MADRID 27 ago. (EUROPA PRESS) -
O Sindicato dos Enfermeiros (SATSE) denunciou que, neste verão, voltaram a ocorrer problemas em diversos centros de saúde e hospitais devido à falta de parteiras, uma situação que, em sua opinião, dificulta a garantia de um atendimento adequado e seguro às mulheres e aos recém-nascidos.
O SATSE destaca que a “origem comum” de todas essas situações, tanto na Atenção Primária quanto na Especializada, é o “déficit estrutural” no quadro de parteiras, que se “agrava ainda mais” durante o período de verão.
A organização afirma que as administrações responsáveis não realizam uma substituição adequada dos profissionais que estão de férias ou que não podem comparecer ao trabalho por motivos alheios à sua vontade, como doenças ou acidentes.
“A essa realidade soma-se um desincentivo salarial progressivo em uma especialidade de enfermagem totalmente consolidada, sobretudo no âmbito da Atenção Primária, fazendo com que essas profissionais venham a receber salários inferiores aos do restante do corpo de enfermagem”, ressalta.
O SATSE destaca que a falta de parteiras em número suficiente obriga aquelas que trabalham durante o verão a fazer horas extras, trabalhar turnos duplos e assumir um número de pacientes superior ao que lhes cabe.
No que diz respeito aos centros de saúde, o SATSE afirma que a escassez de pessoal no verão provoca o fechamento de agendas ou obriga as profissionais a assumir as agendas de suas colegas “sem remuneração adicional”, tendo que, ou prolongar sua jornada de trabalho ou priorizar o que podem atender. “Algo que, além de um debate ético interno, produz efeitos prejudiciais à saúde das parteiras e impossibilita que elas possam conciliar sua vida profissional e pessoal”, destaca o sindicato.
O SATSE afirma que essa realidade também prejudica suas pacientes, que enfrentam a suspensão e o atraso de consultas, programas, oficinas de capacitação e outros serviços, ou ainda são obrigadas a se deslocar para outro centro de saúde para poderem ser atendidas por uma parteira.
Especificamente, são limitados ou adiados para depois do verão serviços como o acompanhamento da gravidez e as consultas pós-parto e de amamentação, ou outras atividades, como as relacionadas à recuperação do assoalho pélvico, o rastreamento do câncer do colo do útero ou a orientação sobre métodos anticoncepcionais e em matéria de saúde sexual e afetiva, entre outras.
HOSPITAIS
No caso dos hospitais, o sindicato vem alertando nas últimas semanas sobre situações, como as registradas nos centros hospitalares de Guadalajara, Palma de Maiorca ou Valência, entre outros, que levaram a uma “deterioração significativa” na assistência necessária às mulheres e seus filhos, bem como na saúde física e psicológica dessas profissionais de saúde.
Nesse sentido, o SATSE destaca que é “absolutamente injustificável” que, como ocorreu na Unidade de Parto do Hospital de Guadalajara, tenha havido uma situação em que se contava com metade do número de parteiras previsto em seu plano funcional, ou que as profissionais que saíam do turno da noite tenham sido obrigadas a prolongar o turno, expondo-as assim a um nível de cansaço, esgotamento e estresse que também repercute diretamente na segurança das pacientes.
Também ocorreu na Área Materno-Infantil do Hospital Son Espases, em Palma de Maiorca, uma falta de nove parteiras na sala de parto e na ala de maternidade, o que significa quase 20% do quadro de funcionários sem cobertura. Além disso, várias profissionais do serviço solicitaram transferência para outras regiões, como a Andaluzia, devido à situação “insustentável” que enfrentavam diariamente.
No caso do Hospital Clínico Universitário de Valência, o SATSE denuncia que a falta estrutural de parteiras na área da sala de parto é uma situação que se arrasta há mais de dois anos, sem que a Direção do centro tenha adotado medidas estáveis para garantir uma equipe suficiente, adequada e segura.
PESSOAL CANSADO E DESMOTIVADO
“São situações que se vivem, em maior ou menor grau, em um grande número de centros de saúde e hospitais nos quais se garante a assistência necessária às mulheres que estão prestes a dar à luz, embora não seja nas melhores condições, graças ao trabalho de uma equipe cada vez mais cansada, desmotivada e frustrada”, destacam representantes do sindicato.
Além disso, o SATSE lamenta que, sobretudo na área da Atenção Primária, sejam essas profissionais de saúde que tenham de procurar pessoalmente — e por meio de ferramentas tão “informais” quanto um grupo do WhatsApp — colegas que possam cobrir seus turnos, caso a situação exija.
O sindicato critica o fato de as gerências não serem capazes de encontrar substitutos para garantir um planejamento e uma coordenação adequados dos turnos de trabalho nos centros.
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