SANTANDER, 13 ago. (EUROPA PRESS) -
Santander sedia nesta semana —de 10 a 14 de agosto— o congresso internacional “JWST Through Cluster Lenses”, que reúne 71 pesquisadores e profissionais de diversos países para analisar os últimos avanços no estudo das lentes gravitacionais com base nas observações do telescópio espacial James Webb (JWST).
Seu principal objetivo é reunir a comunidade científica que trabalha no estudo das lentes gravitacionais, especialmente aquelas produzidas por aglomerados de galáxias, informou a UC.
As lentes gravitacionais são um fenômeno previsto pela teoria da relatividade geral de Albert Einstein, pelo qual a gravidade de um objeto massivo, como um aglomerado de galáxias, curva o espaço-tempo e desvia a luz proveniente de objetos situados atrás dele. Esse efeito pode atuar como uma verdadeira “lente cósmica”, permitindo observar galáxias extremamente distantes e fracas que, sem esse fenômeno, seriam muito mais difíceis de detectar.
Além disso, seu estudo oferece uma ferramenta para investigar a distribuição da matéria bariônica e escura no universo, bem como para determinar parâmetros cosmológicos, estudar a evolução do universo e compreender melhor as propriedades dos próprios aglomerados de galáxias.
No evento, participaram uma ampla delegação dos Estados Unidos, incluindo funcionários administrativos da NASA, e quatro pesquisadores espanhóis, entre outros.
O evento foi organizado pelos pesquisadores do Instituto de Física da Cantábria (CSIC-UC) José María Diego, Ana Acebrón e José María Palencia, em colaboração com a Universidade de Toronto e a Prefeitura de Santander.
JAMES WEBB
Lançado em dezembro de 2021, o JWST é o observatório espacial mais potente e avançado. Suas capacidades de observação, especialmente na faixa do infravermelho, permitem estudar objetos extremamente distantes e observar o universo em estágios muito iniciais de sua história.
“Isso nos permitiu acessar objetos e fenômenos que, até agora, eram difíceis ou impossíveis de estudar. Em combinação com o efeito das lentes gravitacionais, suas capacidades permitem ampliar ainda mais essa fronteira”, comentou Ana Acebrón.
Durante o encontro, os participantes apresentam os resultados obtidos com o JWST e analisam as diferentes aplicações científicas que as lentes gravitacionais oferecem na escala de aglomerados de galáxias. Entre elas, a reconstrução da distribuição de massa, o estudo da matéria escura, a investigação de galáxias extremamente distantes e a análise da formação e evolução das estruturas do universo.
Parte das atividades do congresso está ligada à colaboração VENUS, que reúne pesquisadores que trabalham no aproveitamento de observações de aglomerados de galáxias e suas lentes gravitacionais para abordar questões relacionadas à estrutura e à evolução do Universo. A colaboração complementa os resultados obtidos com o JWST e permite avançar na análise conjunta desses sistemas.
A escolha de Santander como sede do encontro permitiu aos participantes assistir a um evento astronômico excepcional: o eclipse solar total de 12 de agosto.
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