Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
O Ministério da Saúde e o ISCIII publicam o maior estudo da Espanha sobre o assunto
MADRID, 21 maio (EUROPA PRESS) -
39,6% dos enfermeiros e enfermeiras pretendem abandonar a profissão na próxima década “e 17% planejam fazê-lo em apenas dois anos”, segundo as conclusões de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII), por meio do Investén-ISCIII, “o maior estudo realizado na Espanha” sobre o assunto.
A pasta da Saúde do Governo indicou que este trabalho, publicado na revista especializada 'Journal of Nursing Management', foi realizado "entre mais de 20.000 enfermeiras e enfermeiros de todas as áreas de atendimento e comunidades autônomas". O mesmo "alerta para um fenômeno com potencial impacto estrutural sobre a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde (SNS)", informou.
“A análise identifica como principais indicadores da intenção de abandono as percepções negativas sobre a segurança do paciente e a qualidade dos cuidados prestados”, continuou, acrescentando que “as enfermeiras que consideram a segurança do paciente insatisfatória apresentam 81% mais probabilidade de querer abandonar a profissão, enquanto aquelas que percebem uma baixa qualidade dos cuidados têm 71% mais risco”.
Segundo ele, “entre os fatores laborais associados, destacam-se especialmente a contratação temporária, que aumenta em 33% a probabilidade de intenção de abandono, e a omissão de cuidados de enfermagem por falta de tempo, uma situação referida por 60% dos profissionais entrevistados”. Além disso, este estudo evidencia “importantes disparidades territoriais associadas ao modelo descentralizado”, explicou.
DISPARIDADE TERRITORIAL
“Madri, Canárias, Galícia e Baleares apresentam mais do que o dobro das probabilidades de intenção de abandono em relação a Navarra, refletindo diferenças em estabilidade laboral, reconhecimento profissional e condições de exercício entre territórios”, prosseguiu este departamento ministerial, que insistiu que “as razões expressas por quem manifesta intenção de abandonar a profissão são, em sua maioria, de caráter estrutural e profissional”.
Nesse sentido, expôs que “a falta de estabilidade no emprego é apontada por 56,5% dos participantes como motivo principal, seguida pelo escasso reconhecimento profissional (31,5%) e pelo salário insuficiente (5,3%)”. “A sobrecarga assistencial foi mencionada por 3,5% das enfermeiras entrevistadas”, acrescentou.
Outro aspecto analisado nesta pesquisa é o equilíbrio entre “o elevado nível de formação da profissão e as condições reais de desempenho profissional”, sobre o qual ela apontou que existe “uma lacuna”. “Atualmente, apenas 34,5% das enfermeiras especialistas atuam em sua área de especialidade, enquanto muitas profissionais são contratadas em cargos generalistas”, especificou.
FATORES ASSOCIADOS
“Os fatores associados à intenção de abandono apresentam, além disso, variações de acordo com o âmbito de atendimento”, afirmou, especificando que “na Atenção Primária, não exercer como especialista aumenta em 56% o risco de intenção de abandono, enquanto o turno da tarde representa um risco 48% superior em relação ao turno da manhã”.
Quanto ao âmbito hospitalar, ela sustentou que “jornadas superiores a 7,5 horas apresentam um impacto especialmente negativo, enquanto os turnos de 12 horas parecem estar associados a taxas menores de intenção de abandono”. Por outro lado, as enfermeiras de atendimento pré-hospitalar e do âmbito socio-sanitário “registram níveis mais baixos de intenção de abandono, possivelmente ligados a características organizacionais específicas desses ambientes”, afirmou.
De qualquer forma, e na opinião dos autores deste estudo, “por se tratar de uma pesquisa auto-relatada, os resultados podem estar sujeitos a vieses de resposta”. “Além disso, a análise excluiu profissionais com mais de 55 anos que pretendem abandonar a profissão em breve, para evitar confundir a aposentadoria com o abandono voluntário”, esclareceram.
Por fim, o Ministério da Saúde, que enquadrou este trabalho “no ‘Marco Estratégico para os Cuidados de Enfermagem’ (MECE) 2025-2027”, que “constitui uma base empírica para orientar futuras políticas de recursos humanos no SNS”, destacou que seus resultados indicam “a necessidade de avançar em direção a ambientes de trabalho mais estáveis, seguros e reconhecidos profissionalmente, como condição indispensável para garantir a qualidade, a segurança e a continuidade da assistência à saúde na Espanha”.
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