Publicado 26/09/2025 12:23

Redes de pesca pré-históricas recriadas por seus vestígios em cerâmica

Trilhas em cerâmica e recriação de nós de redes de pesca
HIROKI OBATA, KUMAMOTO UNIVERSITY

MADRID 26 set. (EUROPA PRESS) -

Em uma conquista arqueológica, pela primeira vez no mundo, redes de pesca que datam de mais de 6.000 anos foram restauradas digitalmente e fisicamente em detalhes.

Pesquisadores da Universidade de Kumamoto reconstruíram com sucesso a estrutura de redes de pesca pré-históricas do período Jomon (cerca de 14.000-900 a.C.), analisando impressões preservadas em cerâmicas antigas por meio de uma avançada tomografia computadorizada (TC) de raios X.

A pesquisa foi publicada no Journal of Archaeological Science.

Liderada pelo Professor Emérito Hiroki Obata da Escola de Ciências Humanas e Sociais da Universidade de Kumamoto, a equipe examinou cerâmicas desenterradas em locais em Hokkaido e Kyushu (regiões norte e sul do Japão, respectivamente), onde antigas impressões de redes permaneceram ocultas dentro e na superfície de fragmentos de cerâmica.

Usando imagens de TC de raios X de alta resolução e técnicas de replicação de moldes de silicone, os pesquisadores visualizaram e reconstruíram as estruturas complexas das redes, incluindo torções de fios, tipos de nós e tamanhos de malha.

RICA DIVERSIDADE DE TÉCNICAS DE FABRICAÇÃO

O estudo revelou uma grande diversidade nas técnicas de fabricação de redes entre as regiões. Na região de Hokkaido, no norte do Japão, redes de malha larga com nós de recife firmemente amarrados foram encontradas embutidas nas bobinas de argila da cerâmica estilo Shizunai-Nakano.

Essas redes, que se acredita terem sido usadas para pesca oceânica, foram posteriormente reutilizadas como materiais estruturais básicos em cerâmica, uma prática que sugere a reutilização e a reciclagem precoce de ferramentas.

Em contraste, a cerâmica da região sul de Kyushu, datada dos períodos Jomon tardio e Yayoi primitivo (aproximadamente 3200-2800 anos atrás), continha redes de malha fina amarradas com nós simples e simples ou usando métodos de "enrolamento com nós". Essas redes provavelmente serviam como moldes ou agentes de liberação durante a produção de cerâmica e podem ter sido originalmente usadas como sacos.

UMA ÚNICA REDE EXIGIA 85 HORAS DE TRABALHO

Surpreendentemente, o estudo também estimou a mão de obra necessária para produzir as redes, sugerindo que uma única rede de pesca poderia levar mais de 85 horas para ser feita, destacando o valor dessas ferramentas e o significado cultural de sua reutilização. "Essa reutilização de materiais reflete uma forma inicial de sustentabilidade", disse o professor Obata.

As descobertas desafiam as suposições anteriores de que todas as impressões de redes representavam equipamentos de pesca e demonstram que nem todas as impressões preservadas podem ser interpretadas como redes funcionais. Em vez disso, as redes parecem ter tido várias vidas: primeiro como ferramentas para pesca ou transporte e, mais tarde, como elementos integrais na criação de cerâmica.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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