Marcos Moreno - Europa Press
MADRID, 14 ago. (EUROPA PRESS) -
O Sindicato dos Enfermeiros (SATSE) criticou duramente o Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA) e o Ministério da Saúde por divulgarem informações que não correspondem à “complexa” situação sanitária que Ceuta atravessa e acusou os órgãos públicos de fazer uma “propaganda institucional” que “não tem nada a ver com a realidade”.
O sindicato afirmou que os números de atendimentos de saúde fornecidos pelo INGESA estão incorretos e, em particular, detalhou que nesta quinta-feira o Pronto-Socorro do Hospital Universitário de Ceuta prestou 286 atendimentos e não 108, como informou o INGESA, enquanto na quarta-feira foram 310.
“Nós, do SATSE, defendemos que qualquer comunicação institucional relacionada a uma situação de crise deve se basear em dados comprovados e atualizados, evitando gerar confusão, minimizar a dimensão do problema ou transmitir à opinião pública uma imagem que não corresponda à experiência que os cidadãos e a força de trabalho estão vivendo”, afirmou em um comunicado.
O sindicato detalhou que a atual crise migratória está agravando um dos problemas estruturais do sistema de saúde de Ceuta, a falta de profissionais, à qual se soma a reestruturação do centro hospitalar, que, segundo apontou, habilitou “de forma precária” uma nova área no Pronto-Socorro para atender patologias que exigem uma zona de isolamento.
Por isso, instou à aplicação do Decreto Real 118/2023, de 21 de fevereiro, que, em sua terceira disposição adicional, autoriza a direção do INGESA a estabelecer as medidas necessárias para incentivar a contratação de profissionais para esses cargos.
Nesse sentido, ele ressaltou que a área da saúde de Ceuta precisa de “soluções estáveis e definitivas, não de remendos”. “Já não bastam medidas pontuais nem soluções provisórias. A situação exige uma resposta coordenada, imediata e proporcional às necessidades existentes, que seja aplicada com caráter de urgência”, enfatizou.
TRABALHAR A 32 GRAUS
A esse contexto, o sindicato acrescentou a falta de manutenção dos sistemas de climatização, que atribuiu à “política de cortes orçamentários”. Isso fez com que os profissionais tivessem que lidar, nos últimos dias, com condições de trabalho “de terceiro mundo”, com temperaturas que chegaram a 32 graus em determinadas áreas do hospital.
O sindicato exigiu medidas imediatas para resolver o problema, já que está sendo informado aos funcionários que a situação só será resolvida em novembro, o que está gerando nervosismo entre a equipe.
O SATSE solicitou uma reunião do Conselho de Funcionários do centro e está trabalhando na apresentação de uma denúncia à Inspeção do Trabalho devido às condições de temperatura enfrentadas pelo centro. Além disso, apresentará nesta sexta-feira um ofício à gerência, à direção territorial do INGESA em Ceuta e ao serviço de prevenção, solicitando uma avaliação integral dos riscos do serviço de Emergência devido à situação atual.
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