MADRID 8 set. (EUROPA PRESS) -
O Sindicato dos Enfermeiros (SATSE) denunciou nesta terça-feira a “ameaça à saúde” representada pelo exercício ilegal da profissão e pelas pseudociências na fisioterapia e criticou o fato de as autoridades competentes não estarem adotando todas as medidas de fiscalização e punição necessárias para pôr fim a essas “práticas ilegais”.
Por ocasião do Dia Internacional da Fisioterapia, o sindicato afirmou que a atividade de pessoas que atuam como se fossem fisioterapeutas em centros privados, residências particulares e outras instalações é uma “clara fraude” realizada com o único objetivo de obter lucro e que, além disso, prejudica os profissionais de saúde, formados durante quatro anos para esse trabalho, e as pessoas que eles tratam.
O SATSE explicou que o Código Penal classifica esse tipo de prática como crime de exercício ilegal da profissão e lembrou que a Justiça já condenou, em diversas ocasiões, pessoas por realizarem atos próprios da fisioterapia sem possuir a qualificação oficial correspondente.
Na opinião do sindicato, a razão pela qual essas práticas ainda não foram coibidas reside na falta de intervenção adequada por parte das autoridades. “Assim como ocorre em outras áreas de trabalho, estão falhando a fiscalização, o acompanhamento e a vigilância necessários para acabar com esse problema”, detalhou.
Por isso, exigiu rigor e colaboração de todos que tenham conhecimento desse tipo de prática e que as administrações estaduais e municipais “não sejam negligentes nem permissivas” e implementem todas as medidas necessárias para reforçar e aprimorar os processos de autorização, fiscalização e controle de todos os centros ou instalações que afirmam oferecer serviços de fisioterapia.
RISCOS POR FALTA DE QUALIFICAÇÃO
“Somente os profissionais com graduação em Fisioterapia podem realizar de maneira correta, segura e satisfatória todas as intervenções e tratamentos adequados para a recuperação, pré-reabilitação, habilitação, reabilitação e readaptação de pessoas com patologias, disfunções ou deficiências”, destacou o sindicato.
Nesse sentido, alertou que a falta de qualificação e habilitação para esse tipo de prática deixa o usuário “totalmente indefeso” caso ocorra um incidente ou efeito adverso. Conforme esclareceu, os “pseudofisioterapeutas” não podem comprovar os conhecimentos necessários para realizar, por exemplo, uma avaliação clínica, identificar contraindicações, detectar sinais de alarme, escolher o tratamento correto ou agir diante de possíveis complicações.
Além disso, alertou que um tratamento inadequado pode agravar a lesão ou a doença da pessoa que procura um centro onde acredita que será atendida por um profissional qualificado e legalmente habilitado. Também pode ocorrer um atraso prejudicial em sua recuperação, ao aplicar técnicas incorretas ou em momentos inadequados.
As mobilizações, manipulações ou exercícios realizados sem a formação adequada também podem causar mais dor, lesões musculares e ligamentares ou danos nervosos; ao mesmo tempo, uma pessoa sem a formação necessária pode não reconhecer sintomas que correspondam a fraturas, infecções, problemas neurológicos, tumores ou doenças cardiovasculares.
A SATSE destacou que, na Espanha, há “excelentes profissionais de fisioterapia com uma qualificação amplamente reconhecida, valorizada e procurada no resto do mundo”. Após reconhecer os mais de 71.000 fisioterapeutas do país, a entidade enviou uma mensagem de apoio aos profissionais de Ceuta, garantindo que continuará trabalhando em defesa de seus direitos e interesses.
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