Marcos Moreno - Europa Press
MADRID 25 ago. (EUROPA PRESS) -
O Sindicato dos Enfermeiros (SATSE) exigiu ao governo que a criação de um comando único e de um plano econômico para Ceuta inclua os recursos humanos e materiais necessários para pôr fim à situação de “extrema gravidade” que afeta enfermeiras, fisioterapeutas e o restante do pessoal de saúde da cidade autônoma após cerca de um mês de crise migratória.
O SATSE considera que a decisão de criar uma coordenação única é “positiva”, mas ressalta que “chega tarde” e deveria ter sido tomada “muito antes”. De qualquer forma, o sindicato ressalta a necessidade de, “com caráter de urgência”, aumentar o quadro de funcionários do Hospital Universitário de Ceuta e dos centros de saúde, além de melhorar as condições de trabalho para que se possa oferecer um atendimento de saúde adequado.
O Sindicato dos Enfermeiros afirma que, após algumas semanas marcadas por uma pressão assistencial “extrema” devido à crise migratória, a situação atual continua sendo de “alerta máximo”, diante da falta, até o momento, de soluções definitivas por parte do INGESA e do Ministério da Saúde.
A esse respeito, o SATSE ressalta que as “graves deficiências” de pessoal que colocaram o sistema de saúde “à beira do abismo” continuam sem solução, e aponta que o cenário futuro da assistência à saúde na cidade autônoma ainda é de “total incerteza”.
“ESFORÇO SOBRE-HUMANO”
O sindicato afirma que, durante julho e agosto, enfermeiras e fisioterapeutas tiveram que realizar um “esforço sobre-humano” diante de um volume “desorbitado”, que ultrapassou 500 atendimentos diários. Atualmente, está sendo registrado um volume de atendimentos de, pelo menos, o dobro do habitual e, além disso, a proporção enfermeira-paciente no hospital “disparou”, destaca o sindicato.
"Diante dessa realidade, e em vez de implementar reforços e novas contratações, a administração recorreu à imposição de jornadas de trabalho adicionais, tanto voluntárias quanto obrigatórias em alguns casos", explica.
Outro problema denunciado pelo sindicato e que ainda não foi resolvido é a falta de segurança nas visitas a domicílios particulares no âmbito da Atenção Primária, que aumentaram porque a população prefere ficar em casa e não ir ao hospital. Por isso, reitera a necessidade urgente de se designar pessoal de segurança, assim como foi feito no Hospital Universitário após a apresentação de uma reclamação formal por parte do SATSE.
AÇÕES
Além disso, o SATSE Ceuta destaca que realizou outras ações para amenizar as consequências, entre elas, uma denúncia à Inspeção do Trabalho sobre as condições de climatização do Hospital Universitário, bem como cartas à Administração, à Direção Territorial do INGESA em Ceuta e ao Serviço de Prevenção, solicitando uma avaliação integral e urgente dos riscos existentes no serviço de Emergência.
Lembra também que exigiu a ativação do Nível 2 do Plano de Catástrofes, em vez de se limitar apenas ao Nível 1, para mobilizar recursos extraordinários e reforçar o quadro de funcionários e os suprimentos, e solicitou a aplicação do Decreto Real 118/2023, declarando Ceuta como Zona de Cobertura Difícil. Da mesma forma, exige um reforço de enfermeiras para que possam administrar as vacinas que se prevê enviar para a cidade autônoma.
“Sem incentivos reais para fidelizar profissionais e contratos de longa duração que acabem com a precariedade no trabalho, não será possível preencher as vagas atualmente em aberto, e o sistema de saúde da cidade autônoma continuará fadado ao colapso diante de qualquer nova emergência, como a crise atual”, acrescenta.
SOBRECARREGADOS E EXAUSTOS
Assim como no Hospital, o sindicato ressalta que a situação das enfermeiras que trabalham nos centros de saúde também é “muito preocupante”, uma vez que se encontram “totalmente sobrecarregadas e exaustas”, por terem que realizar, obrigatoriamente, plantões extraordinários fora de seu horário normal de trabalho e, inclusive, fora de seu local de trabalho.
Por tudo isso, o SATSE reitera que a “ineficiência e ineficácia” demonstradas pelo Governo, até o momento, para resolver a crise que teve início em julho passado, não podem se prolongar “nem mais um único dia”, pois os riscos à saúde física, psicológica e emocional de todo o pessoal são cada vez maiores, e os problemas de saúde também aumentam e se agravam entre a população de Ceuta e a população migrante.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático