MADRID, 31 ago. (EUROPA PRESS) -
A presidente do Sindicato dos Enfermeiros (SATSE), Laura Villaseñor, denunciou a falta de diligência e transparência do Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA) no cálculo dos atendimentos e consultas diárias em Ceuta após a crise migratória, tanto para a população da cidade autônoma quanto para os migrantes.
“As estatísticas fornecidas pela Administração parecem não coincidir com a atividade diária relatada pelos próprios profissionais, o que, além de não dimensionar adequadamente a magnitude do problema, dificulta muito o trabalho da equipe, uma vez que nem todas as intervenções realizadas são registradas”, afirmou Villaseñor, que participou da manifestação de profissionais e cidadãos realizada em frente à Delegação do Governo.
Nesse sentido, o SATSE em Ceuta destaca que revelou uma invisibilidade da atividade de enfermagem no pronto-socorro e nas áreas de atendimento rápido (“fast track”), onde o trabalho com pacientes não internados não é contabilizado “de forma alguma”. O sindicato denunciou falhas no sistema que fazem com que pacientes desapareçam dos prontuários eletrônicos e invalidam jornadas completas de 24 horas.
Além disso, alertou que a assistência em papel no Serviço de Emergência de Atenção Primária (SUAP) a pessoas sem filiação à Previdência Social é ignorada e não é contabilizada, deixando sem registro oficial procedimentos essenciais de enfermagem, como curativos, suturas ou imobilizações.
Por outro lado, a organização classificou como “mentira” os anúncios do Ministério da Saúde sobre a contratação de 100 profissionais em Ceuta e esclareceu que se trata de breves prorrogações de contratos já existentes que expiram em meados de setembro.
“Das quatro enfermeiras prometidas pelo secretário-geral da Saúde, Javier Padilla, como um grande reforço, uma vaga ficou em aberto por falta de profissionais desempregados, e os três contratos assinados vencerão em breve, no próximo dia 16 de setembro, deixando o serviço com o mínimo de pessoal”, denunciou Villaseñor.
Diante desse “apagão de dados assistenciais”, o sindicato iniciou uma investigação para apurar o que está ocorrendo com os registros em papel dos pacientes nos centros de saúde. Ele ressalta, além disso, que essa fiscalização coincide com a denúncia do SATSE sobre a proibição de entrada imposta aos seus representantes sindicais para cumprimentar e apoiar os profissionais nos centros de saúde de Ceuta, “um veto que dificulta gravemente o trabalho de representação e assessoria aos trabalhadores em um cenário de extrema precariedade laboral”, indicou.
ESTABILIDADE E RECONHECIMENTO
Villaseñor destacou a “necessidade urgente” de oferecer maior estabilidade e melhores condições de trabalho ao pessoal de saúde que atua em Ceuta, com contratos de no mínimo seis meses, pois, em sua opinião, essa é a única maneira de atrair outros profissionais para trabalhar na cidade autônoma e de impedir que aqueles que já estão lá se mudem para outras comunidades autônomas.
Nesse sentido, ele reivindicou que seja aplicado o Decreto Real 118/2023, declarando Ceuta como Zona de Dificuldade de Cobertura, e que sejam implementados incentivos reais para atrair e fidelizar profissionais. “Sem contratos de longa duração que acabem com a precariedade no trabalho, não será possível preencher as vagas que estão atualmente em aberto”, afirmou.
Ele também pediu maior reconhecimento salarial e que o “esforço extra” que vêm realizando há semanas — trabalhando em turnos duplos e fazendo muito mais horas do que a jornada normal estabelece — seja valorizado no futuro de “forma justa”.
Assim, ela destacou que é preciso aumentar o quadro de funcionários para que o pessoal que está trabalhando agora possa descansar e se recuperar de uma experiência que, em sua opinião, está deixando-os exaustos tanto fisicamente quanto psicológica e emocionalmente.
Da mesma forma, a representante do SATSE enfatizou a importância de que os profissionais de saúde disponham de todos os tipos de medidas de segurança para poderem realizar seu trabalho, seja no hospital, em postos de saúde ou, especialmente, durante as visitas domiciliares.
Por fim, o sindicato denunciou que foi impedido de autorizar a visita de sua principal representante aos centros de saúde, sob o pretexto de uma situação de crise sanitária que, segundo critica, posteriormente não é reconhecida pela mídia. Em sua opinião, o governo tenta ocultar a realidade existente e “silencia” o sindicato mais representativo do setor de saúde na Espanha.
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