Publicado 30/04/2026 08:31

Recriam o ambiente da fertilização com um modelo experimental em 3D para aprimorar as técnicas de reprodução assistida

Recriam o ambiente da fertilização com um modelo experimental em 3D para aprimorar as técnicas de reprodução assistida
CSIC

MADRID 30 abr. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa do Conselho Superior de Pesquisas Científicas e pela Universidade Autônoma de Madri (CBM-CSIC-UAM) recriou o ambiente da fertilização por meio de um modelo experimental em 3D com o objetivo de aprimorar as técnicas de reprodução assistida.

Especificamente, por meio desse trabalho, foram desenvolvidos organoides do oviduto bovino, que são pequenas estruturas tridimensionais criadas em laboratório a partir de células de vaca extraídas do oviduto, o canal que conecta o ovário ao útero. Esses organoides reproduzem o funcionamento do oviduto real, o local onde ocorre a fertilização e o desenvolvimento inicial do embrião nos mamíferos.

A esse respeito, os autores, que publicaram na revista especializada “Cellular and Molecular Life Sciences” e contaram com a colaboração da Universidade de Múrcia, indicaram que os organoides respondem a hormônios como o estradiol e a progesterona, recriando as alterações hormonais do ciclo reprodutivo. Na opinião deles, essa descoberta poderia ter implicações para as técnicas de reprodução assistida.

“Esses organoides não apenas mantêm a estrutura polarizada do epitélio do oviduto, mas também conservam sua capacidade de responder a sinais hormonais, o que lhes permite gerar um ambiente muito semelhante ao fisiológico”, explicou o primeiro autor deste estudo, Sergio Navarro-Serna. No entanto, o estudo foi liderado pelo Dr. Vicente Pérez García, membro do CBM-CSIC-UAM e do Centro de Pesquisa Príncipe Felipe (CIPF).

Aprofundando a análise do oviduto, os pesquisadores apontaram que ele cria um ambiente que muda ao longo do ciclo reprodutivo e que é essencial para que o óvulo e o espermatozoide estejam nas melhores condições para a fecundação e para que o embrião inicie seu desenvolvimento. Esse ambiente é regulado pelo estradiol e pela progesterona, que controlam a secreção das moléculas necessárias para esses processos.

ORGANOIDES QUE REPRODUZEM A ESTRUTURA E AS FUNÇÕES DO OVIDUTO

Assim, e devido ao fato de que os modelos tradicionais de estudo, como as culturas bidimensionais ou os esferoides, não conseguem imitar completamente a complexidade do oviduto real — o que limitava a pesquisa sobre reprodução e o desenvolvimento de novas estratégias em reprodução assistida —, foram desenvolvidos esses organoides, que oferecem uma solução mais precisa, uma vez que reproduzem tanto a estrutura quanto as funções do oviduto.

Eles foram criados a partir de células epiteliais que revestem o interior do oviduto bovino e que são responsáveis por produzir grande parte das secreções necessárias para a fecundação e o desenvolvimento inicial do embrião. Os obtidos por esse método são capazes de se organizar em estruturas tridimensionais funcionais e conservam a capacidade de responder a hormônios e de produzir secreções com um perfil semelhante ao do ambiente natural.

No entanto, segundo os especialistas, os resultados mostram que a exposição desses organoides 3D ao estradiol ou à progesterona induz alterações específicas na expressão gênica e na composição das secreções que produzem. Isso representa fielmente as fases do ciclo reprodutivo, segundo eles.

Por outro lado, este trabalho também constatou que as secreções geradas por esses organoides reproduzem em grande medida a composição do fluido natural do oviduto. Dessa forma, os experimentos funcionais mostram que essas secreções, especialmente as geradas sob estimulação com estradiol, são capazes de melhorar processos fundamentais para os espermatozoides, como a capacitação e a reação acrosômica, etapas essenciais para que possam fertilizar o óvulo.

Nesse sentido, o CBM-CSIC-UAM afirmou que a capacitação permite que os espermatozoides se preparem para a fertilização quando expostos ao ambiente especial do oviduto, rico em proteínas e moléculas que lhes permitem se mover mais rapidamente e de forma mais eficiente, além de preparar sua membrana para interagir com o óvulo. Assim, por meio da reação acrosômica, os espermatozoides podem “romper” a camada externa que protege o óvulo para entrar e fecundá-lo.

Por fim, os especialistas indicaram que esses dados posicionam os organoides do oviduto como uma plataforma inovadora para estudar a comunicação entre as células reprodutoras e o ambiente materno, além de que esse modelo poderia contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias para melhorar as técnicas de reprodução assistida. “Este sistema oferece uma alternativa reproduzível e controlada para estudar processos fundamentais da reprodução, com potencial para melhorar a eficiência e a qualidade dos embriões gerados in vitro”, concluiu Pérez García.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado