Publicado 13/05/2025 05:25

A radiação ultravioleta em Marte não é incompatível com a vida

Sensor ultravioleta a bordo do rover Curiosity da NASA. / NASA/JPL-Caltech/MSSS
NASA. / NASA/JPL-CALTECH/MSSS / CSIC

MADRID 13 maio (EUROPA PRESS) -

As doses de radiação ultravioleta (UV) medidas na superfície de Marte são comparáveis àquelas estimadas na Terra primitiva e, portanto, não são absolutamente incompatíveis com a vida.

Essa é a conclusão de um estudo liderado pelo Centro de Astrobiologia (CAB, CSIC-INTA), com a participação do Instituto de Química Física Blas Carrera (IQF-CSIC), que foi publicado na revista 'Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)'.

A pesquisa coleta as doses de radiação obtidas graças ao instrumento REMS, que chegou à Cratera Gale, perto do equador do planeta, em 2012, a bordo do rover Curiosity da NASA.

De acordo com o CSIC, durante mais de cinco anos marcianos, o equivalente a mais de uma década na Terra, os pesquisadores analisaram os dados de radiação ultravioleta nas três bandas principais: UV-A, UV-B e UV-C.

Elas se distinguem por sua energia e potencial de dano aos organismos vivos: a radiação UV-A tem a energia mais baixa; a UV-B tem a energia mais alta; e a UV-C tem a energia mais alta e, portanto, é a mais prejudicial aos organismos vivos.

A esse respeito, ele explicou que, na Terra, a radiação UV-C, assim como a maior parte da radiação UV-B, é protegida pela camada de ozônio, que protege o planeta. Ele acrescentou, no entanto, que a atmosfera de Marte é cerca de 100 vezes mais fina do que a da Terra, por isso não absorve a radiação solar da mesma forma e, portanto, essa radiação atinge a superfície praticamente em sua totalidade.

"Os resultados mostram que a radiação UV em Marte que atinge a superfície da Cratera Gale consiste, em média, de 80% de UV-A, 15% de UV-B e 5% de UV-C", explicam Daniel Viúdez-Moreiras, María Paz Zorzano e Alberto González Fairén, pesquisadores do CAB que lideraram o estudo, em um comunicado.

POEIRA SUSPENSA E OZÔNIO

Os cientistas também explicam que "a escassa proteção fornecida pela atmosfera de Marte contra a radiação ultravioleta se deve à poeira em suspensão, particularmente relevante na temporada de tempestades de poeira, e, em menor grau, ao ozônio presente na atmosfera de Marte".

Os resultados dessa pesquisa mostram variações drásticas e muito rápidas nos níveis de radiação UV, capazes de alterar as doses em mais de 30% em alguns sols (dias marcianos). "Essas variações são complexas e imprevisíveis com os modelos atmosféricos atuais, de modo que a instrumentação implantada na superfície de Marte é essencial para entender o ambiente de radiação no planeta", acrescentam.

Embora as doses de radiação ultravioleta em Marte sejam muito mais altas do que as da Terra atualmente, seus níveis são comparáveis aos que se acredita terem existido na Terra primitiva, que se refere aos primeiros bilhões de anos após a formação do nosso planeta, quando a vida se originou e evoluiu (entre 4 e 2,5 bilhões de anos atrás).

Apesar de seu poder esterilizante, a pesquisa sugere que a radiação ultravioleta que atinge a superfície marciana não é absolutamente incompatível com a vida e pode não ser suficiente, por si só, para eliminar todos os micro-organismos terrestres que viajam a bordo de missões espaciais.

Portanto, os pesquisadores enfatizam a necessidade de medidas mais rigorosas de proteção planetária para evitar a contaminação de Marte com vida terrestre, especialmente em futuras missões tripuladas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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