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MADRID, 25 mar. (EUROPA PRESS) -
46% das comunidades autônomas não dispõem de infraestrutura, suprimentos nem pessoal suficiente para realizar o rastreamento, o diagnóstico e o tratamento do câncer de cólon de maneira eficaz.
É o que indicam os resultados provisórios de um relatório qualitativo sobre os programas de rastreamento do câncer de cólon na Espanha, elaborado pela Associação Espanhola contra o Câncer (AECC) e pela Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer (IARC), órgão dependente da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O rastreamento do câncer de cólon na Espanha é direcionado a pessoas com idades entre 50 e 69 anos. Consiste na realização de um Teste de Sangue Oculto nas Fezes (TSOH), um exame que determina a presença de sangue não visível nas fezes. O objetivo é detectar pequenos sangramentos, que podem ser causados por alterações benignas, pólipos ou lesões pré-malignas ou malignas que só seriam detectadas quando a doença já estivesse em estágio mais avançado, quando as chances de tratamento e cura seriam menores.
Este programa de avaliação, promovido pela AECC e pela IARC, foi lançado no final de 2024 em resposta à falta de dados sobre os programas de rastreamento. Participaram dele 17 comunidades e cidades autônomas — com exceção de Castela-La Mancha e da Comunidade Valenciana —, embora o relatório apresente dados validados de 13 delas.
“Constatamos que há um alto nível de organização dos programas de rastreamento na Espanha. Todas as comunidades autônomas possuem um sistema para identificar a população elegível, convidá-la e notificar os resultados”, destacou a pesquisadora da IARC Isabel Mosquera, que apresentou os dados da pesquisa.
No entanto, o relatório reflete que 46% das comunidades autônomas não dispõem de recursos suficientes para oferecer serviços de rastreamento, diagnóstico e tratamento de maneira eficaz. Mosquera destacou que, embora a maioria conte com infraestruturas e suprimentos adequados, muitas apresentam uma falta significativa de pessoal. “A situação muda quando nos concentramos nos recursos humanos, especialmente no diagnóstico: faltam colonoscopistas, anestesistas e pessoal de enfermagem”, explicou.
Além disso, apenas 53,8% possuem um protocolo que descreva o monitoramento e a avaliação dos indicadores de desempenho, algo que permitiria conhecer o grau de cumprimento das metas ou detectar áreas de melhoria.
Da mesma forma, todas as comunidades têm uma pessoa responsável pela garantia de qualidade, mas apenas 61,5% dispõem de uma política documentada que garanta a qualidade do programa de rastreamento. Por fim, 23% reconhecem que não publicaram relatórios sobre resultados nos últimos 5 anos, não apenas para informar a população e os profissionais, mas para realizar uma melhoria contínua.
O relatório contém informações qualitativas sobre critérios essenciais e desejáveis para avaliar o bom funcionamento dos programas de rastreamento do câncer de cólon. O trabalho demonstrou que existe uma correlação positiva entre o cumprimento dos critérios essenciais e uma maior taxa de participação nos programas de rastreamento.
O objetivo agora, conforme exposto por Mosquera, é levar esses dados às comunidades para diminuir possíveis crises nos programas de rastreamento, ou mesmo evitá-las, e melhorar os programas.
A IMPORTÂNCIA DO RASTREAMENTO
O câncer de cólon é o tumor com maior incidência na Espanha, e nove em cada dez pessoas sobreviveriam se fosse detectado em fases iniciais. Nesse contexto, o presidente da Associação Espanhola Contra o Câncer, Ramón Reyes, defendeu a necessidade de estabelecer um mínimo comum, “suficientemente elevado”, que garanta o acesso equitativo a esses programas em todo o país.
“Não podemos aceitar que haja uma única pessoa que morra de câncer de cólon sem ter tido a oportunidade de que sua doença fosse diagnosticada ou tratada a tempo”, afirmou Reyes.
Nesse sentido, a diretora da IARC, Elisabete Weiderpass, destacou que as evidências científicas demonstraram que o rastreamento salva vidas. “Ao detectar lesões pré-cancerosas, ele pode impedir o câncer antes que se desenvolva. Além disso, funciona em todos os ambientes, pois sua eficácia e acessibilidade foram comprovadas em contextos de recursos altos, médios, baixos e muito baixos”, explicou.
No entanto, ela ressaltou que o rastreamento deve ser realizado de forma sistemática e oferecido a toda a população que possa se beneficiar, além de contar com um controle de qualidade constante. “Só é eficaz quando está bem organizado, baseia-se em evidências e está vinculado a um tratamento oportuno. Da mesma forma, é essencial um monitoramento rigoroso: os indicadores padronizados e a avaliação contínua são fundamentais para melhorar os resultados e a equidade”, defendeu.
“O RASTREIO SALVOU A MINHA VIDA”
Durante uma mesa redonda, Marisa, paciente com câncer de cólon, destacou que o rastreio salvou sua vida ao detectar a doença há quatro anos. "Descobriram um tumor no estágio II. Não havia metástase, estava localizado, mas exigia cirurgia. Removeram cerca de 20 centímetros do cólon ascendente, já que o tumor estava no ceco. Depois, recebi quimioterapia e agora estou no meu quarto ano de acompanhamento. Faço uma tomografia computadorizada a cada seis meses e tudo está evoluindo muito bem”, explicou.
Em seguida, a subdiretora-geral de Estilos de Vida Saudáveis da Secretaria de Saúde, Sagrario Pérez, destacou a importância de enviar o kit de rastreamento para o domicílio. “Os dados que temos são bastante bons, e aspiramos alcançar números semelhantes aos do rastreamento de câncer de mama. Somos uma das comunidades autônomas que envia o kit para casa desde 2022 e alcançamos uma participação próxima a 57%”, destacou.
Por fim, Guillem Artigues, coordenador de Saúde Pública do Programa de Detecção Precoce do Câncer nas Ilhas Baleares, lamentou a falta de profissionais em sua comunidade autônoma para realizar esses rastreamentos, devido, entre outros fatores, ao alto custo da moradia. “É uma desvantagem. Em termos de recursos materiais, estamos bem, mas tememos uma fuga de profissionais”, concluiu.
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