GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / YAKOBCHUKOLENA
MADRID 31 jul. (EUROPA PRESS) -
A endocrinologista Aída Cadenas, especialista do Hospital Quirónsalud Bizkaia, alertou para o subdiagnóstico da síndrome ovariana metabólica poliendócrina, anteriormente conhecida como síndrome dos ovários policísticos, uma condição hormonal e metabólica que vai além de um problema ginecológico.
Um consenso internacional publicado este ano alterou o nome dessa condição crônica para esclarecer sua complexidade e refletir que não se trata apenas de um problema ovariano, mas de uma alteração endocrinológica e metabólica que afeta uma em cada oito mulheres no mundo.
Conforme explicou Cadenas, o próprio termo “síndrome dos ovários policísticos” gerava confusão, pois “na verdade, não existem cistos no ovário, mas sim folículos imaturos que, em uma ultrassonografia, podem se assemelhar a um cisto sem realmente ser um”.
A síndrome ovariana metabólica poliendócrina pode se manifestar por meio de menstruações irregulares, acne, excesso de pelos em áreas incomuns, queda de cabelo com padrão semelhante ao masculino, dificuldade para perder peso, acúmulo de gordura abdominal, crises de fome, cansaço ou problemas de fertilidade.
Tudo isso tem dificultado sua identificação. “É preciso procurá-la, porque, se você não suspeitar, não vai diagnosticá-la”, destacou a especialista, que afirmou que a mudança de nome deve ajudar a melhorar sua abordagem, que deve ser multidisciplinar e contar com o trabalho conjunto das áreas de Endocrinologia, Ginecologia, Atendimento Primário e, dependendo de cada caso, Nutrição, Dermatologia ou Saúde Mental.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
A médica explicou que, na origem desse distúrbio, podem estar alterações do ciclo menstrual e resistência à insulina, o que faz com que o organismo precise produzir mais insulina para manter o equilíbrio, o que pode desencadear alterações metabólicas e hormonais, entre elas um aumento dos andrógenos, hormônios normalmente mais elevados nos homens.
“Para todos esses sintomas, há uma explicação bioquímica e hormonal que antes não era levada em conta. É preciso desvendar esse emaranhado, diagnosticar e chegar ao fundo da questão”, ressaltou ela.
A análise do histórico clínico, o exame físico e os exames laboratoriais específicos que avaliem alterações hormonais, excesso de andrógenos, resistência à insulina ou outros parâmetros são os passos fundamentais para chegar ao diagnóstico, conforme apontou Cadenas, que esclareceu que há casos mais assintomáticos, nos quais nem todos os sintomas clássicos se manifestam.
Nesse ponto, ele comentou que ter histórico familiar de diabetes, primeira menstruação precoce ou diabetes gestacional podem ser indícios que ajudem a suspeitar da síndrome.
Quanto ao tratamento, não existe uma cura definitiva e seu manejo depende da idade, do desejo reprodutivo e do perfil metabólico de cada paciente, embora haja um protocolo comum a ser seguido, como a melhoria dos hábitos de vida, especialmente no que diz respeito à alimentação e aos exercícios físicos.
“A base é sempre a mesma: bons hábitos, tanto na alimentação — apostando na dieta mediterrânea — quanto na prática de exercícios de força, pois são esses que comprovadamente reduzem a resistência à insulina”, explicou.
Os anticoncepcionais com efeito antiandrogênico podem ser indicados em alguns casos para tratar sintomas relacionados ao excesso de hormônios masculinos. Se houver desejo de engravidar, a abordagem será diferente e terá como objetivo regular a ovulação e melhorar o equilíbrio hormonal. Além disso, nos últimos anos, surgiram novas opções terapêuticas para determinados perfis de pacientes, sempre sob indicação e acompanhamento médico.
A doutora Cadenas recomendou que as mulheres com sintomas compatíveis consultem profissionais de saúde e evitem buscar respostas apenas na internet e nas redes sociais. “Podemos ajudá-las, sem dúvida”, afirmou ela.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático