Publicado 07/08/2026 03:03

Ruanda negocia com a Itália o acolhimento de requerentes de asilo expulsos do país europeu

Archivo - Arquivo - 14 de junho de 2022, Ruanda, Kigali: Yolande Makolo, porta-voz do governo ruandês, fala durante uma coletiva de imprensa no Ministério das Relações Exteriores, em Kigali. A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, af
Victoria Jones/PA Wire/dpa - Arquivo

MADRID 7 ago. (EUROPA PRESS) -

O governo de Ruanda informou que está negociando com a Itália um acordo para receber migrantes requerentes de asilo transferidos daquele país europeu, que, em 2023, já havia chegado a um acordo com a Albânia semelhante ao que agora está sendo estudado com Kigali; este último já havia negociado, em 2025, um pacto semelhante com o Reino Unido, do qual o governo liderado por Keir Starmer acabou se retirando após substituir o governo do conservador Rishi Sunak.

“Ainda não há um acordo; acredito que continuamos em negociações”, afirmou a porta-voz do governo ruandês, Yolande Makolo, ao ser questionada sobre um possível acordo com Roma em um programa de rádio da emissora Royal FM.

Makolo sugeriu como destino hipotético para esses requerentes de asilo deportados o “mecanismo de trânsito de emergência” que seu governo estabeleceu na cidade de Gashora, próxima à capital do país, Kigali.

A porta-voz definiu essas instalações como “um local seguro para famílias desamparadas, que não têm para onde ir, que estão em perigo ou que, por diversas razões, não podem permanecer onde estão agora; um local seguro onde recebem atendimento médico, capacitação e descanso”.

“Além disso, lá são processados os pedidos de asilo e eles podem retornar ao seu país de origem, se for seguro e se assim o desejarem, ou ser reassentados em outros países”, acrescentou ela, lembrando que as partes continuam “na fase de negociações a esse respeito”.

Por outro lado, questionada sobre a possibilidade de novas polêmicas, Makolo afirmou que “sempre haverá críticas, isso faz parte do processo, mas sabemos que agimos pelas razões certas”.

“Queremos fazer parte da solução global para um grande problema e sabemos o que ganhamos ao fazer parte dessa solução”, acrescentou, antes de afirmar que “a migração impulsionou muitas economias em todo o mundo e queremos tirar o máximo proveito disso”.

Quanto à possibilidade de novas controvérsias, a porta-voz do Executivo ruandês defendeu que “o acordo com o Reino Unido não funcionou porque foi cancelado”, mas “baseava-se em dar um lar às pessoas — não há nada de errado nisso — e em garantir que lhes fossem fornecidos os recursos necessários para que pudessem se reabilitar, se reintegrar e ter um lar permanente em um lugar acolhedor, onde pudessem contribuir com suas habilidades e recursos para um novo país”.

“As lições aprendidas com a experiência anterior nos ajudarão a orientar esta na direção correta”, destacou ela, alegando que Kigali busca participar desses projetos “pela razão certa”.

Depois de enfatizar que se trata de “um grave problema em nível mundial”, a porta-voz de Kigali destacou que “os requerentes de asilo são africanos”. “Não queremos que os africanos sofram em países que não os acolhem. Não queremos que empreendam viagens perigosas pelo deserto e morram no (mar) Mediterrâneo (...), nem em outros países que não os querem”, declarou.

“O ideal seria que eles ficassem em casa, tivessem oportunidades e segurança em seus próprios lares. E, se não conseguirem isso, talvez possam encontrá-lo em outros países, especialmente na África. (...) Queremos que os jovens africanos sejam felizes vivendo em seu continente e que contribuam para construí-lo juntos”, afirmou.

Ruanda tem sido, nos últimos anos, parte frequente nesse tipo de acordo, tendo alcançado um acordo frutífero com os Estados Unidos e ficado à beira de um acordo no caso do Reino Unido, depois que o Partido Conservador perdeu, em 2024, o número 10 de Downing Street para os trabalhistas liderados por Keir Starmer, que não demoraram a enterrar o projeto.

A Itália, por sua vez, também tem sido uma das principais impulsionadoras dessas iniciativas na União Europeia, aprovando um acordo semelhante com a Albânia em 2023.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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