MADRID 16 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores do Centro Nacional de Microbiologia (CNM) do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) realizou um estudo que constatou que o risco de transmissão do vírus Oropouche na Espanha é “muito baixo”, para o que analisou os mosquitos presentes no ambiente capazes de transmiti-lo e que “apresentam baixa competência vetorial”.
Conforme informado por essa instituição, o referido estudo “é um dos primeiros realizados no insetário de biossegurança NCB-3, iniciado este ano" para "impulsionar análises mais completas sobre a transmissão, por meio de artrópodes como os mosquitos, de inúmeras doenças infecciosas causadas por diferentes patógenos".
“Em 2024, ocorreu um surto na América Latina com uma nova variante do vírus Oropouche, que provoca sintomas semelhantes aos de outras infecções, como dengue, Chikungunya e Zika — febre alta, cefaleia, dores musculares, vômitos, exantema... —”, explicou o pesquisador do CNM, Rafael Gutiérrez, que afirmou que este "geralmente tem um bom prognóstico".
No entanto, ele destacou que, "em algumas ocasiões, gera sintomas neurológicos graves e pode causar meningite ou encefalite". Além disso, este centro do ISCIII assinalou que “a partir do verão de 2024, começaram a ser detectados na Europa casos importados de infecção pelo vírus Oropouche, sendo a Espanha o país com o maior número desses casos”.
RECOMENDAÇÃO DO ECDC
“Este vírus é transmitido pela picada de insetos de pequeno porte chamados Culicoides, e há indícios de que os mosquitos possam estar envolvidos em sua transmissão”, continuaram, após o que observaram que o Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) “solicitou aos países europeus que realizassem estudos de competência vetorial dos mosquitos locais com a nova cepa do vírus para esclarecer o risco de transmissão autóctone”.
Dessa forma, e conforme asseguraram os membros do CNM, constatou-se que, na Espanha, “os principais mosquitos presentes são o mosquito comum (Culex pipiens) e o mosquito-tigre (Aedes albopictus)”. Sobre estes, “os resultados obtidos graças aos estudos realizados no novo insetário P3 fornecem informações determinantes sobre sua competência vetorial para o vírus Oropouche”, declararam em referência à sua escassez.
“Observamos que eles apresentam baixa capacidade de transmissão do vírus Oropouche, pelo que o risco de transmissão autóctone é muito baixo, de forma semelhante aos dados obtidos em outros países europeus”, acrescentaram os especialistas, que foram coordenados pela pesquisadora Inés Martín. No entanto, esta última ressaltou “a necessidade de manter uma vigilância contínua e continuar investigando para monitorar a possível adaptação do vírus e de seus vetores transmissores”.
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