Publicado 07/07/2026 10:23

Reumatologistas alertam para o risco de agravamento das doenças reumáticas durante as férias de verão

Archivo - Arquivo - Pernas inchadas no verão.
ISTOCK - Arquivo

MADRID 7 jul. (EUROPA PRESS) -

A porta-voz da Sociedade Espanhola de Reumatologia, Cristiana Siero, alertou que a exposição ao sol, a desidratação e a interrupção do tratamento médico podem agravar as doenças reumáticas durante as férias de verão.

Segundo a especialista, o calor pode ter efeitos diferentes dependendo da doença reumática, sendo benéfico para algumas condições musculoesqueléticas, como a osteoartrite e algumas artrites inflamatórias, pois pode aliviar a dor e a rigidez ao promover o relaxamento muscular e melhorar a circulação. No entanto, em outras patologias, ele pode ser prejudicial e produzir o efeito contrário: aumento do cansaço, da inflamação, do edema e da fadiga.

Durante um seminário online organizado pela Fundação Espanhola de Reumatologia, com a colaboração de cerca de vinte associações de pacientes, Sieiro defendeu que “o fundamental é planejar bem as viagens e os diversos planos a serem realizados durante as férias e não interromper o tratamento médico sem consultar previamente o especialista”.

A reumatologista, com pós-doutorado no Centro de Pesquisa Musculoesquelética da Universidade de Manchester (Reino Unido), destacou que “a fotossensibilidade em doenças reumáticas pode provocar reações cutâneas e ativar o sistema imunológico em algumas patologias, como o lúpus, a dermatomiosite, a síndrome de Sjögren ou certas vasculites”.

Quanto aos medicamentos, ela destacou que alguns podem aumentar as reações cutâneas, como certos antibióticos, corticosteroides ou medicamentos modificadores da doença, como a sulfasalazina. Mas alertou que a hidroxicloroquina não aumenta significativamente a fotossensibilidade: “Pelo contrário, ajuda a prevenir lesões cutâneas e surtos de lúpus”.

Nesse contexto, a enfermeira do Serviço de Reumatologia do Hospital Universitário Ramón y Cajal, em Madri, Patricia García, recomendou o uso de protetor solar com FPS 50+, aplicá-lo entre 20 e 30 minutos antes da exposição, renová-la a cada 2 horas e evitar a exposição entre 12h e 17h, com proteção especial também em dias nublados.

Além disso, ela detalhou as diferenças entre os filtros químicos (adequados para a maioria dos tipos de pele), disponíveis em diversos formatos, e os filtros minerais ou físicos (para peles muito sensíveis), e destacou a importância de usar protetores físicos, como chapéus e óculos de sol.

No caso de lesões cutâneas, recomenda-se interromper imediatamente a exposição solar, descansar e permanecer um dia sem se expor ao sol, aplicar cremes hidratantes ou calmantes, acompanhar a evolução da lesão e consultar um profissional de saúde caso não melhore ou piore.

RECOMENDAÇÕES PARA VIAGENS

Quanto às viagens, a enfermeira lembra que viajar é seguro se a doença estiver controlada e que “o segredo está no planejamento prévio, levando em conta o destino, incluindo levar medicação extra, um kit básico de primeiros socorros e um laudo médico em inglês (se necessário) do especialista em reumatologia que confirme o diagnóstico e o tratamento”.

Também é recomendável contratar um seguro médico e verificar se há hospitais de referência no destino. “A medicação deve ser colocada na bagagem de mão e deve-se levar quantidade suficiente para toda a viagem mais alguns dias extras, caso ocorra algum imprevisto e fiquemos mais tempo fora de casa. Se os medicamentos exigirem temperaturas específicas, especialmente os tratamentos biológicos, que devem ser mantidos entre 2 e 8 graus, devem ser transportados em coolers portáteis com acumuladores de frio, capazes de manter a medicação na temperatura ideal durante viagens de até 8 a 12 horas”, destaca García, que também aconselha entrar em contato previamente com a companhia aérea para informar sobre a medicação que requer refrigeração.

Ao chegar ao destino, também é preciso garantir a refrigeração adequada no local de hospedagem; portanto, no caso de se hospedar em um hotel, deve-se coordenar o armazenamento da medicação em temperatura controlada durante toda a estadia.

Por sua vez, Sieiro lembra a importância de manter o calendário de vacinação em dia e revisá-lo no caso de viagens internacionais, nas quais podem ser necessárias vacinas específicas. Além disso, ele recomenda consultar um especialista em reumatologia sobre a compatibilidade do tratamento com determinadas vacinas.

“A maioria delas pode ser administrada com segurança, especialmente as vacinas inativadas, como as contra a gripe, a COVID-19, o pneumococo, a hepatite B, o papilomavírus humano e o herpes zoster recombinante. Por outro lado, as vacinas de vírus vivos atenuados exigem uma avaliação individual, pois podem ser contraindicadas em pessoas que recebem imunossupressores ou terapias biológicas. Entre elas estão a vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola (MMR), varicela, febre amarela, a vacina contra o herpes zoster com vírus vivo e a vacina contra a febre tifóide”, esclarece.

Também é dada ênfase às medidas preventivas para evitar infecções gastrointestinais e respiratórias durante as viagens, incluindo a higiene alimentar, o uso de água engarrafada (inclusive para escovar os dentes, em determinados países), a lavagem frequente das mãos e a proteção contra o ar-condicionado excessivo, enfatizando que “não se trata de evitar completamente os riscos, mas de usar o bom senso para minimizar as consequências”, detalha a especialista.

MANTER HÁBITOS SAUDÁVEIS

Ambas as especialistas destacam a importância de manter hábitos saudáveis de alimentação e exercícios físicos durante o verão, especialmente para pessoas com doenças reumáticas. Nesse sentido, Sieiro recomenda “fazer refeições menores e nutritivas distribuídas ao longo do dia, beber água suficiente, consumir proteínas de qualidade e adaptar os hábitos de exercício sem abandoná-los completamente, sugerindo atividades como natação na piscina”.

Da mesma forma, García insiste em manter um equilíbrio nos hábitos, incluindo moderação no consumo de álcool e o aproveitamento de frutas da estação; bem como tentar adaptar os hábitos de sono para garantir um descanso eficaz, especialmente para pacientes com padrões de sono alterados.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado