Publicado 10/02/2026 12:30

Roderic Guigó afirma, no 25º aniversário do Projeto Genoma Humano, que a pesquisa pós-genômica “funcionou”.

Roderic Guigó destaca, no 25º aniversário do genoma humano, que a pesquisa pós-genômica "funcionou".
CNAG

MADRID 10 fev. (EUROPA PRESS) - O Dr. Roderic Guigó, membro do Centro de Regulação Genômica (CRG) e um dos espanhóis que participou da sequenciação do genoma humano, afirmou, no 25º aniversário desse marco, que “a pesquisa pós-genômica é o que tem funcionado”.

Concretamente, segundo expôs este investigador, desde 2001 conseguiu-se encontrar a associação entre variação genômica e variação fenotípica em alguns casos. “A imensa maioria das associações provém de análises estatísticas”, confirmou, ao mesmo tempo que declarou que estas mudanças “indicam os genomas que podem estar envolvidos”.

Guigó destacou que a pesquisa pós-genômica é a da função do genoma, contexto em que destacou que, “sem identificar os genes, é impossível qualquer conhecimento da sequência do genoma”. Assim, destacou uma investigação ainda não publicada e que está a realizar atualmente, através da qual ele e a sua equipa conseguiram identificar «20 000 genes humanos», o que «é bastante espetacular». Além disso, em referência à investigação após a sequenciação do genoma humano, indicou que, após isso, esta sequenciação foi realizada em diferentes animais. “Queremos sequenciar o genoma de todas as espécies”, enfatizou, e afirmou que “é impossível entender a biologia de um organismo sem entender a dos demais organismos”. “A Espanha tem uma oportunidade única de desempenhar um papel de liderança na genômica da biodiversidade”, enfatizou Guigó a esse respeito, destacando que é uma “obrigação moral”. “Embora o impacto na biomedicina não tenha sido o esperado, as expectativas em biologia foram superadas”, sublinhou em relação às previsões após o marco que agora celebra seu aniversário.

Nesse sentido, o pesquisador reconheceu que “as expectativas não foram totalmente atendidas”, uma vez que “em grande parte” se desconhece o processo de mudança na sequência do genoma. “Somos incapazes de saber quais mecanismos mediam desde a mudança do genoma até a manifestação fenotípica”, afirmou.

“É preciso refletir até que ponto essas expectativas foram atendidas”, continuou Guigó. “Não vou subestimar a importância”, observou, no entanto, embora tenha exposto que “a expectativa de vida aumentou, mas está longe dos 120 ou 140 anos que se prometia há 25 anos”.

De qualquer forma, o sequenciamento do genoma humano foi comemorado por ele e pelos presentes no evento “O Projeto Genoma Humano, 25 anos depois”, organizado pelo Centro Nacional de Análise Genômica (CNAG) na sede do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, em Madri. “Mudou para sempre a nossa forma de entender a vida e lançou as bases da genômica”, indicou a secretária-geral de Investigação deste ministério, Eva Ortega Paíno. FERRAMENTA TRANSVERSAL Este avanço “transformou a genômica numa ferramenta transversal para ser utilizada em quase todos os campos”, destacou, por sua vez, o secretário de Estado de Ciência, Inovação e Universidades, Juan Cruz Cigudosa, que acrescentou que representou “uma mudança de paradigma que democratizou o conhecimento”, o que foi apoiado pela Dra. Fátima Al-Shahrour, membro do Centro Nacional de Investigaciones Oncológicas (CNIO), que destacou a importância dos dados e das investigações abertas.

Cruz Cigudosa, que valorizou o trabalho do CNAG como uma "aposta estratégica" que colocou a Espanha em "posições de qualidade na investigação genômica", afirmou que a sequenciação "não é o fim do caminho", apontando a epigenética como uma de suas vertentes.

Este representante ministerial revisou os avanços na ciência durante estas duas décadas e meia, como a incorporação de biomarcadores e a existência de “diagnósticos moleculares definidos”. “Ainda temos muito a avançar”, reconheceu, pois “é preciso trabalhar muito na rastreabilidade”, bem como “na segurança e na governança”.

“Nosso Ministério financia tudo o que pode”, afirmou, para continuar declarando que, no passado, 10.000 pesquisadores abandonaram a Espanha. “Desde 2018, recuperamos 23.000”, contrapôs, incentivando a “continuar abrindo caminhos, de forma ousada e corajosa”.

MEDICINA PERSONALIZADA DE PRECISÃO Outra participante deste evento moderado pelo diretor do CNAG, Dr. Ivo Gut, foi a Dra. Encarna Guillén, que trabalha no Hospital Sant Joan de Déu de Barcelona, e para quem agora se conhecem muitos genes, o que resultou em uma medicina personalizada de precisão. “A capacidade diagnóstica melhorou gradualmente”, já que antes era “difícil” obter “a confirmação molecular”, explicou.

Nesta linha, a ex-conselheira de Saúde do Governo da Região de Múrcia sustentou que, atualmente, também é possível “investigar vias potenciais para novas terapias”, o que é “especialmente importante no campo das doenças raras”. Juntamente com isso, e também a título de exemplo, ela destacou que é viável “antecipar possíveis recaídas” no câncer, bem como “dirigir exames específicos”.

“Ainda temos muitos desafios para preservar por mais tempo a saúde dos cidadãos”, declarou Guillén, que, nessa linha, lembrou que “a Espanha não pode se dar ao luxo de ficar sem a especialidade de Genética”. “Exorto as autoridades a impulsionar a saída desses decretos reais que estamos esperando”, enfatizou.

Por último, Al-Shahrour destacou a importância da bioinformática e da “revolução da Inteligência Artificial”, implicando esta última “desafios importantes”. Enquanto isso, o Dr. Tomàs Marquès-Bonet, membro da Universidade Pompeu Fabra - Instituto de Biologia Evolutiva (UPF-CSIC), analisou a genômica não humana, campo no qual, em 2025, foram obtidos 7.000 novos genomas de espécies, pelo que a atual é “a era da explosão da genômica”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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