Publicado 29/05/2026 07:48

A realidade virtual reduz em até 31% as doses de opioides em pacientes com dor crônica, segundo um estudo

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DNY59/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 29 maio (EUROPA PRESS) -

A realidade virtual pode reduzir em até 31% as doses de opioides no tratamento de pacientes com dor crônica e melhorar o bem-estar emocional, a ansiedade e a depressão, de acordo com um estudo realizado pelo médico de família e gestor clínico de pesquisa e inovação na Badalona Serveis Assistencials, José Ferrer, e apresentado no 22º Congresso da Sociedade Espanhola da Dor (SED), realizado em Vitória.

A realidade virtual, as experiências imersivas e as ferramentas de saúde digital começaram a ser incorporadas à prática clínica em unidades de dor, consultórios de Atenção Primária e programas de reabilitação com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente.

Os especialistas reunidos neste congresso apresentaram experiências clínicas e projetos de pesquisa centrados no uso de tecnologia imersiva, inteligência artificial e monitoramento digital para otimizar o tratamento da dor crônica.

O professor titular da Universidade de Cádiz e secretário do Grupo de Trabalho de Tecnologia e Dor da SED (SEDTech), José Antonio Moral Muñoz, explicou que essas ferramentas despertam um “interesse crescente” entre os profissionais de saúde. Segundo ele, a Sala SEDTech do congresso reúne participantes interessados em inteligência artificial, realidade virtual, aplicativos móveis e novas tecnologias aplicadas à dor.

Neste congresso também foi apresentado o livro “Saúde digital e dor. Guia para profissionais 2026”, editado por Héctor Beltrán Alacreu e pelo próprio José Antonio Moral Muñoz. A publicação reúne avanços relacionados a terapias digitais, telemedicina, telereabilitação, monitoramento digital, realidade estendida e inteligência artificial.

“A abordagem do livro é muito clínica. Todos os capítulos incluem conselhos práticos para os profissionais de saúde que atendem pacientes com dor”, afirmou Moral Muñoz.

Por sua vez, o médico de família e gestor clínico de pesquisa e inovação na Badalona Serveis Assistencials, José Ferrer, destacou que a realidade virtual já é utilizada em iniciativas assistenciais ligadas à saúde pública.

“Não se trata de projetos de laboratório nem de tecnologias que estejam sendo inventadas em uma academia. São projetos aplicados na prática clínica diária”, observou.

A equipe de José Ferrer trabalha em programas relacionados à dor crônica na Atenção Primária, dor aguda durante tratamentos e procedimentos pediátricos dolorosos.

Segundo ele, a realidade virtual pode ajudar a “potenciar intervenções terapêuticas”, já que não é uma terapia isolada nem substitui o profissional, mas ajuda a alcançar os objetivos terapêuticos.

Entre os casos práticos de sucesso, ele cita sua utilização na reabilitação pós-cirúrgica, para a adesão ao exercício ou durante procedimentos pediátricos dolorosos. Além da distração, José Ferrer defendeu o valor educacional dessas ferramentas em técnicas de regulação emocional ou mindfulness aplicadas à dor.

ILUSÕES ACÚSTICAS IMERSIVAS

A dimensão emocional e sensorial da dor também é o foco de parte das pesquisas apresentadas em Vitória. A pesquisadora de pós-doutorado da Universidade de Barcelona, Marta Matamala Gómez, trabalha com ilusões acústicas imersivas para pacientes com dor crônica. O projeto utiliza sensores de movimento e fones de ouvido para gerar a sensação de caminhar por diferentes ambientes sonoros, como florestas, praias ou espaços urbanos.

“Os banhos de floresta podem ajudar muito na saúde mental e acreditamos que também possam ser úteis para pacientes com dor crônica”, explicou ela.

Essas experiências induzem a percepção de presença e controle corporal dentro do ambiente virtual, já que essa sensação “enganam o cérebro e fazem com que a pessoa se sinta realmente presente nesses espaços sonoros”.

A imersão sonora pode influenciar o componente afetivo e emocional da dor crônica, além de atuar como um distraidor diante da percepção dolorosa. O sistema já foi testado em indivíduos saudáveis e atualmente se encontra em fase piloto com pacientes.

Por sua vez, o fisioterapeuta, professor e pesquisador da Universidade Fernando Pessoa das Canárias, Javier Guerra Armas, investiga o impacto da realidade virtual imersiva sobre fatores psicológicos associados à dor crônica. O objetivo não se limita a reduzir a intensidade da dor, mas também a melhorar a funcionalidade e a autonomia dos pacientes.

“Queremos melhorar a capacidade funcional e que as pessoas possam recuperar atividades valiosas de sua vida cotidiana”, afirmou.

Entre os fatores estudados estão a evitação do movimento, a hipervigilância ou determinadas alterações atencionais relacionadas à dor persistente.

Javier Guerra adiantou que seu grupo publicará na revista 'Pain' um artigo sobre mecanismos neurofisiológicos e psicofísicos associados à realidade virtual imersiva.

“Descobrimos que não se trata apenas de distração; também há alterações na atividade cerebral e no sistema nervoso autônomo”, afirmou.

REALIDADE VIRTUAL SEM ÓCULOS

A vertente “mais imersiva” do congresso se desenvolve na sala instalada pela empresa Broomx no Palácio de Congressos de Vitória. Seu fundador e diretor, Ignasi Capella, apresentou um sistema que permite criar ambientes imersivos sem a necessidade de utilizar óculos de realidade virtual.

“Muitas pessoas não toleram bem os óculos ou ficam enjoadas. Nosso sistema permite que mais pacientes tenham acesso a essas experiências”, observou.

Essa tecnologia já é utilizada para facilitar o relaxamento, a atenção plena e a autorregulação emocional em pacientes com dor crônica e dor pós-cirúrgica, e também é aplicada como ferramenta de distração em oncologia pediátrica e procedimentos invasivos.

Os especialistas reunidos em Vitória comentaram, em suma, que essas tecnologias ainda são pouco conhecidas entre muitos profissionais e pacientes, embora sua incorporação à prática clínica tenha se acelerado nos últimos anos devido à “redução de custos e à melhoria da acessibilidade dos dispositivos”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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