Publicado 22/06/2026 06:27

A SATSE denuncia à Inspeção do Trabalho o “calor extremo” que alguns centros de saúde enfrentam

Critica a “falta de planejamento e investimento adequado” dos serviços de saúde competentes

Archivo - Arquivo - Mulher em consulta médica com uma médica.
FATCAMERA/ISTOCK - Arquivo

MADRID, 22 jun. (EUROPA PRESS) -

O Sindicato dos Enfermeiros (SATSE) apresentou denúncias formais à Inspeção do Trabalho e às administrações de saúde devido às situações de “calor extremo e insuportável” que estão ocorrendo em alguns centros de saúde, nos quais as temperaturas ultrapassam os limites máximos estabelecidos por lei para que se possa trabalhar em condições adequadas e evitar riscos à saúde.

O SATSE explicou em um comunicado que as temperaturas chegaram a ultrapassar os 30 °C em alas de internação, pronto-socorro e reabilitação. Segundo a entidade, esse tipo de problema foi observado em centros de saúde do País Basco, Andaluzia, Galícia, Cantábria, Castela e Leão, Navarra, Múrcia e Ilhas Canárias, entre outros.

Especificamente, o SATSE mencionou os casos de vários centros de saúde nas províncias de Ourense (Galícia), Salamanca (Castela e Leão) e Álava (País Basco), onde foram registradas temperaturas superiores a 29 e 30 °C.

Tudo isso apesar de a legislação na Espanha determinar que, em espaços onde são realizados trabalhos sedentários, como consultórios médicos, a temperatura deve estar entre 17 e 27 °C, enquanto que em ambientes onde são realizados trabalhos leves, como nas enfermarias de um hospital, deve situar-se entre 14 e 25 °C.

O sindicato destacou que os hospitais e centros de saúde são ambientes de trabalho “especialmente vulneráveis”, uma vez que são frequentados e frequentemente ocupados por pessoas idosas e/ou com diversos problemas e complicações de saúde. Essas circunstâncias, entre outras, aumentam os riscos decorrentes da exposição a altas temperaturas.

INVESTIMENTO EM CLIMATIZAÇÃO

Nesse contexto, a SATSE exigiu que as diversas secretarias estaduais de Saúde aumentem o investimento em sistemas de climatização e manutenção para garantir que todos os centros de saúde contem com condições ideais, diante de um verão que se prevê mais quente do que o normal.

O Ministério da Saúde alertou, em consonância com a Agência Estatal de Meteorologia (AEMET), que há até 70% de probabilidade de que este período de verão seja mais quente do que o habitual, o que representa uma “séria ameaça” à saúde pública, levando em conta, além disso, que “não só está mais quente, como também chega mais cedo e dura mais tempo”.

Apesar das reivindicações do sindicato e das recomendações das instituições estatais, o SATSE constatou que algumas administrações de saúde “ignoram” as orientações previstas em documentos como o Plano Nacional de Ações Preventivas dos Efeitos do Excesso de Temperatura sobre a Saúde 2026, que enfatiza a necessidade de garantir uma temperatura adequada em todos os locais de trabalho, ou o Decreto Real 4/2023, que estabelece que devem ser tomadas medidas adequadas para a proteção dos trabalhadores contra temperaturas extremas.

Nesse sentido, o Sindicato dos Enfermeiros afirmou que os problemas enfrentados por alguns hospitais e centros de saúde são consequência de uma “falta de planejamento e investimento adequado” por parte dos serviços de saúde competentes. “Essa realidade faz com que os centros não disponham de sistemas de ar-condicionado adequados ou que os trabalhos necessários de manutenção dos equipamentos não sejam realizados em tempo hábil e da forma correta. Temos prédios com infraestruturas muito antigas e pouco adequadas ao uso que lhes é dado atualmente”, destacou.

O SATSE afirmou ter recebido reclamações de profissionais que se viram obrigados a comprar seus próprios ventiladores para poder trabalhar em condições mínimas, ou de familiares de pacientes que fizeram o mesmo, bem como casos em que os responsáveis lhes ofereceram como única solução que “fechassem as janelas e abaixassem as persianas o máximo possível”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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