Publicado 25/05/2026 06:39

A SATSE denuncia um corte “descontrolado e sem freios” nos investimentos na saúde, diante das crescentes ameaças à saúde

Archivo - Arquivo - Enfermeira em uma sala de cirurgia.
CAIAIMAGE/MARTIN BARRAUD/ISTOCK - Arquivo

MADRID 25 maio (EUROPA PRESS) -

O Sindicato dos Enfermeiros, SATSE, denunciou que o investimento público na saúde em relação ao PIB continua caindo “em declínio vertiginoso” na Espanha, enquanto surgem novas ameaças à saúde pública, como o hantavírus, e que a precariedade no trabalho se tornou crônica em todos os serviços de saúde.

Além disso, o sindicato destacou que, de acordo com os últimos dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, em seu relatório “Estatística de Gastos Públicos com Saúde”, o aumento do investimento público em decorrência da pandemia da COVID-19 foi uma “ilusão” que foi se dissipando nos anos seguintes.

Especificamente, os gastos públicos com saúde passaram de 7,4% do PIB em 2020 para 6,4% em 2024 (último ano disponível), uma queda de um ponto percentual. O sindicato lamentou, além disso, que os dados estatísticos oficiais sejam sempre publicados com atraso, um ou dois anos depois, já que “isso impossibilita uma análise da realidade atual”.

O SATSE vem denunciando há muitos anos que essa porcentagem está “muito atrás” da existente em outros países do mesmo espaço econômico, como a França, por exemplo, que chega a quase 10% (9,5%), ou de outros que, inclusive, a superam, como ocorre na Alemanha, que é de 10,1% do PIB.

Nesse sentido, a organização sindical destacou que a porcentagem espanhola é “insuficiente e inadequada” para sustentar um sistema de saúde que, como voltou a constatar a recente crise do hantavírus, está em “estado permanente de alerta” diante de riscos à saúde humana com consequências imprevisíveis e potencialmente muito complexas e prejudiciais.

Segundo o sindicato, a crise da COVID-19 comprometeu, em 2020, o conjunto das administrações públicas e dos partidos políticos a concretizar inúmeras medidas e ações contempladas no parecer da Comissão Parlamentar para a reconstrução econômica e social do nosso país.

PROFISSIONAIS SOBRECARREGADOS, PRECARIZADOS E DESMOTIVADOS

Mesmo assim, eles apontaram que, seis anos depois, “a única certeza” é que a economia cresceu, o custo de vida também, e que o sistema de saúde público “continua sobrevivendo graças ao trabalho de profissionais sobrecarregados, precarizados e desmotivados”.

A título de exemplo, o SATSE lembrou que um dos compromissos assumidos, e ainda não cumpridos, é a criação de uma Agência Estatal de Saúde Pública que possibilite uma maior coordenação entre as administrações em matéria de vigilância epidemiológica e preparação para crises e emergências sanitárias, além de reforçar a assessoria científica e técnica necessária nesse tipo de situação.

Diante dessa realidade, o sindicato exigiu um aumento “progressivo e constante do investimento público” que permita atingir, pelo menos, a porcentagem que outros países já destinam, e que se priorize a melhoria das condições de trabalho do pessoal de saúde, especialmente de enfermeiros e fisioterapeutas.

As últimas estatísticas fornecidas pelo Ministério da Saúde, com dados de 2024, também quantificam as desigualdades existentes entre as comunidades autônomas no que diz respeito à alocação de recursos públicos para seus respectivos serviços de saúde. A esse respeito, o SATSE criticou o fato de que pode ocorrer a circunstância de que residir em uma comunidade autônoma signifique “receber uma assistência médica pior do que se vivesse em outra”.

Por isso, o Sindicato destacou a necessidade de implementar um novo modelo de financiamento finalista que elimine as diferenças orçamentárias entre as comunidades autônomas.

“É preciso garantir a igualdade na assistência à saúde, independentemente do local de residência, bem como um quadro equilibrado, equitativo e justo de condições de trabalho em todas as comunidades autônomas”, acrescentaram representantes da organização sindical.

Por fim, o SATSE insistiu que os gestores públicos e os responsáveis políticos não podem se lembrar da saúde apenas quando ocorrem crises sanitárias ou se agravam problemas já arraigados, como o aumento das listas de espera ou situações de colapso nos centros de saúde, e concluiu que devem “apostar em políticas de médio e longo prazo que garantam um investimento em saúde adequado, responsável e coerente”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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