Rober Solsona - Europa Press - Arquivo
MADRID 25 abr. (EUROPA PRESS) -
O Sindicato dos Enfermeiros (SATSE) denunciou que os locais de trabalho dos enfermeiros concentram "numerosos riscos" e "ameaças" à sua saúde e segurança que "estão aumentando ao longo dos anos de suas carreiras profissionais".
Por ocasião do Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho 2025, que será celebrado em 28 de abril, o SATSE destaca que há mais de uma centena de riscos ocupacionais sofridos por esses profissionais de saúde, "muitos deles, não pontualmente, mas permanentemente ao longo do tempo".
Entre outros, o sindicato aponta que há riscos ambientais (radiações ionizantes e não ionizantes, vibrações, temperaturas extremas, ruídos); riscos ergonômicos (movimentação manual de cargas, ficar em pé, sentar, flexionar o tronco); riscos químicos (medicamentos perigosos, alergias a materiais); riscos biológicos (contágio por cortes, perfurações, rubéola, sarampo, varicela zoster, toxoplasmas) e riscos psicossociais (burnout, sobrecarga de trabalho e emocional, agressividade).
A organização também critica o fato de eles terem de trabalhar em turnos diurnos e noturnos, feriados e plantões, e terem contato diário com "doenças" e "a dor de outras pessoas" que, em alguns casos, morrem. Tudo isso tem muito a ver com o impacto emocional que os enfermeiros sofrem, "e isso cobra seu preço de um profissional cujo trabalho é atender e cuidar de outras pessoas que precisam", acrescenta.
Sobre esse ponto, ela adverte que o governo e os departamentos de saúde elaboram e aprovam regulamentos, protocolos e estratégias de ação que têm o mesmo "calcanhar de Aquiles", que é a "falta de implementação efetiva, eficiente e contínua ao longo do tempo". "A ação fica, em muitos casos, no papel e suas repercussões não chegam ao trabalhador", ressalta a SATSE.
O Sindicato dos Enfermeiros ressalta que essas difíceis condições de trabalho são o "dia a dia" do profissional durante os mais de 40 anos de serviço até atingir a idade de aposentadoria, que em alguns casos ultrapassa os 67 anos de idade. "Suas consequências, além disso, tornam-se mais visíveis e patentes nos últimos anos de sua carreira profissional", acrescenta.
APOSENTADORIA PRECOCE
Por esse motivo, a SATSE reitera a necessidade urgente de que o governo possibilite a aposentadoria antecipada voluntária para os enfermeiros. Isso é algo que a Lei Geral de Seguridade Social permite "ao regulamentar que a idade mínima exigida para se qualificar para uma pensão de aposentadoria pode ser reduzida para aquelas profissões que são árduas, tóxicas, perigosas ou insalubres, e que têm altas taxas de morbidade e mortalidade".
O sindicato enfatiza que a enfermagem atende a todos os requisitos legais para a aposentadoria antecipada, e foi isso que disse ao Ministério da Previdência Social no pedido baseado em evidências científicas que apresentou em 2021. "O governo está demonstrando, com sua inação, sua falta de vontade política para proteger um grupo profissional que trabalha em condições de alto risco físico, mental e psicossocial", diz.
A SATSE também enfatiza o fato de que os grupos profissionais que já gozam desse direito trabalhista são, em sua maioria, formados por homens (mineiros, bombeiros, policiais), "enquanto a enfermagem, eminentemente feminina, ainda está na 'sala de espera' por causa da ligação errônea entre trabalho duro e comportamentos associados ao gênero masculino", conclui.
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