Publicado 25/08/2026 07:18

O SATSE exige do governo mais profissionais de saúde e recursos após a criação do comando único

Membros da Cruz Vermelha distribuem comida aos imigrantes em uma praia, em 21 de agosto de 2026, em Ceuta (Espanha). Ceuta continua enfrentando uma grave crise humanitária após a histórica chegada em massa de mais de 70 mil migrantes, que atravessaram a n
Marcos Moreno - Europa Press

MADRID 25 ago. (EUROPA PRESS) -

O Sindicato dos Enfermeiros (SATSE) exigiu ao governo que a criação de um comando único e de um plano econômico para Ceuta inclua os recursos humanos e materiais necessários para pôr fim à situação de “extrema gravidade” que afeta enfermeiras, fisioterapeutas e o restante do pessoal de saúde da cidade autônoma após cerca de um mês de crise migratória.

O SATSE considera que a decisão de criar uma coordenação única é “positiva”, mas ressalta que “chega tarde” e deveria ter sido tomada “muito antes”. De qualquer forma, o sindicato ressalta a necessidade de, “com caráter de urgência”, aumentar o quadro de funcionários do Hospital Universitário de Ceuta e dos centros de saúde, além de melhorar as condições de trabalho para que se possa oferecer um atendimento de saúde adequado.

O Sindicato dos Enfermeiros afirma que, após algumas semanas marcadas por uma pressão assistencial “extrema” devido à crise migratória, a situação atual continua sendo de “alerta máximo”, diante da falta, até o momento, de soluções definitivas por parte do INGESA e do Ministério da Saúde.

A esse respeito, o SATSE ressalta que as “graves deficiências” de pessoal que colocaram o sistema de saúde “à beira do abismo” continuam sem solução, e aponta que o cenário futuro da assistência à saúde na cidade autônoma ainda é de “total incerteza”.

“ESFORÇO SOBRE-HUMANO”

O sindicato afirma que, durante julho e agosto, enfermeiras e fisioterapeutas tiveram que realizar um “esforço sobre-humano” diante de um volume “desorbitado”, que ultrapassou 500 atendimentos diários. Atualmente, está sendo registrado um volume de atendimentos de, pelo menos, o dobro do habitual e, além disso, a proporção enfermeira-paciente no hospital “disparou”, destaca o sindicato.

"Diante dessa realidade, e em vez de implementar reforços e novas contratações, a administração recorreu à imposição de jornadas de trabalho adicionais, tanto voluntárias quanto obrigatórias em alguns casos", explica.

Outro problema denunciado pelo sindicato e que ainda não foi resolvido é a falta de segurança nas visitas a domicílios particulares no âmbito da Atenção Primária, que aumentaram porque a população prefere ficar em casa e não ir ao hospital. Por isso, reitera a necessidade urgente de se designar pessoal de segurança, assim como foi feito no Hospital Universitário após a apresentação de uma reclamação formal por parte do SATSE.

AÇÕES

Além disso, o SATSE Ceuta destaca que realizou outras ações para amenizar as consequências, entre elas, uma denúncia à Inspeção do Trabalho sobre as condições de climatização do Hospital Universitário, bem como cartas à Administração, à Direção Territorial do INGESA em Ceuta e ao Serviço de Prevenção, solicitando uma avaliação integral e urgente dos riscos existentes no serviço de Emergência.

Lembra também que exigiu a ativação do Nível 2 do Plano de Catástrofes, em vez de se limitar apenas ao Nível 1, para mobilizar recursos extraordinários e reforçar o quadro de funcionários e os suprimentos, e solicitou a aplicação do Decreto Real 118/2023, declarando Ceuta como Zona de Cobertura Difícil. Da mesma forma, exige um reforço de enfermeiras para que possam administrar as vacinas que se prevê enviar para a cidade autônoma.

“Sem incentivos reais para fidelizar profissionais e contratos de longa duração que acabem com a precariedade no trabalho, não será possível preencher as vagas atualmente em aberto, e o sistema de saúde da cidade autônoma continuará fadado ao colapso diante de qualquer nova emergência, como a crise atual”, acrescenta.

SOBRECARREGADOS E EXAUSTOS

Assim como no Hospital, o sindicato ressalta que a situação das enfermeiras que trabalham nos centros de saúde também é “muito preocupante”, uma vez que se encontram “totalmente sobrecarregadas e exaustas”, por terem que realizar, obrigatoriamente, plantões extraordinários fora de seu horário normal de trabalho e, inclusive, fora de seu local de trabalho.

Por tudo isso, o SATSE reitera que a “ineficiência e ineficácia” demonstradas pelo Governo, até o momento, para resolver a crise que teve início em julho passado, não podem se prolongar “nem mais um único dia”, pois os riscos à saúde física, psicológica e emocional de todo o pessoal são cada vez maiores, e os problemas de saúde também aumentam e se agravam entre a população de Ceuta e a população migrante.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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