Jesús Hellín - Europa Press
MADRID, 6 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Governo, Pedro Sánchez, não intervirá para resolver o impasse gerado pela reforma do Estatuto-Quadro e facilitar uma negociação que permita chegar a um acordo com os médicos que ponha fim à greve, entendendo que o “interlocutor competente” é o Ministério da Saúde.
“Atendendo ao seu pedido, e de acordo com as normas que regem a atuação do Governo, o Ministério da Saúde, dentro de sua esfera de competências, é o interlocutor competente para canalizar o diálogo e avaliar as diferentes propostas que possam ser formuladas dentro dos canais institucionais e processuais estabelecidos”, afirmam no Gabinete da Presidência do Governo, em resposta ao pedido de mediação feito por carta, no último dia 25 de junho, pelo Comitê de Greve dos médicos.
Os sindicatos organizadores da greve “lamentam profundamente” a resposta recebida da Presidência do Governo ao pedido de mediação enviado a Sánchez, que consideram ter se mantido “neutro”, ao mesmo tempo em que “fecha a porta a qualquer possibilidade de reverter a situação atual por meio do diálogo”.
O Comitê de Greve, formado pela Confederação Espanhola de Sindicatos Médicos (CESM), juntamente com o Sindicato Médico Andaluz (SMA), Metges de Catalunya (MC), a Associação de Médicos e Profissionais de Nível Superior de Madri (AMYTS), o Sindicato Médico do País Basco (SME) e o Sindicato dos Médicos Independentes da Galícia (O’MEGA), insistia em sua carta “em sua disposição para o diálogo e solicitava o envolvimento no conflito de todos os demais ministérios afetados por suas reivindicações”.
A nota, que não é assinada pelo presidente, mas sim por seu chefe de gabinete, explica que o Anteprojeto de Estatuto-Quadro já foi acordado “com as organizações sindicais no âmbito das negociações (SATSE, CCOO, UGT e CSIF)” e aprovado pelo Conselho de Ministros. Portanto, resta apenas a opção, na fase de audiência, de que “perspectivas e sensibilidades adicionais às canalizadas por meio dos órgãos de representação sejam incorporadas ao processo”.
Na carta, a Moncloa agradece ao Comitê por sua comunicação, bem como por sua “disposição ao diálogo” e seu “compromisso com a defesa de um sistema de saúde público de qualidade”. Da mesma forma, a Presidência expressa sua vontade de continuar promovendo “um diálogo construtivo” que permita “seguir avançando com o devido respeito aos procedimentos e aos diversos atores envolvidos”.
“NEM UM PÍCULO DE PREOCUPAÇÃO”
Diante dessa resposta, o Comitê de Greve lamenta que o presidente “pareça convencido de que os médicos não merecem maior envolvimento, nem mesmo para que ele próprio assine uma carta-modelo com a qual acredita resolver o conflito médico mais grave e prolongado da história da democracia”.
“Não se percebe no texto nem um pingo de preocupação com o impacto na assistência médica em consequência da greve, nem qualquer objeção ao fato de que os sindicatos médicos não tenham participado da negociação do Estatuto-Quadro, nem menção à rejeição unânime do documento pela profissão. Apenas aparece uma descrição fria e distorcida dos fatos e uma defesa retórica dos procedimentos e dos órgãos de representação”, destacam os membros do Comitê.
Na opinião das organizações do Comitê, “este governo não parece interessado em pôr fim a uma greve que ele próprio provocou e mantém sua intransigência a ponto de ignorar que nem mesmo os sindicatos que assinaram o Anteprojeto do Estatuto-Quadro o apoiam atualmente e que a possibilidade de a norma ser aprovada no que resta da legislatura é remota”.
“Isso demonstra, portanto, que ele não vai assumir seu fracasso e que não se importa com o impacto desse conflito na saúde pública que tanto diz defender”, concluem os sindicatos.
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