEDS, Pilar López. Há apenas 35% de mulheres reitoras nas faculdades de medicina e, à medida que a carreira acadêmica avança, essa lacuna aumenta, com apenas 10% de professoras e 22% de professoras titulares ligadas a atividades de saúde, enquanto no cargo básico de professor associado a porcentagem de mulheres é de 47%.
A comissária do PERTE para a Vanguard Health, Raquel Yotti, também enfatizou que a Espanha está em um momento em que a necessidade de promover a diversidade nos ensaios clínicos está sendo eliminada e o fato de que deve haver planos de igualdade nas empresas está sendo questionado, ou mesmo aquelas empresas que têm planos de igualdade estão sendo estigmatizadas. "Fala-se de ideologia de gênero ou de ciência politizada, e é por isso que essa iniciativa é mais importante do que nunca, porque é importante dizer não e estabelecer linhas vermelhas que não cruzaremos", diz ela.
A presidente da Farmaindustria, Fina Lladós Canela, destacou que, no setor farmacêutico, eles estão convencidos de que a igualdade não é apenas um princípio ético essencial, mas também um "motor de progresso, melhoria e sustentabilidade" para suas organizações. Nesse sentido, eles acreditam que a #EnSaludNoSinMujeres é uma ferramenta "ideal" para ajudá-los a "influenciar, inspirar e transformar" a sociedade.
OBJETIVOS PERSEGUIDOS POR #HEALTHNOTWITHOUTWOMEN
A iniciativa promove a liderança, a participação, a presença e a visibilidade das mulheres na alta administração em todas as áreas da saúde. Também visa a promover políticas públicas que incentivem a participação e a liderança das mulheres, especialmente treinamento e informações sobre igualdade e inclusão em todos os locais de trabalho do setor.
Também se concentra na presença de mulheres em grupos técnicos e científicos, fóruns, conferências, congressos ou qualquer outro espaço na esfera pública do setor de saúde, para que as mulheres estejam igualmente representadas nesses espaços que condicionam seu desenvolvimento profissional.
Outro dos objetivos é o compromisso das entidades do setor de saúde de garantir a presença de mulheres em painéis de especialistas ou profissionais que sejam estabelecidos para realizar atividades científicas, de pesquisa, organizacionais, de ensino ou de divulgação em saúde, com uma distribuição baseada no mérito e também mais equitativa em termos de gênero.
Também rejeita a participação de mais de dois palestrantes em eventos no setor de saúde sem pelo menos uma mulher especialista. Também solicita a inclusão de uma seção de gênero nos formulários de credenciamento de educação continuada do Sistema Nacional de Saúde (SNS) para aumentar o valor do projeto.
Por fim, considera importante a paridade de gênero em materiais como fotos, materiais promocionais e de divulgação que reflitam a realidade do setor, onde as mulheres são maioria.
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