MADRID 25 fev. (EUROPA PRESS) - Uma equipe internacional de astrônomos obteve a maior imagem capturada até agora com o radiotelescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), uma instalação operada pelo Observatório Europeu Austral (ESO) e seus parceiros no deserto de Atacama (Chile), que mostra em detalhes a região central da Via Láctea e sua complexa rede de filamentos de gás cósmico.
Os dados, obtidos no âmbito do programa ACES (ALMA CMZ Exploration Survey) e conforme informado pela ESO, revelam a chamada Zona Molecular Central (CMZ) da galáxia, uma região que abrange mais de 650 anos-luz e que abriga densas nuvens de gás e poeira ao redor do buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea. Segundo a ESO, é a primeira vez que o gás frio dessa zona é explorado com este nível de detalhe. O mosaico, resultado da combinação de múltiplas observações individuais, tem no céu uma extensão equivalente a três luas cheias alinhadas. A pesquisa permitiu detectar dezenas de moléculas diferentes no gás molecular frio da região, como compostos simples, como o monóxido de silício, ou substâncias orgânicas mais complexas, como o metanol, a acetona ou o etanol.
“É um lugar de extremos, invisível aos nossos olhos, mas agora revelado com extraordinário detalhe”, afirmou um dos astrônomos da ESO na Alemanha e membro da equipe que fez as descobertas, Ashley Barnes, que também apontou que este é o “único núcleo galáctico suficientemente próximo da Terra para que possamos estudá-lo com tanto detalhe”.
Barnes acrescentou ainda que “a próxima atualização da sensibilidade de banda larga do ALMA, juntamente com o Telescópio Extremamente Grande da ESO, permitirá em breve aprofundar ainda mais esta região, resolvendo estruturas mais finas, rastreando químicas mais complexas e explorando a interação entre estrelas, gás e buracos negros com uma clareza sem precedentes”.
Por sua vez, o professor de astrofísica da Universidade John Moores de Liverpool e líder do projeto ACES, Steve Longmore, indicou que a CMZ “abriga algumas das estrelas mais massivas conhecidas em nossa galáxia, muitas das quais vivem rápido e morrem jovens, terminando suas vidas em poderosas explosões de supernovas e até mesmo hipernovas”.
Longmore acrescentou que o estudo desse ambiente pode lançar luz sobre a evolução das galáxias em geral, já que a região “compartilha muitas características com as galáxias do universo primitivo, onde as estrelas se formavam em ambientes caóticos e extremos”.
“Ao projetar a pesquisa, já esperávamos um alto nível de detalhe, mas, sinceramente, ficamos surpresos com a complexidade e a riqueza reveladas no mosaico final”, acrescentou a astrônoma do ALMA na ESO, Katharina Immer.
Os resultados são apresentados em cinco artigos aceitos para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
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