Iván Zambrano / Europa Press
MADRI 19 ago. (EUROPA PRESS) -
A Real Academia Nacional de Medicina da Espanha (RANME) defendeu que proporcionar um acolhimento digno aos imigrantes é a resposta sanitária mais eficaz para prevenir a propagação de infecções após a crise migratória de Ceuta.
“O saneamento, o abastecimento de água, a alimentação e o alojamento não são apenas questões sociais ou migratórias: neste momento, são intervenções de saúde pública”, afirmou em um comunicado no qual expressa sua preocupação com a situação criada, bem como seu apoio solidário à cidade de Ceuta e a todos os profissionais de saúde que lá exercem suas funções.
Além disso, para reduzir o risco de doenças infecciosas, a RANME ressalta que é necessário realizar uma triagem daqueles que estejam sofrendo de alguma doença, especialmente os imigrantes da África Subsaariana, devido ao seu longo processo migratório. Além disso, devem ser aplicadas as medidas políticas cabíveis de acordo com a legislação vigente, com suas exceções, se houver, para reduzir o foco de risco o mais rápido possível.
Nesse contexto, a Real Academia Nacional de Medicina da Espanha alerta que a avaliação da situação deve se concentrar, com base em critérios de saúde pública, no risco de transmissão de doenças infecciosas, no impacto da demanda extraordinária sobre a prestação ordinária dos serviços de saúde e na realização de uma avaliação conjunta desses critérios.
No que diz respeito ao impacto da demanda extraordinária sobre a prestação ordinária dos serviços de saúde, a RANME considera que isso pode se traduzir em um aumento sustentado da carga de trabalho e do esforço físico e psicológico da equipe de saúde, o que, em sua opinião, deve ser “levado a sério” durante a crise com reforços de pessoal e, caso seja necessário, com acompanhamento por especialistas.
AVALIAÇÃO CONJUNTA DE CRITÉRIOS
Para a Real Academia, a determinação do nível de resposta não deve basear-se exclusivamente no número de pacientes ou na ocupação hospitalar. “Devem ser avaliados em conjunto o volume e a evolução da demanda por atendimento, as internações, a ocupação e a reserva efetiva de leitos, as necessidades de pessoal e de turnos extraordinários, os possíveis encaminhamentos, os riscos específicos à saúde pública, a capacidade de manter a atividade normal e a evolução temporal da situação”, explica.
Além disso, destaca que devem ser consideradas as circunstâncias sociais e ambientais que possam aumentar a demanda ou dificultar a resposta à saúde, como a superlotação, a falta de moradia adequada ou as necessidades de saneamento.
A Real Academia Nacional de Medicina da Espanha expressa, por fim, seu apoio solidário à cidade de Ceuta e a todos os profissionais de saúde envolvidos na resolução dos problemas médicos e de saúde pública existentes nessa cidade e anuncia que incluirá em sua agenda de análises e debates o estudo científico, médico e sanitário do problema apresentado.
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