MADRID 8 jun. (EUROPA PRESS) -
O Sindicato dos Enfermeiros, SATSE, denunciou que a falta de uma estratégia “conjunta e regulamentada” em nível nacional para acabar com a violência no setor da saúde fez com que, em várias comunidades autônomas, ainda não tenha sido criado um Observatório de agressões ao pessoal e que seu funcionamento, nas quais existe, tenha “mais sombras do que luzes”.
O SATSE ressalta que a luta contra as agressões ao pessoal de saúde continua sendo “desigual, insuficiente e irregular”, uma vez que não existe uma estratégia ou um marco regulatório conjunto que obrigue todos os serviços de saúde a agir com medidas homogêneas diante de um problema que está aumentando, conforme constata o último relatório elaborado pelo Ministério da Saúde.
Nesse contexto, o sindicato lembra que, no ano passado, foram registrados cerca de 1.500 casos a mais de agressões, o que representa um aumento de 8,74% em relação ao ano anterior.
O SATSE destaca que o Observatório não deve se limitar a analisar a realidade existente e avaliar o resultado das ações implementadas pela administração, mas deve promover medidas que incentivem as denúncias, propor procedimentos de atendimento integral às vítimas e impulsionar a elaboração de planos de prevenção.
Nos casos de Navarra, Extremadura, Ilhas Baleares, Comunidade Valenciana, Ilhas Canárias e Múrcia, esse Observatório de agressões ao pessoal de saúde não existe como tal, “e, nas demais comunidades autônomas, a avaliação geral é de que seu funcionamento está longe de ser o ideal e é manifestamente passível de melhorias”, apontam os representantes do sindicato.
O SATSE ressalta que dispor de estatísticas, poder comparar territórios e detectar tendências após a aplicação de medidas é o caminho para erradicar um problema sobre o qual é preciso continuar trabalhando para facilitar a denúncia por meio de novos canais de notificação e a identificação das barreiras à denúncia. “Com informações mais confiáveis, seria mais fácil implementar as mudanças organizacionais e de segurança, bem como o reforço em áreas especialmente conflictivas”, destaca o SATSE.
INFORMAÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO
O sindicato de Enfermagem afirma que a prática mais comum por parte das secretarias de Saúde é que, após a criação desse órgão, não sejam promovidas as reuniões e encontros necessários com todas as partes envolvidas (administrações, representantes das associações das diferentes categorias profissionais, organizações sindicais). Além disso, indica que a troca de informações e dados é escassa.
“Falta maior transparência e acessibilidade à informação, bem como mais ações de sensibilização, para que qualquer profissional de saúde conheça todos os recursos existentes e se sinta sempre apoiado e respaldado pelo seu respectivo serviço de saúde”, afirmam na organização sindical.
O SATSE destaca, ainda, que a ausência de observatórios em âmbito regional em todas as comunidades impossibilita a criação de um órgão semelhante em nível nacional que compile todos os dados disponíveis e realize uma análise geral da situação. Uma reclamação também feita de forma reiterada pelo Sindicato dos Enfermeiros.
"GUERRA POR CONTA PRÓPRIA"
Em suma, o SATSE entende que a inexistência ou o funcionamento deficiente dos observatórios de agressões demonstra que cada administração está travando "uma guerra por conta própria", com resultados díspares e discutíveis. Por isso, reitera a necessidade urgente de que todos os serviços de saúde ajam da mesma forma contra um problema persistente e cada vez mais preocupante, que afeta especialmente as enfermeiras.
"Nenhum profissional é responsável, de forma alguma, pelas deficiências e problemas que o o sistema de saúde e que costumam ser a causa da insatisfação e do mal-estar que levam, em algumas ocasiões, pacientes e familiares a protagonizar episódios de violência em hospitais, centros de saúde e outros ambientes de atendimento”, conclui.
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